EXPANSÃO COM INVESTIMENTOS E INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS

EXPANSÃO COM INVESTIMENTOS E INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS

O setor portuário brasileiro vive um momento de otimismo e transformação, marcado por grandes investimentos, inovação tecnológica e políticas públicas que reforçam a competitividade internacional do país. A prorrogação do Reporto até 2028 é um dos pilares dessa nova fase. O regime fiscal, que desonera a aquisição de equipamentos portuários, trouxe segurança jurídica e viabilidade econômica para projetos de expansão e modernização. Segundo a Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), o programa pode alavancar mais de R$ 52 bilhões em investimentos, acelerando a compra de guindastes, sistemas de movimentação de cargas e infraestrutura para receber navios de maior porte.

Entre os projetos em destaque está a expansão do Tecon Rio Grande, no Rio Grande do Sul, pela Wilson Sons (foto acima). Com aporte superior a R$ 1,1 bilhão até 2030, o terminal terá seu cais ampliado de 900 para 1.200 metros, permitindo a operação simultânea de três navios da classe New Panamax. A iniciativa reforça o papel estratégico do porto como hub de cargas do Cone Sul e deve gerar cerca de 5 mil empregos indiretos, além de consolidar a competitividade logística da região. “Se esses investimentos fossem postergados, haveria risco de restrições operacionais relevantes, como filas de navios e desvio de cargas para outros portos”, afirmou Paulo Bertinetti, diretor-presidente do Tecon Rio Grande.

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Terminal Portuário São Luís (TPSL) – (Divulgação VLI)

No Maranhão, a VLI investe R$ 80 milhões na recapacitação do Terminal Portuário São Luís (TPSL). As obras ampliarão em 23% a capacidade de expedição marítima e em 33% o escoamento interno de grãos, fortalecendo o Corredor Norte, que atende o agronegócio do Matopiba. A previsão é que o terminal alcance até 3.700 toneladas por hora de expedição marítima, consolidando sua relevância para o escoamento de soja, milho e farelos. “Aumentando a eficiência logística, contribuímos para uma maior competitividade dos nossos clientes e do Brasil no mercado internacional”, destacou Alessandro Gama, diretor de Planejamento da VLI.

A inovação também ganha espaço com o TECADI, operador logístico do Sul do Brasil que desenvolveu internamente um sistema de inventário cíclico por drones integrado ao seu WMS. A solução alcança 99,9% de precisão e reduziu em 80% as movimentações de máquina, eliminando gargalos do processo manual. Com mais de 500 inventários mensais realizados por drones, a empresa se posiciona como referência em tecnologia aplicada à logística. “O que construímos não é um projeto-piloto, é uma solução que roda todos os dias na operação real”, afirmou Luiz Carlos Poleza Júnior, executivo de TI da companhia.

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Drone na Baia de Gunabara (Divugação TECADI)

Concessões e o Tecon Santos 10

No âmbito das políticas públicas, o Ministério de Portos e Aeroportos mantém o cronograma estabelecido para o biênio de 2025-2026 que prevê a realização de mais de 40 leilões portuários, com expectativa de atrair R$ 20 bilhões em investimentos privados. A carteira inclui novos arrendamentos de terminais e concessões inéditas de canais de acesso marítimo, ampliando a capacidade logística e modernizando a infraestrutura nacional.

O Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina, reforça a necessidade desses investimentos. Em abril de 2026, movimentou 16,5 milhões de toneladas, alta de 11,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, e respondeu por 28,5% da corrente de comércio exterior brasileira. No acumulado do quadrimestre, foram 59,3 milhões de toneladas, recorde histórico. Para evitar gargalos, avança o projeto do Tecon Santos 10, considerado o maior da história do setor portuário brasileiro. Com investimentos estimados em R$ 6,4 bilhões, o terminal poderá ampliar em até 50% a capacidade de movimentação de contêineres do Porto de Santos, consolidando sua posição como principal hub logístico do país.

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Porto de Santos (Divulgação: APS)

Acesso em recintos alfandegados

A Portaria Coana nº 185/2026, publicada pela Receita Federal, tem mobilizado operadores portuários, administradores de terminais e empresas ligadas ao comércio exterior ao estabelecer novas regras para o ingresso e a permanência de pessoas em recintos alfandegados. A principal novidade é a exigência de um curso básico de conhecimentos aduaneiros para trabalhadores, prestadores de serviços e demais profissionais que necessitem acessar áreas sob controle aduaneiro.

A norma prevê que o curso poderá ser realizado de forma presencial ou virtual e exigirá frequência integral na parte teórica e aproveitamento mínimo em avaliação. Os administradores dos recintos serão responsáveis pela oferta da capacitação, aplicação das provas e emissão dos certificados. A regulamentação também cria diferentes níveis de treinamento, conforme o grau de sensibilidade das áreas acessadas.

Diante das dúvidas geradas pela medida, a Receita Federal publicou posteriormente a Nota Coana nº 32/2026, esclarecendo que a obrigatoriedade do curso somente entrará em vigor após a divulgação oficial dos conteúdos programáticos, diretrizes e materiais de treinamento. Até lá, permanecem válidos os procedimentos atuais de credenciamento.

A iniciativa tem dividido opiniões no setor. Enquanto a Receita Federal destaca o fortalecimento da segurança e do controle aduaneiro, representantes da comunidade portuária e do comércio exterior alertam para possíveis impactos operacionais, aumento de custos e desafios logísticos relacionados à capacitação de milhares de trabalhadores que circulam diariamente pelos recintos alfandegados.

Com a expectativa pela publicação das regras complementares e do cronograma definitivo de implementação, a Portaria Coana nº 185/2026 é considerada uma das principais mudanças regulatórias recentes para a gestão de acesso e segurança em portos, aeroportos e demais instalações alfandegadas do país.

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