Por: Leonardo Roncetti (*)
Remoção Industrial – Parte 2
Uma das operações mais utilizadas para movimentação de cargas em plataformas offshore, quando não é possível o uso de guindaste, é o deslocamento lateral de cargas com talhas de corrente, em inglês “load drifting”.
Esta operação consiste no uso de duas ou mais talhas conectadas, de um lado, aos pontos de içamento e, do outro, à carga. Utilizando duas talhas, com o encurtamento da corrente de carga de uma talha e o alongamento da outra, é possível movimentar a carga tanto na vertical como na horizontal. Com uso de três ou mais talhas não colineares, consegue-se deslocar a carga em três dimensões.
Esse tipo de operação deve ser considerado como o último recurso, devendo-se priorizar outras mais seguras, por exemplo, a instalação de uma monovia provisória e deslocamento da carga com talha e trole ou a movimentação com trole apoiado diretamente sobre o convés.
Deve-se ainda considerar que alguns fabricantes de talhas limitam o ângulo da corrente de carga a ±7,5° em relação à vertical e que em algum momento da trajetória, uma das talhas pode ter carga abaixo de 10% da Carga Máxima de Trabalho (CMT), valor que alguns fabricantes consideram como mínimo para o funcionamento do freio.
Assim, o deslocamento de cargas com talhas deve ser precedido de plano de movimentação específico, além de avaliação estrutural dos pontos de içamento das talhas e de sua estrutura de suporte.
Os pontos de içamento das talhas podem ser permanentes, já existentes na área, ou temporários, criados para uma operação específica. Também pode ser utilizada a estrutura do entorno para formar estes pontos utilizando lingas em cesto ou forca.
Alguns pontos a serem observados no deslocamento lateral de cargas com talha:
- Os pontos de içamento, além de forças verticais, recebem forças horizontais que podem forçar perfis ou olhais no eixo de menor inércia, reduzindo suas resistências. Uma verificação estrutural criteriosa é fundamental;
- Quanto maior o ângulo da corrente de carga com a vertical, maior será a força lateral nos pontos de içamento, portanto, toda a operação deve ser executada conforme o plano de movimentação de cargas;
- Com a inclinação da talha, dependendo do ângulo, pode haver dificuldade de manuseio da corrente de acionamento, devendo-se dar preferência para talhas com corrente de acionamento em 360°, apesar de menos comuns no mercado. Este tipo de talha facilita a operação e permite um posicionamento mais seguro do operador;
- Deve-se especificar no plano, comprimentos adequados tanto para a corrente de acionamento quanto para a corrente de carga;
- Não utilizar “pega-vigas” ou “beam clamps” para fixação das talhas, quando houver ângulo de corrente de carga maior que 7,5° com a vertical, visto que muitos fabricantes limitam a carga lateral nesses componentes. Caso contrário, utilizar “pega-vigas” especiais;
- Movimentações sobre áreas críticas como linhas pressurizadas, equipamentos sensíveis ou energizados, vasos de pressão, salas de controle, entre outras, devem-se utilizar talhas novas, de qualidade comprovada.
- Quando os pontos de içamento forem fixados na estrutura através de lingas, deve haver proteção contra quina viva, bem como atendimento aos critérios de dobramento mínimo.
Em função dos muitos casos de acidentes já registrados nesse tipo de operação, um plano de movimentação de cargas específico, pessoal treinado e equipamentos em excelente estado, são mandatórios a eficácia e a segurança da movimentação, preservando pessoas, o meio ambiente e o patrimônio.

