Por Ezequiel Nunes (*)
Diante do atual cenário industrial, com avanços na área da movimentação de carga, tenho notado o crescente interesse de muitos colegas operadores de guindaste na modalidade onshore em migrar para a área offshore. Neste artigo, vamos abordar essa mudança a fim de esclarecer as dúvidas dos que pretendem seguir esse novo rumo.
O operador de guindastes onshore pode atuar no offshore? Os operadores habilitados na categoria onshore não podem, de imediato e diretamente, migrar de um campo de atuação para o outro. A mudança de modalidade é simples? Sim, porém a transição requer novos cursos, requisitos, treinamentos e normas específicas de embarcação para o offshore.
No onshore, o operador lida com cargas assimétricas, terrenos irregulares, variações climáticas e ambientes urbanos. Algumas rotinas são repetitivas, outras envolvem paradas em diferentes locais para execução de obras por períodos curtos.
Já no offshore, os desafios envolvem movimentação de cargas gigantes entre plataformas e navios, com dificuldades de estabilidade, balanço do mar e condições climáticas adversas. Além dos treinamentos práticos e teóricos, é necessário considerar o equilíbrio emocional para os longos dias embarcados e a adaptação física ao movimento do mar.
As normas e regulamentações necessárias incluem a NR-37 (Segurança e Saúde em Plataformas de Petróleo), o padrão Petrobras PE-1PBR-00223 (Movimentação de Cargas) e a N-2869 (qualificação de operadores offshore). Também são exigidas normas internacionais como API RP 2D (7ª ed.), DNV, ISO, PUWER 1998, LOLER e NORSOK Standard R-003. Entre os cursos complementares estão o COGB (Curso de Operação de Guindastes de Bordo), NR-11 (Transporte e Movimentação de Materiais), NR-35 (Trabalho em Altura), NR-34 (Anexo I – curso para operadores de equipamento de guindar) e novamente a NR-37. Os cursos são oferecidos em cidades e capitais com polos offshore, em centros credenciados.
Os requisitos mínimos para embarcar incluem Ensino Médio completo (técnico em mecânica ou eletromecânica é vantagem), idade mínima exigida, ASO (Atestado de Saúde Ocupacional) apto com exames médicos específicos, CBSP ou equivalente (treinamento básico de segurança offshore, incluindo T-HUET – escape de helicóptero submerso), inglês básico (desejável em FPSOs internacionais) e disponibilidade para escala embarcada.
Comparativo Onshore x Offshore
| Aspecto | Onshore (Terra) | Offshore (Mar) |
| Ambiente | Urbano, obras, terrenos irregulares | Plataformas, navios, mar aberto |
| Desafios | Cargas assimétricas, clima variável | Balanço do mar, estabilidade, tempo instável |
| Normas principais | NR-11, NR-35, NR-34 | NR-37, API RP 2D, DNV, ISO, NORSOK |
| Cursos exigidos | Operação de guindastes, NR-11, NR-35 | COGB, CBSP, T-HUET, normas internacionais |
| Remuneração média | R$ 3.000 – R$ 6.000 | Pode triplicar com adicionais |
| Escala de trabalho | Rotina diária, folgas semanais | Escala embarcada (14×14, 21×21, etc.) |
Quanto à experiência e evolução na carreira, não existe um mínimo legal fixo na NR-37, mas o mercado exige comprovação prática. Muitas empresas preferem treinar assistentes, homens de área ou marinheiros de convés, já adaptados à realidade offshore, em vez de trazer operadores apenas pela experiência em terra. Ainda assim, a vivência onshore ajuda muito a pular etapas: muitos começam como assistente ou nível 1 e chegam ao nível 3 em poucos anos.
Os benefícios e remuneração também são atrativos. Enquanto o salário onshore gira em média de R$ 3.000 a R$ 6.000/mês, o offshore, considerando adicionais de periculosidade, insalubridade, diária de embarque e horas extras, pode triplicar esse valor em algumas empresas.
Dica de ouro: se não conseguir direto como operador, comece como assistente ou “homem de área”. A evolução é rápida e, com bom desempenho e segurança conquistada no onshore, é muito provável que você seja treinado e receba a oportunidade de classificação.
Conclusão: a maré está favorável. Se você sente o desejo de buscar novos mares, nade em busca de seus objetivos. O setor offshore no Brasil está em expansão, e profissionais qualificados são cada vez mais procurados.
(*) Ezequiel Nunes (*) (*) Ezequiel Nunes, engenheiro mecânico, técnico em HSE e mecânica, é especialista em movimentação de carga e instrutor offshore. Contatos: kielnunes@hotmail.com


