“Ao longo dos últimos 30 anos, o comércio exterior brasileiro deixou de operar em ambiente relativamente previsível para conviver com volatilidade permanente. Crises financeiras internacionais, mudanças geopolíticas, pandemia, rupturas nas cadeias globais de suprimento, novas exigências regulatórias e digitalização mudaram profundamente a logística. Antes focada quase exclusivamente em eficiência e custos, hoje ela envolve gestão de risco, inteligência e adaptação. A Asia Shipping evoluiu de agente de cargas para integradora logística, ampliando atuação em transporte aéreo, multimodal, armazenagem, distribuição e soluções baseadas em tecnologia e dados. Nosso negócio deixou de ser apenas transportar mercadorias; passou a ser ajudar nossos clientes a tomar decisões seguras em um cenário global cada vez mais complexo”.
O senhor afirma que “o maior patrimônio são as pessoas”. Como essa cultura se traduz na prática e contribuiu para o crescimento da empresa? Tecnologia é essencial, mas são as pessoas que dão sentido a ela. A logística exige análise, decisão e relacionamento. Investimos na formação de lideranças, autonomia das equipes e cultura de confiança e colaboração. Nosso crescimento internacional só foi possível porque desenvolvemos profissionais capazes de compreender diferentes mercados e desafios regulatórios. Uma empresa cresce quando suas pessoas crescem junto.
Quais foram os momentos decisivos que transformaram uma empresa focada em transporte marítimo em uma integradora logística global? O primeiro marco foi a abertura do escritório em Hong Kong, em 1999, que representou mudança de mentalidade: deixamos de ser uma empresa brasileira com atuação internacional para construir presença global. Depois vieram expansão para outros mercados, investimentos em tecnologia e aquisições da DATI e da Hórus Logística. Esses movimentos ampliaram nossa capacidade de oferecer soluções integradas, combinando transporte, armazenagem, distribuição, inteligência artificial e automação. Hoje acompanhamos toda a jornada logística dos clientes com visão única e integrada.
O senhor acredita que o Brasil está entrando em um novo ciclo de industrialização? Qual deve ser o papel da logística nesse processo? O Brasil reúne condições importantes para ampliar sua participação nas cadeias globais de valor. Movimentos como o nearshoring, a diversificação das cadeias produtivas e a busca das empresas por maior resiliência criam oportunidades relevantes para a indústria nacional. Mas competitividade industrial depende diretamente da qualidade da logística.Não basta produzir bem; é preciso garantir previsibilidade, eficiência e integração entre fornecedores, indústria, operadores logísticos e mercados consumidores. A logística deixou de ser uma atividade de apoio e passou a ser um fator estratégico para atrair investimentos, reduzir riscos e aumentar a competitividade internacional das empresas brasileiras
Como é a interação entre operadores logísticos, transportadores rodoviários, empresas de içamento e clientes industriais para garantir o sucesso dessas operações? Operações industriais complexas exigem coordenação precisa entre todos os participantes. Cada elo tem responsabilidade específica, mas o sucesso depende da integração das informações e do planejamento conjunto. É preciso alinhar cronogramas, infraestrutura, requisitos técnicos, restrições, gestão de riscos e planos de contingência. O operador logístico atua como integrador, coordenando parceiros para que o fluxo funcione como um sistema único. Quanto maior a complexidade, maior a necessidade de visibilidade, comunicação e antecipação de riscos. Essa integração reduz custos, evita atrasos e aumenta a segurança.

O aquecimento dos setores industrial, energético e de infraestrutura tem impulsionado a importação de bens de capital no Brasil. Esse movimento aumenta a complexidade das operações de comércio exterior, exigindo uma gestão logística especializada em cargas de projeto para assegurar viabilidade técnica e previsibilidade de custos em cronogramas de alta precisão.
“Não estamos falando apenas de movimentar cargas, mas de viabilizar a modernização do parque fabril brasileiro. Em um cenário de reindustrialização, a precisão da cadeia logística é o que garante que o investimento saia do papel no prazo planejado”, destaca Alexandre Pimenta, CEO da Asia Shipping.
Máquinas e equipamentos mecânicos seguem no topo da pauta de importação brasileira. O fortalecimento do programa Nova Indústria Brasil (NIB), com previsão de aportes de R$ 370 bilhões até o final de 2026, é um dos principais vetores desse crescimento. Projetos de infraestrutura e a expansão de usinas eólicas e solares têm ampliado a demanda por transporte de cargas superdimensionadas e indivisíveis, intensificando operações logísticas especiais.
Para atender a esse cenário, a Asia Shipping tem reforçado sua atuação no transporte multimodal de equipamentos pesados. A companhia oferece soluções integradas que englobam desde a gestão aduaneira até operações breakbulk — modalidade essencial para itens que não se adequam a contêineres convencionais devido ao peso ou às dimensões.
Segundo Alexandre Pimenta, entre os principais desafios do setor estão a sincronização com montagens industriais e o cumprimento de restrições portuárias e rodoviárias específicas para cargas de grande porte. “Cada carga de projeto que entregamos, seja um componente de uma usina solar ou uma linha de montagem automotiva, representa um avanço na nossa matriz energética e na nossa capacidade produtiva. Nosso foco é garantir a previsibilidade porta a porta, permitindo que a indústria brasileira foque na implementação técnica enquanto asseguramos a integridade do fluxo logístico global.”

