A 19ª Conferência de Tarifas – Reforma Tributária e Atualizações do Piso Mínimo de Frete reuniu, dia 17 de março, em São Paulo, lideranças do transporte rodoviário de cargas para debater os principais desafios do setor, em um cenário marcado por alta de custos, mudanças tributárias e incertezas econômicas.
Promovido pelo SETCESP em parceria com o IPTC, o evento destacou a crescente pressão sobre as operações, especialmente diante da elevação do diesel, aumento do roubo de cargas e instabilidade regulatória. Na abertura, o presidente do Conselho Superior e de Administração do SETCESP, Marcelo Rodrigues, ressaltou que o ambiente atual exige monitoramento constante de custos e revisão contínua de contratos para garantir a sustentabilidade das empresas.
A presidente-executiva da entidade, Ana Jarrouge, enfatizou o papel estratégico da conferência ao traduzir temas técnicos em orientações práticas para o dia a dia das transportadoras. Segundo ela, a velocidade das mudanças, especialmente após reajustes recentes no combustível, exige respostas rápidas e maior capacidade de adaptação.
Um dos principais pontos abordados foi a defasagem do frete, atualmente estimada em 10,1% abaixo do custo real, conforme dados da NTC&Logística. O cenário compromete a rentabilidade das empresas e dificulta a recuperação de perdas acumuladas, agravada pela recente alta nos preços do diesel.
A reforma tributária também esteve no centro dos debates. Especialistas destacaram que o novo modelo, com a criação de tributos como IBS e CBS, exigirá mudanças estruturais nas operações, incluindo a separação dos impostos no documento fiscal e a revisão de contratos e sistemas internos.
Além disso, foi ressaltado o risco de perda de créditos tributários caso fornecedores não cumpram corretamente suas obrigações fiscais, o que amplia a necessidade de controle sobre toda a cadeia de prestação de serviços.
Outro ponto de atenção foi o impacto no fluxo de caixa das empresas, já que o novo modelo pode alterar a dinâmica de recebimentos. Por outro lado, a mudança na tributação para o destino pode favorecer estados com maior consumo, como São Paulo, influenciando decisões logísticas.
A insegurança regulatória foi apontada como um dos principais entraves ao planejamento empresarial. Diante disso, especialistas reforçaram a importância de governança tributária, revisão de processos e tomada de decisão baseada em dados.
Como encaminhamento, o evento destacou a necessidade de adaptação rápida das transportadoras a um ambiente mais complexo, com foco em eficiência operacional e sustentabilidade financeira nos próximos anos.
