MULTILOG COMPLETA 30 ANOS E AMPLIA OPERAÇÕES

MULTILOG COMPLETA 30 ANOS E AMPLIA OPERAÇÕES

A Multilog chega aos 30 anos de história em um novo ciclo de expansão. A empresa, que nasceu em Itajaí (SC) com uma operação regional e se transformou em uma das principais plataformas de logística integrada do Brasil, prepara uma nova etapa de crescimento baseada em investimentos, ampliação de capacidade, tecnologia e desenvolvimento de soluções cada vez mais integradas para o comércio exterior.

Durante entrevista exclusiva, o CEO da Multilog, Djalma Vilela, destacou que a trajetória da companhia foi marcada pela capacidade de adaptação e pela construção de uma estrutura que hoje combina operações alfandegadas, centros de distribuição, transporte e projetos logísticos complexos.

“Começamos uma operação tímida, acanhada, pequena em Itajaí, onde tudo começou. Hoje estamos em cinco estados, 15 cidades, com 2.500 funcionários próprios e, considerando terceiros, chegamos a aproximadamente 10 mil pessoas envolvidas na operação. Só tenho a agradecer o compromisso, a confiança, a credibilidade e a reputação que construímos ao longo desses 30 anos. E que venham mais 30 anos”, afirmou.

Multilog Clia Joinville site
Multilog Clia Joinville (Divulgação: Multilog)

Atualmente, a Multilog possui 35 unidades distribuídas entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Bahia, sempre posicionadas próximas aos principais portos, aeroportos e corredores estratégicos de comércio exterior.

A empresa administra cerca de 2 milhões de metros quadrados de áreas operacionais, com aproximadamente 350 mil posições-pallet. Dentro do novo ciclo de investimentos, a companhia pretende ampliar essa capacidade em 30%. O faturamento alcançou R$ 1,5 bilhão em 2025 e a projeção é chegar a R$ 3 bilhões nos próximos anos.

“Estamos entrando em uma nova fase de crescimento orgânico. A gente entende que é possível dobrar a empresa só com esse crescimento. Já fizemos quatro aquisições no passado, que foram importantes para a nossa trajetória, mas agora o foco está na expansão da capacidade existente”, explicou Vilela.

Solução integrada para operações complexas e cargas projeto

A Multilog estrutura sua atuação em três unidades de negócio: operações alfandegadas, centros de distribuição e transportes. Apesar da divisão interna, a estratégia comercial é oferecer ao cliente uma solução única, integrando diferentes etapas da cadeia logística.

“É uma empresa única, mas dividida em três business units. O comercial vende uma solução única, que envolve alfandegado, centros de distribuição e transporte. Essa é a forma como vamos ao mercado”, afirmou Vilela.

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Dentro dessa estratégia, a companhia vem ampliando sua atuação em segmentos considerados estratégicos, entre eles o transporte de cargas projeto e operações envolvendo cargas sensíveis — aquelas que exigem planejamento, conhecimento técnico e um nível elevado de coordenação entre diferentes participantes da cadeia logística.

Segundo o executivo, essas operações demandam uma abordagem diferente da movimentação tradicional, pois envolvem equipamentos e componentes de grande porte, alto valor agregado ou destinados a projetos industriais específicos.

“Do ponto de vista de segmentação, elegemos alguns segmentos da economia para focar, dentre eles a carga projeto. Dentro do nosso quinteto de ataque, um deles é justamente aquilo que estamos falando: cargas sensíveis. São cargas que demandam muito mais inteligência na movimentação”, explicou.

Para Vilela, a participação da Multilog começa ainda na fase inicial dos projetos, antes mesmo da movimentação física das cargas, contribuindo para o desenho da operação logística.

“Desde o nascedouro do projeto, participamos junto aos grandes operadores justamente para fazer essa concepção, desenhar uma operação que seja competitiva e eficiente, porque estamos falando de cargas que demandam um cuidado muito diferenciado em relação a uma carga tradicional”, afirmou.

