INOVAÇÃO EM ENGENHARIA E VERSATILIDADE DE ATIVOS

INOVAÇÃO EM ENGENHARIA E VERSATILIDADE DE ATIVOS

Em um terminal portuário estratégico no litoral brasileiro, uma parada de manutenção corretiva estrutural em uma retomadora e empilhadeira de minério de ferro, equipamento responsável por cerca de 50% da taxa de expedição desse centro logístico, impôs a necessidade imediata de uma intervenção corretiva de grande complexidade. A interrupção não programada desse ativo não apenas comprometeu a eficiência do terminal, mas também exigiu uma reavaliação imediata da logística integrada que conecta a recepção ferroviária ao embarque marítimo.

Diante da interdição do ativo, um comitê de crise foi constituído com o objetivo de mitigar os impactos sistêmicos da paralisação. A complexidade do desafio exigia uma abordagem multidisciplinar, integrando fabricantes, montadoras e especialistas em engenharia estrutural, segurança do trabalho e meio ambiente. A Bolbi Brasil, reconhecida por sua expertise em movimentação de cargas e vasto portfólio de ativos modulares, foi estrategicamente convocada para liderar as decisões de engenharia e a execução operacional necessária para a viabilização a estabilização para o reparo.

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O desafio técnico era multifatorial. O equipamento, operando sob condições severas de maresia, fator que acelera a fadiga estrutural em ambientes litorâneos, possui uma geometria robusta e de elevada massa. A característica construtiva da máquina, baseada em um sistema de “gangorra” (balanço bilateral), impõe uma concentração severa de carga de momento, exacerbada pelo distanciamento entre a ponta da lança e o contrapeso. Dada a natureza monolítica deste último, configurado como uma massa única indivisível, os protocolos convencionais de desmontagem tornaram-se inviáveis, visto que o tempo requerido para tal operação excederia os limites de ociosidade toleráveis pelo porto, prejudicando toda a cadeia logística de minério de ferro.

A urgência do cenário exigiu que a engenharia da Bolbi Brasil buscasse soluções técnicas que rompessem com o paradigma da manutenção tradicional. A premissa central era a estabilização e o escoramento seguro do equipamento, permitindo que as equipes de montagem acessassem as frentes de trabalho sem a necessidade de uma desmontagem integral. O planejamento focou na minimização dos impactos no lead time da manutenção, otimizando não apenas a execução em campo, mas garantindo a integridade do ativo perante as rigorosas cargas de vento e as tensões estruturais inerentes a máquinas de grande porte.

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Nesta fase de concepção, o domínio técnico sobre as variáveis de solo, resistência estrutural e condições meteorológicas tornou-se o diferencial determinante. A atuação da Bolbi Brasil, ao alinhar a precisão da engenharia estrutural com a agilidade logística, estabeleceu as bases para uma intervenção que visa não apenas o restabelecimento do ativo, mas a garantia de um padrão de segurança e meio ambiente em condições de operação extrema.

Munida dos esquemáticos de ação detalhados em conjunto com a montadora, a engenharia da Bolbi Brasil concebeu um plano executivo de rigor técnico, focado na segurança operacional, na preservação ambiental e na mitigação das severas intempéries meteorológicas típicas de zonas portuárias litorâneas. Diante de um ativo submetido a longos ciclos operacionais e fadigado pela agressividade do ambiente marinho, a equipe da Bolbi Brasil multidisciplinar de especialistas em movimentação de cargas estruturou uma solução estratégica para um cenário que carecia de precedentes na praxe da planta.

O projeto executivo foi inteiramente validado por meio de softwares de simulação de elementos finitos, gerando análises estruturais customizadas para a configuração específica do escoramento da recuperadora. O aceite estrutural atendeu ao método dos Estados Limites Últimos (ELU), critério normativo fundamental que assegura a integridade e a estabilidade da estrutura sob as combinações mais desfavoráveis de solicitações em sua vida útil, contemplando cargas excepcionais e as intensas forças de vento atuantes na orla marítima.

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Para viabilizar a implementação física da infraestrutura, a matriz da Bolbi Brasil, sediada em Contagem – Minas Gerais, estruturou uma força-tarefa logística de grande porte, mobilizando aproximadamente 20 carretas para o transporte de toda a estrutura de ativo próprio da Bolbi Brasil com aplicação modular estrutural. O planejamento e o envio rodoviário foram sincronizados com o cronograma de montagem em campo, garantindo eficiência na chegada dos componentes.

Sob a ótica da mecânica estrutural, a premissa fundamental da engenharia partiu da análise do comportamento do balanço estrutural do equipamento, que apresenta extensos braços de momento tanto na ponta da lança quanto no extremo oposto, onde se localiza o contrapeso. Conforme avaliado pelo comitê técnico de premissas, o recurso à desmontagem convencional foi sumariamente descartado, por se tratar de um equipamento de concepção tradicional, o contrapeso consiste em uma massa única e não modular, o que tornaria o desmonte tradicional temporalmente proibitivo e incompatível com as metas de retomada do porto. A estratégia da Bolbi Brasil, portanto, consistiu em preservar a integridade do bloco monolítico por meio do escoramento externo, viabilizando a intervenção com um ganho expressivo de lead time e garantindo a máxima segurança à operação.

