O tarifaço imposto ao Brasil e críticas a vetos pontuais na Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei 15.190, 2025) não impediram que cinco grupos empresariais participassem, dia 14 e agosto, do leilão da Rota Agro (BRs 060/364/GO/MT) na Bolsa de Valores, em São Paulo (B3). Isso demonstra, mais uma vez, que o programa de concessões rodoviárias do Governo Federal, conduzido pelo Ministério dos Transportes e pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) ganhou dinâmica própria e irreversível. O principal motivo, sem dúvida, é a importância do modal rodoviário, para grandes grupos exportadores dos mais variados setores, em particular o agro, como corredor logístico, entre as unidades de produção e os principais terminais portuários do país e, mais adiante, aos portos latino-americanos na costa do Pacífico.
O Consórcio Rota Agro Brasil, representado pela corretora Planner, saiu vitorioso no leilão da concessão das BR-060/364/GO/MT. O contrato, com prazo de 30 anos, prevê R$ 7,3 bilhões em investimentos diretos para transformar 490 quilômetros de rodovias que conectam Rio Verde (GO) a Rondonópolis (MT), passando por importantes polos agroindustriais como Jataí, Santa Rita do Araguaia e Alto do Araguaia. Além disso, pelas BR-060 e BR-364 passam diariamente milhares de toneladas de soja, milho, carnes e insumos agrícolas — um fluxo vital para o PIB nacional. Por conta disso, é um dos principais corredores que conectam produtores a centros de consumo e portos de exportação.

Claro que nem tudo o que é ofertado nos planos anuais de concessão do Ministério dos Transportes é viabilizado, mas as concessões bem-sucedidas e os investimentos têm sido bastante significativos e fundamentais para a modernização da malha rodoviária nacional. Em 2024, por exemplo, 10 projetos foram à leilão, dando origem a sete concessões. Neste ano, o Ministério dos Transportes anunciou 15 leilões – incluindo dois lotes no Paraná e a Rota da Celulose, no Mato Grosso do Sul, que não encontraram interessados, no ano passado. No total, se forem repassados à iniciativa privada cerca de 14 mil km, o investimento poderá chegar a R$ 161 bilhões em investimentos ao longo dos contratos.
Até o momento, cinco novas concessões e duas otimizações de contrato foram concluídas. A começar pela Ponte Internacional de São Borja, na fronteira do Brasil com a Argentina, que parecia inviabilizado depois de não ter despertado o interesse de nenhum grupo nas tentativas feitas em janeiro e abril. Com a atualização da taxa de retorno, de 8,46% para 15% e novas condições de garantia, a concessão dessa ponte, que conecta o Rio Grande do Sul à província de Corrientes, na Argentina, foi arrematada em leilão pela CS Infra, do Grupo SIMPAR, pelo prazo de 25 anos. O contrato prevê a prestação de serviços de operação, manutenção, gestão e investimentos na ponte rodoviária sobre o Rio Uruguai e seus acessos, totalizando R$ 171 milhões (US$ 31 milhões) em investimentos, sendo US$ 21 milhões nos 6 primeiros anos

Outro trecho concessionado foi o da Rota Agro Norte (BR-364/RO), primeiro realizado, ocorreu ainda em fevereiro. O consórcio formado pela empresa 4UM Investimentos e pelo banco Opportunity foi vencedor com proposta única. São previstos investimentos de R$ 6,35 bilhões de CAPEX e R$ 3,88 bilhões de OPEX ao longo dos 30 anos de concessão, contemplando os acessos aos principais portos da região com ampliações de capacidade, manutenção da via e serviços operacionais.
No mês de abril, ocorreu o leilão da BR-040/495/RJ/MG no trecho entre Juiz de Fora (MG) e Rio de Janeiro com vitória do Consórcio Nova Estrada Real sobre outros dois concorrentes. O Consórcio Nova Estrada Real, formado pelas empresas Construcap CCPS Engenharia e Comércio S/A, Sociedad Anónima de Servicios Copasa e OHL Concesiones S/L, sagrou-se vencedor ao oferecer 14% de desconto sobre a tarifa básica de pedágio. A proposta vencedora contempla um robusto plano de investimentos, que totaliza R$ 8,8 bilhões, incluindo duplicações, faixas adicionais, vias marginais, túneis e passarelas, incluindo a conclusão da Nova Subida da Serra, entre outras melhorias.