Entre os projetos que marcaram a trajetória da empresa, Vilela citou operações realizadas para a indústria de papel e celulose, em parceria com a Klabin e a Valmet, além da implantação logística da fábrica da BMW no Brasil.

O projeto da montadora alemã foi considerado um marco para a empresa. A Multilog participou de uma concorrência internacional realizada em Munique e foi escolhida como operador logístico exclusivo da unidade brasileira.

“Trouxemos equipamentos e depois os próprios veículos antes da fábrica ficar pronta. Foram 40 mil unidades de peças estruturais, os chamados painted bodies, antes da estamparia da fábrica estar concluída. Foi um negócio realmente transformacional”, relembrou.

Multilog Armazém Geral Químico - Itajaí - SC
Multilog Armazém Geral Químico – Itajaí (SC) – Divulgação Multilog)

Uma empresa de infraestrutura para o comércio exterior

Na avaliação do CEO, a atuação da Multilog ultrapassa o conceito tradicional de operador logístico. A presença em áreas de fronteira e zonas secundárias coloca a empresa como parte da infraestrutura necessária para o funcionamento do comércio exterior brasileiro.

“Eu sempre digo que a Multilog é além de um operador logístico. Nós estamos em áreas de fronteira, áreas de segurança nacional. Então somos também uma empresa de infraestrutura”, afirmou.

Segundo Vilela, sete em cada dez caminhões que atravessam as fronteiras do Mercosul passam por unidades da Multilog. A companhia mantém operações em Uruguaiana, Santana do Livramento e Jaguarão, no Rio Grande do Sul; Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina; e Foz do Iguaçu, no Paraná.

“Essas cinco unidades têm um papel muito grande na conexão do Brasil com os países vizinhos. Por isso eu vejo a Multilog muito além do operador logístico, como uma infraestrutura importante para o desenvolvimento regional”, disse.

Foz do Iguaçu ganha papel estratégico

Entre os principais investimentos da nova fase está a expansão da operação em Foz do Iguaçu (PR), considerada estratégica pela proximidade com Paraguai e Argentina e pelo crescimento do comércio regional.

A empresa adquiriu uma nova área para implantação de um terminal próprio, em uma região próxima à futura Perimetral Leste. A unidade, segundo Vilela, será inaugurada em dezembro e terá capacidade para movimentar até 2 mil caminhões por dia. O projeto inclui ainda um terminal de contêineres de 25 mil metros quadrados, voltado principalmente para cargas de importação e exportação destinadas ao Paraguai.

“Hoje a carga que chega ao Paraguai entra principalmente por Montevidéu ou Buenos Aires. Se você deslocar essa carga para Paranaguá, o frete marítimo é praticamente o mesmo, mas no transporte rodoviário existe uma redução de aproximadamente 700 quilômetros. Isso representa uma diferença enorme”, explicou.

A aposta na região está diretamente ligada ao crescimento econômico do Paraguai. Segundo o executivo, aproximadamente 75% do volume movimentado pela unidade de Foz do Iguaçu já está relacionado ao país vizinho. “Estamos vendo o Paraguai como um potencial muito grande. Existe um governo muito pró-business e um movimento de atração de empresas que pode gerar novos fluxos logísticos”, afirmou.

Tecnologia e inteligência artificial na operação

A transformação digital também faz parte da estratégia da Multilog para os próximos anos. Segundo Vilela, a empresa vem utilizando ferramentas de inteligência artificial principalmente para substituir processos manuais, reduzir custos e aumentar a eficiência.

“Estamos trabalhando muito nas questões que eram muito manuais, nos procedimentos documentais e até operacionais. Esses agentes já vêm nos ajudando a tornar a estrutura mais leve, com redução de custos e, consequentemente, melhorar nossa competitividade na precificação”, afirmou.

