Por: Fernando Barcelos Biskupski e Tássio Henrique Santos Costa (*)
No coração pulsante de Minas Gerais, estado forjado na história da mineração, a engenharia de precisão em movimentação de cargas foi posta à prova em um desafio monumental. Este território, que há séculos define a identidade mineral do Brasil, foi o cenário para uma operação de manutenção crítica. Uma grande mineradora, pilar da economia nacional, precisava realizar uma parada de manutenção em um de seus ativos mais estratégico, o espessador de minério de ferro.
Esse equipamento, que não tem como passar despercebido aos olhos pela sua magnitude, é um gigante de 100 metros de diâmetro e 14 metros de profundidade, uma verdadeira obra da engenharia industrial. Ele é a espinha dorsal do processo de beneficiamento do minério de ferro, onde a polpa de minério é separada da água por sedimentação. Com o equipamento tendo dificuldades operacionais, a intervenção era inevitável. A solução não exigia apenas técnica, mas velocidade e, acima de tudo, uma segurança impecável, para restaurar a eficiência de um sistema vital para toda a cadeia de produção.
A missão de restaurar a vitalidade do equipamento foi confiada à Bolbi, uma empresa com mais de sete décadas de tradição em projetos de engenharia complexos no território nacional. Com um histórico de atuação em grandes indústrias, a Bolbi aceitou o desafio de atuar em um ambiente de alta complexidade. A parada de manutenção era mais do que uma simples troca de peças, era um resgate tecnológico que devolveria o equipamento à sua capacidade operacional.
Para enfrentar o desafio de manutenção do espessador, a Bolbi desenvolveu uma estratégia à altura. Com participação de toda a equipe de projetos, a empresa elaborou um plano meticuloso para viabilizar a complexa operação. A base da solução era o uso de torres treliçadas de sustentação, estruturas projetadas para suportar grandes cargas. A grande sacada de engenharia estava em seu design. Essas torres foram equipadas com um chassi de base articulada, uma solução engenhosa que permitia o ajuste à inclinação irregular do piso do tanque do espessador. Essa funcionalidade era uma das premissas, pois as variações do terreno representavam uma interferência crítica à estabilidade, um obstáculo que precisava ser superado para garantir um escoramento seguro e eficaz.
Para a delicada operação de elevação e posicionamento, a equipe empregou pórticos hidráulicos pinados no topo da cada coluna das torres treliçadas, cada um com uma capacidade de 100 toneladas. A característica mais notável desses pórticos, no entanto, era a sua autonomia, eles podiam atuar de forma independente, o que permitia que a equipe compensasse as irregularidades do piso e ajustasse a sustentação com precisão. Essa tecnologia não só garantiu um controle total do processo, mas culminou em um escoramento mecânico e seguro por meio de um sistema de pinos. Para contrabalançar as forças da natureza, como as cargas de vento, e conter as variações da estrutura, as torres, que chegavam a mais de 18 metros de altura, foram estrategicamente estaiadas para garantir a sustentação completa da passarela, um verdadeiro exemplo da engenharia de precisão em ação.
Uma das aplicações mais notáveis deste projeto, e que merece destaque, foi a completa ausência de soldas para a conexão entre o sistema de escoramento da Bolbi e o espessador. Essa decisão estratégica, que se tornou um diferencial, tinha como objetivo principal a redução de riscos e a otimização de todo o cronograma. A eliminação da solda não apenas dispensou o ensaio de análise de solda em campo, mas também simplificou drasticamente a montagem e desmontagem, tornando o processo mais rápida e segura impactando na redução de custos e recursos.
Em vez da solda, a equipe da Bolbi implementou um sistema de conexões engenhoso e altamente eficaz, a junção das torres de sustentação para o espessador foi realizada de forma robusta e segura através do uso de lamelas metálicas e pinos. Essa abordagem não se limitou apenas à essa interface, pois a montagem dos elementos treliçados das torres foi feita exclusivamente por parafusos. Essa decisão de engenharia permitiu a pré- montagem de grandes seções do sistema de escoramento, otimizando e acelerando significativamente o processo de instalação em campo.
O trabalho, meticulosamente planejado, foi dividido em duas fases estratégicas. Sendo a primeira etapa concentrou-se no escoramento do espessador na passarela. Esse passo foi crucial, pois a estabilidade era a chave para permitir o acesso seguro e a subsequente substituição dos componentes essenciais. Com as torres treliçadas e os pórticos hidráulicos em posição, a estrutura foi escorada com perfeição, criando uma plataforma segura para as operações que se seguiriam.
Com a passarela estabilizada, possibilitou o início da segunda fase, sendo tão delicada e vital do projeto quanto a outra, o escoramento da gaiola central de torque do espessador. A precisão, nesse momento, não era apenas um requisito, mas a palavra de ordem. Que é um componente importante, agindo como o elo de ligação entre a mesa de giro do equipamento e os raspadores do tanque. Sua função é crítica, e qualquer desalinhamento ou falha em sua sustentação poderia comprometer toda a operação.
Para essa fase crítica, a solução implementada foi a prova de que a engenharia de ponta e a experiência prática puderam convergir em uma junção perfeita. A equipe da Bolbi não se limitou a uma única tecnologia, optou por uma fusão inteligente de equipamentos. A implantação de cilindros hidráulicos de alteamento e dos inovadores cilindros hidráulicos Anstal Escalador foi a junção ideal para viabilizar a sustentação e o ajuste preciso que o cenário demandava. Essa combinação não só ofereceu a força necessária para suportar as cargas elevadas da estrutura, mas também a flexibilidade para lidar com as complexidades inerentes a um equipamento de grande escala. A capacidade de realizar ajustes em campo foi o que garantiu a sustentação precisa e o ajuste fino da gaiola central de torque, permitindo que a sua substituição e a subsequente instalação fossem bem-sucedidas.
O sucesso deste projeto não foi apenas a substituição de peças, mas a restauração completa da operacionalidade e da segurança de um ativo estratégico. A história do escoramento do espessador de minério de ferro entra para a história com um novo repertorio escrito pela Bolbi, um verdadeiro exemplo da excelência da engenharia brasileira, que, ao combinar décadas de experiência, inovação tecnológica e um planejamento impecável, é capaz de superar os desafios mais monumentais, garantindo um trabalho mais eficiente, rápida e limpa.




