A MORTE LENTA DOS SOQUETES DE CABO DE AÇO

A MORTE LENTA DOS SOQUETES DE CABO DE AÇO

Por Camilo Filho (*)

A maioria dos cabos de aço que se movimentam nos sistemas de carga e lança dos guindastes tem seu ancoramento através de um acessório denominado soquete, ou “ wedge socket” em inglês. Esse acessório, possui uma das partes em forma de cone (fêmea) e a outra em forma de cunha trabalhando como macho. A terminação do cabo é feita dando-se uma volta em torno da cunha, a qual é inserida no cone fêmea.

Devido ao fato de termos o cone macho/fêmea, o soquete, quanto mais é tracionado pelo lado vivo do cabo, mais ele se ajusta, travando o próprio cabo. O problema é que, quando temos um alívio repentino, a força no cabo é em sentido inverso e isso pode fazer com que a cunha se desloque.

Quando o guincho recomeçar então a tracionar, o cabo volta a empurrar a cunha para o cone, porém nessa condição o cabo pode deslocar-se um pouco em relação a posição anterior.

Se isso acontece várias vezes, devido ao tipo de trabalho que o guindaste está realizando, mesmo que o deslocamento seja de alguns milímetros, um dia o cabo escapará do terminal. De modo a prevenir que isto ocorra, é uma boa prática colocar um clipe no final do lado morto do cabo.

O problema é que a altura dos clipes para cabo de aço é dimensionada para dois cabos, dificultando, assim, quando tentamos colocá-lo em um cabo apenas.

Como resultado, as terminações do lado morto do cabo são algumas vezes:

  • Clipadas:

com uma volta sobre elas mesmas
numa extensão da própria cunha (patente da Crosby)
com um pedaço de cabo sobre o lado morto
usando um clipe normal conectando o lado vivo com o morto

  • Ou o lado morto do cabo é simplesmente deixado solto

Os padrões norte-americanos e europeus sugerem que clipar o lado morto do cabo com o lado vivo não é uma boa prática. Segundo estas normas, a maneira correta é dar uma volta na parte morta e clipá-la sobre ela mesma, ou clipar a parte morta usando um pedaço de cabo para preenchimento do clipe.

Alguns fabricantes de guindastes da Ásia, costumam usar um clipe normal conectando o lado vivo com o morto, porém, no meu modo de ver, existem dois problemas nessa metodologia:

Desalinhamento e tensionamento

soquetes de aco
Fig.1 Clipe normal conectando o lado vivo com o morto

1- O lado vivo do cabo, o qual está sob carga, começa a reduzir seu diâmetro devido à força que está sendo nele aplicada. O lado morto, no entanto, não sente essa força e não tem essa redução de diâmetro. Conforme o lado vivo se move em relação ao lado morto, ele começa a puxar a sela do clipe. Isto causa um desalinhamento. O que faz com que ambos os cabos se dobrem ou travem. Criando um aumento de tensão e reduzindo a capacidade do lado vivo.

2- Também existe a possibilidade de que o lado morto comece a ser tensionado, uma vez que está preso ao lado vivo. A força no cabo vai procurar o caminho mais curto. Qualquer que seja um dos dois lados, o vivo ou o morto, essa é a direção que a força vai tomar e isso significa que a força no cabo vivo vai passar através do clipe e ir pelo lado morto (mais curto, no caso). Neste caso, a carga total do cabo vivo estará aplicada neste clipe, o que é extremamente indesejável.

Engate rápido: seguro e à prova de erros

Na verdade, quando ambos os cabos estão clipados, é difícil garantir que o cabo morto estará sempre com um comprimento maior do que o cabo vivo. Ainda nesse caso, há o risco do cabo vivo ser conectado com o morto de maneira errada, usando o clipe invertido (a sela no morto e o “U” no lado vivo).

terminacao do caboFig.2. Atualmente é muito comum encontrarmos nos guindastes a terminação do cabo com um engate rápido. Esse método é seguro, e ainda possui a vantagem de ser à prova de erros.

 

 

 

 

patente crosby
Patente Crosby

 

 

 

 

cabo morto
Cabo morto, simplesmente solto

 

 

 

cunha invertida
Cunha invertida

 

 

 

 

 

 

soquetes
Quais letras estão corretas?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(*) Camilo Filho é engenheiro mecânico, especialista em içamentos pesados, com 38 anos de experiência em operações com guindastes e movimentação de carga. Com vários cursos na área feitos no exterior, é responsável por vários trabalhos de grande envergadura no Brasil e no exterior. Atualmente é consultor da IPS – Engenharia de Rigging, é também membro da ACRP (Association of Crane & Rigging Professionals-USA).

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