Por: Jeferson Leonardo Pereira (*)
No setor de movimentação de cargas, a segurança operacional está diretamente ligada à conformidade dos equipamentos utilizados. Entre esses, as cintas têxteis de poliéster se destacam pela leveza, flexibilidade e alta resistência. No entanto, a crescente comercialização de cintas brancas, fora do padrão de cores estabelecido pelas normas ABNT NBR 15637-1 e NBR 15637-2, acende um sinal de alerta para fabricantes, profissionais da área e gestores.
Norma Técnica e Padrão de Cores
As normas ABNT NBR 15637-1 e 15637-2 definem os requisitos para cintas planas e tubulares, incluindo o sistema de cores que identifica a capacidade nominal de carga. Esse padrão facilita a inspeção visual e a aplicação do fator de segurança em 7:1.
As cintas brancas não fazem parte desse padrão. A norma permite o uso de cores alternativas apenas para cintas de uso único (“one way”), que devem ser claramente identificadas, não reutilizadas e descartadas após o uso, e este produto tem o fator de segurança duvidoso.
Riscos da Comercialização Indevida
Tem sido comum encontrar no mercado cintas brancas sendo vendidas como produtos de uso geral, muitas vezes com etiquetas que indicam conformidade com a ABNT NBR 15637 ou, em outros casos, como cintas não normatizadas. Essa prática configura não conformidade, conforme o Código de Defesa do Consumidor e o Decreto nº 2.181/97, que classificam como infração a oferta de produtos em desacordo com normas técnicas, especialmente quando há risco à segurança.
“IX – Colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço:
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em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – Conmetro;
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que acarrete riscos à saúde ou à segurança dos consumidores e sem informações ostensivas e adequadas, inclusive no caso de oferta ou de aquisição de produto ou serviço por meio de provedor de aplicação;
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em desacordo com as indicações constantes do recipiente, da embalagem, da rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza;”
A padronização de cores nas cintas têxteis não é uma questão estética, é um recurso técnico essencial para garantir a segurança nas operações de içamento. O uso indevido de cintas brancas representa um vício operacional que pode ser evitado por meio de orientação aos compradores e responsabilização dos fabricantes que colocam esses produtos no mercado.