Outro certame bem-sucedido foi o leilão de otimização da BR-163/MS. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) oficializou, no início de agosto em agosto, a nova concessão, agora sob a gestão da Motiva Pantanal — nome novo da antiga MSVia. O contrato renovado, com vigência de 29 anos, estabelece uma agenda robusta de obras e serviços, pautada em alta tecnologia e padrões internacionais de desempenho. Entre as ações prioritárias estão a duplicação de 203 quilômetros, a implantação de 150 quilômetros de faixas adicionais, 23 quilômetros de vias marginais e a construção de cinco contornos urbanos em locais estratégicos como Mundo Novo, Eldorado e Itaquiraí — pontos estratégicos para desafogar o tráfego e garantir maior fluidez e segurança. O investimento estimado em R$ 9,31 bilhões (Capex), somado a R$ 7,15 bilhões em custos operacionais (Opex),O mesmo ocorreu, dia 26 de junho, com a concessão do trecho BR-101/ES/BA A Eco101 reassumiu seu compromisso com a rodovia, porém agora com um novo modelo de contrato, mais compatível com as necessidades dos usuários e com Tarifa Básica de Pedágio de R$ 0,05 por quilômetro, para trechos de pista simples. A concessionária, responsável pela administração de 478,7 quilômetros entre os estados do Espírito Santo e da Bahia, irá investir R$10,3 bilhões em inúmeras melhorias na estrada.
Todos os demais projetos seguem estudos de viabilidade elaborados pelo BNDES, com aval da Procuradoria Federal junto à ANTT e aprovação do Tribunal de Contas da União. Até o final do ano estão previstos os seguintes leilões: Rota Integração Sul (BR-116/158/392/290/RS): previsto para 4º trimestre; Rota Agro Central (BR-070/174/364/MT/RO); Rotas Gerais (BR-116/251/MG); e Rota Recôncavo (BR-116/324/BA).

CONSÓRCIO ANUNCIA PRIMEIROS RESULTADOS NA ROTA VERDE
O Consórcio Rota Verde Goiás, que venceu o leilão para administrar a Rota Verde (GO), 426,2 quilômetros de malha rodoviária nas rodovias BR-060 e BR-452, entre Goiânia e Itumbiara, anuncia as primeiras melhorias já realizadas no Plano de 100 Dias. As obras no pavimento entregues tiveram um volume três vezes superior ao acordado no contrato de concessão. A sinalização de solo passou por uma robusta remodelação. A iluminação de trechos urbanos também foi incrementada, com a revitalização de mais de cinco quilômetros de rede, iniciativa que já melhorou a integração entre ciclos rodoviário e urbano de trechos da concessão. A atuação diária das equipes de conserva também trouxe um salto na revitalização de canteiros centrais, sistemas de drenagem, obras de arte (pontes e viadutos) e faixa de domínio – espaço que divide o acostamento da rodovia e o limite de propriedades lindeiras. As placas substituídas – danificadas ou com baixa refletância, somam 196 no período – a previsão era de 60 e a entrega da Rota Verde foi de 326% no comparativo entre o previsto e executado. Outras 471 foram revitalizadas.
“A Rota Verde deu ainda mais impulso ao que seria um plano intensificado de serviços. Foram mais de 5,4 mil intervenções realizadas, o que representa a melhoria nítida da qualidade em diversos pontos, com o destaque para a entrega da Ponte do Rio Capivari, o fim de um transtorno a quem utiliza o trecho com frequência”, avalia Rafael Silveira, gerente de Contrato da Rota Verde Goiás. O contrato prevê investimentos de aproximadamente R$ 7 bilhões.

AVANÇO NA DUPLICAÇÃO DA VIA DUTRA NAS SERRA DAS ARARAS
Principal ligação entre Rio e São Paulo, duplicação da Via Dutra na Serra das Araras tem 38% da obra concluída. Com um investimento de R$ 1,5 bilhão, a obra abrange 16 quilômetros de extensão – 8 quilômetros por sentido – entre os Kms 225 e 233 da Via Dutra (BR-116). A intervenção visa a aumentar a capacidade da via, com a implantação de 24 viadutos, duas rampas de escape, duas faixas por sentido, de segurança e acostamentos, além de melhorias em 14 pontos de acesso e uma via marginal. A obra – que é feita pela EGTC Infra – também prevê a instalação de três passarelas, oito novos pontos de ônibus e a criação da feira de frutas, que vai atender pequenos comerciantes locais. A feira de frutas será instalada na parte central da Serra das Araras, que fica a 370 metros acima do nível do mar.
