Carla Carolina dos Reis Anceles está fazendo história ao se tornar a primeira mulher operadora de guindastes do Porto de Itaqui, no Maranhão, e, ao que se sabe, em toda região Norte-Nordeste do país. Lembrando que a operação envolve guindastes de grande porte, operados em terra, em navios atracados em berços, como os modelos Liebherr 280 e 420 e o gigante MHC Gottwalld.
Carla, natural de São Luís, foi promovida a Operadora de Guindastes III (o próximo passo é operadora IV) no último dia 01 de julho, exatos dois meses antes de completar 32 anos de idade. Não só por ser mulher, sua trajetória profissional na COPI Soluções Integradas, empresa de logística integrada no porto maranhense e também em Tocantins, é considerada internamente como “uma quebra de barreiras e a ressignificação da cultura operacional em equipamentos de grande porte”. E para entender o porquê é preciso voltar um pouco no tempo.
Em outubro de 2024, Francisco Assis Ricarte Neto, hoje Gerente de Operações Portuárias- Logística de Porto, Armazém e Ferro via na COPI, depois de dois anos e oito meses, estava de volta a São Luís, vindo do interior do Tocantins, onde era gestor do Terminal Integrador de Palmeirante (TIPA), inaugurado em 2022, criando uma ligação ferroviária entre o Porto do Itaqui e uma das regiões agrícolas de maior crescimento do país – a região do MATOPIBA, além do Sul do Pará e Nordeste do Mato Grosso.
Já reintegrado às operações do porto, Ricarte, no início de dezembro, daquele mesmo ano de 2024, um sábado, estava em sua sala e de passagem comprada para uma nova incursão no Terminal de Palmeirante para passar serviço ao novo gerente que ia assumir a unidade. Foi quando uma auxiliar de limpeza, com um ano e sete meses de casa, que estava trabalhando naquele dia, começou a conversar com ele e disse que tinha o sonho de ser operadora.
“Eu fiz algumas indagações”, lembra ele, “perguntando se ela tinha cursos externos e com certificado. Ela falou que sim, eu pedi para olhar os documentos. Depois ela me enviou e eu falei, olha, estou viajando agora, mas no meu retorno nós vamos fazer um teste em uma das nossas unidades que fica aqui fora do Porto”. Era Carla, evidentemente, e o seu sonho tinha asas, mas também pés no chão. No caso: “formação superior em Gestão Pública, curso técnico em logística portuária e como operador (a) de graneis sólidos”.

No seu retorno, Ricarte a convidou para um teste, fez algumas observações e testes práticos, onde ela se saiu muito bem, passando a uma operação assistida com o instrutor. Inicialmente com máquinas da linha amarela, carregadeira e escavadeira hidráulica, Carla treinou durante três meses nos armazéns, nos carregamentos ferroviários e rodoviários e depois foi habilitada. E foi promovida para operadora de máquinas 2, onde ficou durante mais quase um ano.
Até surgir a oportunidade de participar de treinamentos no INCATEP, que oferece cursos e certificações alinhados aos programas oficiais da Marinha do Brasil (PREPOM), voltados à qualificação de operadores de equipamentos utilizados em portos e terminais. Carla fez testes, simulados operacionais e cursos de Diagnóstico Avançado de Falhas (D.A.F.) e estrutura de mecânica de máquinas pesadas. Uma vez aprovada e certificada, ela passou a trabalhar junto com o time de operadores da COPI durante 600 horas, antes de novas simulações na INCATEP e provas práticas com os melhores operadores da empresa. E, na sequência, mais 200 horas de operação assistida.
E aí, voltamos, com Carla Carolina dos Reis Anceles, Operadora de Guindastes III, a 1 de julho de 2026: “É gratificante ser reconhecida pelo meu gestor, pelo presidente da empresa que eu trabalho, pela INCATEP. Este reconhecimento me motiva a continuar buscando crescimento, oferecendo sempre o melhor e enfrentando novos desafios com responsabilidade, compromisso e segurança. Eu sou muito agradecida a todos que estavam comigo nessa caminhada e profissionalmente realizada”.
EFICIÊNCIA PORTUÁRIA COM GUINDASTES MÓVEIS
Os guindastes móveis portuários Liebherr LHM 280 e LHM 420 estão entre os equipamentos mais utilizados em portos e terminais multimodais pela alta produtividade, flexibilidade operacional e eficiência energética. O LHM 280 é indicado para terminais de pequeno e médio porte, atuando na movimentação de granéis, carga geral e contêineres, com capacidade superior a 600 toneladas por hora, conforme a aplicação. Já o LHM 420 atende operações de maior porte, alcançando produtividade acima de 1.100 toneladas por hora em granéis, graças ao maior alcance da lança, elevada capacidade de içamento e sistemas eletrônicos de controle.
Ambos podem operar com grabs, ganchos e spreaders, adaptando-se a diferentes tipos de carga. Equipados com motores de baixo consumo, monitoramento remoto e recursos de automação, proporcionam alta disponibilidade operacional, redução de custos logísticos e maior segurança.
Outro destaque do segmento é a linha Gottwald Mobile Harbor Cranes (MHC), atualmente pertencente à Konecranes. Dependendo da configuração e do implemento utilizado, esses equipamentos também ultrapassam 1.000 toneladas por hora na movimentação de granéis, sendo amplamente empregados em terminais de fertilizantes, carvão e minério.
INCATEP: CAPACITAÇÃO E CERTIFICAÇÃO PROFISSIONAL
O INCATEP (Instituto de Capacitação Técnica Profissional) é especializado na formação de profissionais para os setores portuário, marítimo, offshore, logística e movimentação de cargas. Credenciado pela Diretoria de Portos e Costas (DPC) da Marinha do Brasil, está autorizado a ministrar cursos do Ensino Profissional Marítimo (EPM), conforme a NORMAM-103, em todo o território nacional até dezembro de 2028.
Na área de operação de guindastes, oferece cursos alinhados aos programas oficiais da Marinha (PREPOM), voltados à qualificação de operadores de equipamentos utilizados em portos e terminais. Entre os principais treinamentos estão Guindaste Portuário Móvel (MHC/LHM/GMK), Guindaste de Bordo (Jib Board Crane Operator), Ponte Rolante de Bordo (Gantry Board Crane Operator) e Guindaste Portuário de Pórtico para Celulose. Além da capacitação, o instituto mantém um programa próprio de certificação profissional nos níveis Operacional, Pleno e Sênior, estruturado com base nos princípios da norma ISO/IEC 17024 para certificação de pessoas.



