Por Leonardo Roncetti (*)
Os guindastes offshore sobre pedestal com lança articulada (knuckle boom) começaram a ser utilizados na área offshore no início da década de 1980, com fabricantes experientes em guindastes terrestres, oferecendo modelos para operar em plataformas e navios sonda.
A partir daí, a evolução tecnológica foi rápida e contínua, impulsionada pela adoção de compensadores ativos de movimento (AHC) em meados da década de 1980. Na década de 1990, com o aumento do porte dos navios-sonda e navios de construção offshore, fabricantes holandeses e noruegueses disseminaram os guindastes de lança articulada.
Nas décadas de 2000 a 2020, um salto tecnológico marca o setor, com computadores de controle de operação, uso de cabos sintéticos, operação em grandes profundidades, normalmente 3000 metros (podendo chegar a 5000 metros) e eletrificação total. Também, nesse intervalo, este tipo de guindaste passou a ser utilizado em plataformas de produção, notadamente nos FPSO.
Na década atual, a pesquisa e desenvolvimento inclui a operação remota e o guindaste totalmente autônomo.
O guindaste é caracterizado por ter duas lanças articuladas, sendo a maior a lança principal (main boom) e a menor, a lança secundária (knuckle jib), acionadas através de cilindros hidráulicos. A lança secundária tem uma extensão fixa para uso de um moitão auxiliar de menor capacidade.
Quando o guindaste possui AHC, o guincho principal pode ficar no topo da estrutura, próxima da lança principal ou abaixo do convés principal.
- Vantagens:
- Ocupa menor espaço quando recolhido no berço.
- Necessita de menor área para operação no convés.
- Maior precisão no controle de movimentos da carga.
- Maior rigidez do conjunto das lanças.
- Operação com raios menores que os guindastes com lança treliçada.
- Maior facilidade de implementações tecnológicas (AHC, operação remota, automação etc.)
- Desvantagens:
- Menor raio de operação comparado às lanças treliçadas.
- Maior peso próprio da lança.
- Alturas de içamento menores que lanças treliçadas.
- Diminuição da estabilidade da embarcação com alturas de lança maiores ou raios menores.
- Maior quantidade de componentes hidráulicos.
Atualmente, uma grande aplicação desses guindastes é o içamento submarino (subsea) para instalação e remoção de equipamentos, dutos e mineração, com forte tendência de aumento de uso não só pela demanda de serviços offshore mas pelas vantagens e ganhos tecnológicos potenciais.
Foto: Leonardo Roncetti
- Glossário
- AHC: active heave compensator, compensador ativo de afundamento, que diminui o movimento da carga submersa independentemente do movimento vertical da embarcação.
- FPSO: floating, production, storage and offloading, plataforma flutuante de produção, armazenamento e transferência, em formato de navio, ancorada no leito marinho.
(*) Leonardo Roncetti, engenheiro, é doutorando em içamento offshore pela COPPE-UFRJ, mestre em estruturas offshore pela COPPE-UFRJ, e diretor da TechCon Engenharia e Consultoria. Contatos: leonardo@techcon.eng.br
