Imagine a asa de um avião ou o casco de um iate: por fora, perfeitos; por dentro, podem esconder microfissuras ou bolhas de ar. Detectar essas falhas sem destruir peças era um desafio até a chegada da termografia ativa, solução desenvolvida pela startup Subiter, nascida no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
A técnica aquece a peça de forma controlada e usa câmeras infravermelhas para monitorar o retorno do calor. Em materiais íntegros, o fluxo térmico é uniforme; já em estruturas com delaminações ou vazios, surgem padrões irregulares. O software da Subiter interpreta essas variações e diagnostica a integridade do material. O processo é rápido, digital e sem contato físico, garantindo segurança para operadores e preservação da peça.
Vantagens sobre métodos tradicionais
Durante décadas, a inspeção industrial dependia de ensaios destrutivos por amostragem ou de métodos como ultrassom e radiografia. O ultrassom é confiável, mas lento, caro e exige operadores altamente qualificados. A radiografia, embora precisa, envolve riscos à saúde e limitações logísticas. A termografia ativa, por sua vez, inspeciona metros quadrados em minutos, com produtividade até 20 vezes maior que o ultrassom, e permite avaliar 100% das peças.
Aplicações estratégicas
A tecnologia é especialmente útil em materiais compósitos como fibra de carbono e vidro, presentes em fuselagens, cascos náuticos e pás eólicas. No setor náutico, estaleiros podem inspecionar cascos em produção ou manutenção sem desmontagens. Na energia eólica, grandes componentes são avaliados com agilidade. A Subiter oferece versões portáteis e fixas de seus equipamentos, integrados a software de análise e armazenamento.
Mercado e desafios
O mercado global de ensaios não destrutivos cresce impulsionado por segurança e eficiência. No Brasil, a Subiter atua em setores com menor rigidez normativa, como o náutico, que movimenta R$ 2,5 bilhões anuais e emprega 150 mil pessoas. Também atende segmentos metroferroviário, eólico e naval. A aeronáutica é um mercado natural, mas enfrenta barreiras regulatórias, já que a termografia ativa ainda não está incluída em normas técnicas nacionais.
Da pesquisa ao empreendedorismo
Fundada pelo engenheiro mecânico Eduardo Novais, a Subiter transformou pesquisa acadêmica em solução de mercado. Com apoio da FAPESP e do Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos, a empresa evoluiu de laboratório para atender indústrias bilionárias. A estratégia futura inclui internacionalização e uso de inteligência artificial para diagnóstico automático das imagens térmicas.
Fonte: Texto de Roseli Andrion, seção Pesquisas para Inovação no portal da FAPESP. Disponível em: pesquisaparainovacao.fapesp.br
(Imagem: Divulgação/Subiter)