Para o executivo, a tecnologia não elimina a necessidade de integração humana no setor logístico, mas amplia a capacidade de tomada de decisão. “Logística é colaboração, é co-criação. Você não vai ao mercado dizendo que vai fazer tudo sozinho. Em projetos complexos, é necessário sentar com agentes de carga, tradings, armadores e operadores logísticos para construir uma solução completa”, destacou.

Sustentabilidade e eletrificação

A agenda ESG também está entre os temas estratégicos da companhia. A Multilog prepara seu terceiro relatório de sustentabilidade e vem implementando iniciativas voltadas à redução de emissões e eficiência energética.

Segundo Vilela, mais de 90% dos equipamentos de movimentação utilizados nas unidades já são elétricos. “Nas nossas unidades, a maioria dos equipamentos de movimentação é elétrica. As empilhadeiras deixaram de utilizar combustão há mais de dez anos”, afirmou.

O transporte rodoviário continua sendo um dos maiores desafios, segundo o executivo, devido às limitações atuais de autonomia e infraestrutura para veículos alternativos. “A gente tem feito esforços para melhorar o CO₂. Fomos para o GNV, avaliamos outras alternativas, mas o transporte ainda é um vetor mais desafiador”, explicou.

Brasil tem desafios, mas grandes oportunidades

Ao analisar o cenário econômico e logístico brasileiro, Djalma Vilela mantém uma visão positiva sobre o futuro do país.“Eu prefiro sempre olhar o copo cheio. O Brasil é cheio de desafios, mas cheio de oportunidades também”, afirmou. Para o executivo, investimentos em infraestrutura, concessões e modernização portuária criam novas oportunidades para operadores logísticos.

“Não adianta ter um grande terminal sem acesso. Estamos falando de bilhões em investimentos e precisamos olhar toda a cadeia, desde o porto até a retaguarda logística”, destacou.

Na visão do CEO, a Multilog continuará atuando como elo entre infraestrutura, comércio exterior e indústria. “Temos um país continental, com consumo, capacidade produtiva e muito espaço para crescer. Apesar das adversidades, o Brasil ainda tem muitas oportunidades”, concluiu.

Operadores logísticos defendem integração entre modais

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Fórum Santos Export 2026 (Foto: Fernanda Luz)

Os desafios de infraestrutura para garantir a fluidez da cadeia logística estiveram entre os principais debates do Fórum Santos Export 2026, realizado dias 28 e 29 de maio,  no Guarujá (SP). Representantes de operadores logísticos, terminais portuários e entidades setoriais destacaram que a expansão da capacidade portuária precisa avançar acompanhada de melhorias nos acessos e na integração entre diferentes modais de transporte.

O presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL), Ricardo Buteri, reforçou que os acessos e a multimodalidade continuam sendo os principais desafios para o sistema logístico brasileiro.“Se eu tivesse que apontar um único gargalo, dificilmente qualquer operador, seja portuário ou de zona secundária, deixaria de citar os acessos na multimodalidade. Os operadores logísticos precisam investir continuamente para compensar essa ineficiência e garantir que o nível de serviço de entrega atenda às expectativas dos consumidores”, afirmou.

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Ricardo-Buteri (Foto: Fernanda Luz)

Na avaliação de Buteri, o Porto de Santos continuará dependendo do transporte rodoviário, mas o avanço ferroviário será fundamental para preservar a competitividade do complexo.“O Porto de Santos não conseguirá ficar sem a movimentação por rodovias, mas o avanço da ferrovia é essencial para mantermos a competitividade e a pujança que temos hoje”, destacou.

O executivo também ressaltou que os operadores logísticos têm assumido uma responsabilidade crescente diante das limitações atuais da infraestrutura.“As companhias não podem parar esperando decisões regulatórias ou perspectivas de uma nova zona primária, porque o sistema está, de fato, sobrecarregado. Isso traz uma responsabilidade maior, pois a carga não vem até a área portuária para tirar o seu contêiner; ela contrata operadores”, afirmou.

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