IMPROVISO EM MANUTENÇÃO? A IMPORTÂNCIA DO HANDLING NO PROJETO OFFSHORE

Por: Ronaldo Cruz e  André Braghini Ramalho (*)

Imagine a situação: Como engenheiro você está encarregado da remoção de um permutador de calor de uma planta industrial onde este foi instalado há anos, como o da Figura1, quando percebe que o local é de difícil acesso e não conta com recursos adequados para a movimentação do equipamento, por exemplo, não dispõe de pontos de ancoragem para realizar o içamento.

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Imagem 1: Permutador de calor Fonte: Biblioteca de Banco de Imagens da Petrobras (https://bancodeimagens.petrobras.com.br/fotoweb/archives/5025-Migrate/Folder%203/Dig4471.jpg.info)

Pode parecer estranho, mas o cenário descrito anteriormente por vezes reflete a realidade. Na indústria como um todo, a instalação de um equipamento ou mesmo de um sistema é tratada na etapa de projeto de uma nova unidade. Porém podem não ser observadas questões futuras relacionadas a processos como manutenção e inspeção (M&I) destes, o que inclui acesso às suas partes, desmontagens, movimentações e, a pior situação, a substituição da unidade ao longo da vida da planta. Tais ações devem ser conduzidas com segurança, viabilidade operacional e eficiência, ou seja, sem improviso e sem depender de soluções pontuais. Notemos o exemplo da Figura 2.

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Imagem 2: Representação de acessos a um permutador de calor

Agora considere uma plataforma de petróleo offshore, ilustrada pela Figura 3,  onde cada metro quadrado é valioso. Nestas instalações, o serviço de engenharia projeta a planta de processo dotada de equipamentos diversos, bombas, compressores, painéis elétricos etc., mas ao não atentar para que sejam viáveis as intervenções de M&I podem estar sendo antecipados possíveis agentes comprometedores da produção. E como se observa tal aspecto? Alguns sinais estão descritos a seguir:

  • Não existe rota de passagem;
  • Não há espaço para manobras;
  • Estão indisponíveis pontos de içamento/transferência,
  • O guindaste não possui alcance para o escopo previsto;
  • a área de laydown é insuficiente;

e o risco operacional esteja presente por demandar “um jeitinho”.

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Imagem 3: Dificuldades de acessos podem ser percebidas apenas em operação

Provavelmente você conhece ou mesmo já ouviu falar de situações como as relacionadas e então, como lidar com isto?

Ciente dessa questão a International Organization for Standardization[1] (ISO) iniciou em agosto/2024 a elaboração de um guia para manuseio de materiais (Material Handling Guidance), cujo escopo tem como foco a observância de critérios de projeto para manuseio de materiais no meio offshore.

A Petrobras, por possuir uma das maiores frotas mundiais de unidades offshore próprias e contratadas em operação, é vista como referência no mercado tendo sido convidada pela instituição para colaborar na elaboração deste guia.

Esse guia virá para endereçar questões por vezes não abordadas no projeto das instalações, como as apontadas agora neste artigo, mas não limitadas a estas.

Neste sentido, a integração entre operação e engenharia de projeto deve atuar para:

Em síntese, projetar uma instalação sem considerar as futuras necessidades de manuseio de materiais é transferir complexidade, custo e risco para a fase operacional.

Mais crítico ainda em ambientes offshore, onde espaço, tempo e risco têm impacto direto sobre a produção, projetar para o ciclo de vida não é diferencial: é necessidade.

Alinhada com a iniciativa da ISO, a participação da Petrobras reforçará que acessibilidade, manutenibilidade, rotas de movimentação, áreas de laydown e meios de içamento/transferência devem ser tratados como requisitos de engenharia desde a concepção do ativo. Isto é um olhar além do facilitar intervenções, essa abordagem reduz improvisos, fortalece a segurança, aumenta a previsibilidade das atividades de manutenção e contribui para a continuidade operacional.

[1] Organização Internacional para Padronização

André Braghini Ramalho
Este artigo tem também como autor o engenheiro de movimentação de cargas André Braghini Ramalho, que atua pela Petrobras diretamente nos trabalhos referenciados junto a ISO.

 

ronaldo cruzRonaldo Gonçalves Cruz, engenheiro mecânico e de segurança, com 35 anos de experiência em inspeção de equipamentos de movimentação de cargas offshore na Petrobras. Atualmente é diretor técnico da Cargopro Engenharia. Contatos: ronaldo.cruz@cargopro.com.br   

 

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