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A estratégia executiva estabeleceu a implantação do sistema de suporte no setor sudoeste do pátio de pilhas, adjacente à zona de intervenção da retomadora. Com o suporte integral e contínuo de guindastes e de topografia alocada em regime full-time, o arranjo estrutural consolidou-se por meio de quatro torres treliçadas de alta capacidade, projetadas a uma altura de 24 metros. Cada torre foi dotada de um sistema de estaiamento independente e interligada superiormente por vigas metálicas de 14 metros, otimizando o espaçamento para garantir rigidez transversal e máxima resistência mecânica do conjunto.

Dada a exposição severa à orla marítima e a incidência de elevadas cargas de vento características da zona litorânea, a engenharia submeteu o arranjo a rigorosas simulações aerodinâmicas e estruturais, assegurando a instabilidades sob condições meteorológicas adversas. Em paralelo à edificação do sistema treliçado voltado ao apoio do contrapeso, procedeu-se à montagem de um sistema de chassi de lastro para o estaiamento da lança, distribuído em dois módulos com capacidade agregada próxima de 150 toneladas.

A montagem do material de estabilização da retomadora ocorreu com a máquina temporariamente posicionada fora da zona direta de manutenção. Para a manobra de aproximação à estrutura de escoramento, a retomadora executou a rotação controlada de sua mesa de giro até alcançar uma configuração perpendicular ao caminho de rolamento, direcionando a lança para o centro do pátio.

O posicionamento cinemático foi parametrizado para garantir uma folga mínima de segurança de 100 mm em relação ao conjunto de torres estruturais. Concluída essa pré-configuração, a máquina realizou a translação definitiva até o ponto de intervenção, encaixando-se com exatidão na infraestrutura de estabilização previamente erguida. Com o auxílio de plataformas de trabalho aéreo (PTAs) de 40 metros de alcance, posicionou-se o conjunto de cunhas para a acomodação e travamento do contrapeso.

O ápice da intervenção operacional deu-se com a mobilização e montagem do pórtico hidráulico pinado de 200 toneladas da Bolbi Brasil na extremidade da lança, acompanhado pela passagem dos cabos de estaiamento no chassi de lastro. Esse sistema desempenha um papel estratégico em cenários de longa duração de estacionamento estático, visto que o seu mecanismo de pinagem mecânica transfere a responsabilidade da retenção de carga do sistema hidráulico para o travamento puramente mecânico, eliminando riscos de fluência e assegurando estabilidade absoluta ao longo de todo o período de obra.

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Com o sistema integralmente estabilizado, contemplando desde a ponta da lança até o extremo oposto do contrapeso, procedeu-se à aplicação de uma carga máxima monitorada por um sistema eletrônico de pesagem tecnológico. Essa instrumentação permitiu o fino controle do avanço de cargas, aplicando uma força de pré-carregamento de 60 toneladas no conjunto do pórtico.

A estabilização total do ativo viabilizou o acesso irrestrito às frentes de manutenção pesada, culminando na substituição segura da ponta de lança. Como resultado direto da sinergia entre o planejamento preditivo, a modelagem computacional e a excelência logística, a atividade superou amplamente os parâmetros tradicionais de manuseio corretivo, reduzindo drasticamente a ociosidade do ativo em planta e estabelecendo um novo parâmetro de lead time para operações dessa magnitude no setor de manutenção.

O sucesso desta intervenção de alta engenharia não seria exequível sem a sinergia entre o profundo background técnico da equipe especialista da Bolbi  Brasil e o seu vasto ecossistema de ativos próprios modulares de movimentação de cargas pesadas. A magnitude da operação refletiu-se diretamente no volume e na especificidade dos insumos mobilizados para o campo, evidenciando uma capacidade de pronta resposta e um acervo material sem precedentes no setor.

Para materializar o escoramento, a sustentação das estruturas e a dispersão segura das reações no solo, a força-tarefa empregou um aparato técnico robusto, que incluiu, mais de 500 metros de cabos de aço de alta resistência para os sistemas de estaiamento, 220 toneladas de blocos de concreto modulados, aplicados no lastreamento, estaiamento e na estabilização dos momentos fletores, mais de 150 metros de vigas metálicas estruturais, responsáveis pela interligação e rigidez, aproximadamente 150 metros de elementos treliçados, distribuídos estrategicamente nas regiões adjacentes ao contrapeso e à cabine de comando do equipamento e sistemas de junção e de dissipação de cargas no solo, fundamentais para garantir a estabilidade geotécnica e mitigar recalques diferenciais sob o canteiro de montagem.

Essa parada corretiva consolida um marco de excelência e inovação na movimentação de cargas de grande porte. Ao aliar modelagem computacional preditiva, rigor analítico, engenharia cinemática de precisão e uma logística de grande envergadura, a intervenção restabeleceu a operacionalidade da retomadora em um lead time histórico.

Mais do que mitigar os severos impactos econômicos em uma cadeia logística responsável por 50% da expedição de commodities do terminal, a atuação da Bolbi Brasil reafirmou seu compromisso intransigente com a segurança operacional, a integridade ambiental e a preservação da alta performance dos grandes complexos industriais.

Equipe Técnica: Fernando Biskupski, Tássio Henrique, Gustavo Bertolin, Bernardo Assis e
Mariana Vilaça

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