MINERAÇÃO PLANEJA INVESTIR NO BRASIL US$ 76,9 BILHÕES ATÉ 2030

MINERAÇÃO PLANEJA INVESTIR NO BRASIL US$ 76,9 BILHÕES ATÉ 2030

A indústria mineral brasileira projeta um novo ciclo de expansão com investimentos estimados em US$ 76,9 bilhões entre 2026 e 2030, segundo dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). O volume é o maior da série histórica da entidade e reflete tanto a demanda global por commodities quanto a necessidade de modernização estrutural do setor no país.

Do total previsto, os maiores aportes concentram-se em minério de ferro, que deve receber US$ 19,8 bilhões, seguido por projetos socioambientais, com US$ 14,7 bilhões. A logística aparece como terceiro principal destino dos recursos, com US$ 11,3 bilhões, evidenciando a necessidade de melhorias em infraestrutura para escoamento da produção. Na sequência, destacam-se os investimentos em cobre (US$ 8,6 bilhões) e fertilizantes (US$ 6,9 bilhões), ambos considerados estratégicos para a transição energética e segurança alimentar global.

Outro ponto relevante é o avanço dos minerais críticos, que devem atrair US$ 21,3 bilhões até o fim da década. Esses insumos são essenciais para tecnologias de baixo carbono, como baterias e sistemas de energia renovável, colocando o Brasil em posição estratégica no cenário internacional — ainda que desafios estruturais persistam.

A distribuição regional dos investimentos reforça o protagonismo de estados tradicionalmente mineradores. Minas Gerais lidera com US$ 19,7 bilhões (25,6% do total), seguido pelo Pará, com US$ 14,7 bilhões (19,1%). A Bahia aparece na terceira posição, com US$ 11,7 bilhões, enquanto Ceará (US$ 5,5 bilhões), Amazonas (US$ 2,7 bilhões) e Goiás (US$ 1,9 bilhão) também figuram entre os principais destinos dos recursos.

Apesar do cenário promissor, o Instituto Brasileiro de Mineração alerta que a concretização desses investimentos depende de avanços no ambiente regulatório. Entre os principais entraves estão a insegurança jurídica, limitações no acesso a financiamento e gargalos tecnológicos, especialmente nas etapas de refino e agregação de valor — fatores que impactam diretamente a competitividade brasileira no mercado global.

Nesse contexto, o setor defende políticas públicas voltadas à previsibilidade regulatória e ao estímulo ao investimento privado, consideradas essenciais para transformar o potencial mineral do país em crescimento econômico sustentável.

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