Claro que o ano de 2025 começa com sinalizações preocupantes. Internamente, com juros altos e insegurança quanto à macroeconomia; externamente, com a instabilidade nos mercados globais, provocada pelo modo Donald Trump de governar. Tanto em um caso como outro, não há o que fazer, senão aguardar, para avaliar suas consequências no ambiente de negócios no Brasil. Um ambiente que, sem dúvida, tem se mantido muito bom nos últimos anos, com grandes projetos de infraestrutura e nos vários segmentos da indústria em plena execução. E, olhando-se um pouco mais adiante, é possível vislumbrar perspectivas bastante promissoras de investimentos em setores chaves da economia, com grande demanda de serviços de movimentação de cargas.
Isso se deve a um planejamento plurianual definido nos últimos anos e que vem sendo cumprido, independente do governo de plantão na órbita federal e, também, em menor escala, nos principais estados do país. Pode-se citar o Novo PAC (Programa de Aceleração do Desenvolvimento), que é apenas um rótulo, um nome dado pelo governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva a projetos que, em grande parte, já haviam sido definidos anteriormente.
O mais importante, no entanto, talvez seja o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), criado em 2016, no Governo de Michel Temer, com o objetivo de orientar o poder executivo, inclusive de estados e municípios, sobre as prioridades e as oportunidades de parcerias com a iniciativa privada e outras medidas de desestatização – dando origem aos programas de concessões, que vêm sendo executados com grande sucesso nos últimos anos.
Isso ocorre sobretudo nos projetos de infraestrutura, que atendem a setores com vocação exportadora – como o agronegócio, a mineração, siderurgia, óleo e gás e a indústria de papel e celulose, por exemplo – que precisam de energia e de uma logística adequada, com portos, ferrovias e rodovias eficientes para escoamento de seus produtos. Setores que individualmente também mantém arrojados programas de investimentos, igualmente plurianuais.
TERMINAIS PORTUÁRIOS: INVESTIMENTOS E NOVAS CONCESSÕES

No ano passado, contratos de adesão para instalação de Terminais de Uso Privado (TUPs), assinados com o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), têm uma expectativa de investimentos de R$ 5,4 bilhões. Em 2024, foram concedidas oito áreas portuárias em três diferentes regiões brasileiras, com destaque para o arrendamento do terminal localizado no porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, cujo valor de investimento ultrapassou R$ 3,5 bilhões – o maior já realizado no setor. Também foram arrendados o terminal MAC16, no porto de Maceió (AL), com previsão de investimentos de R$ 6,18 milhões, e outro no Porto de Santana (AP), o MCP03, que receberá investimentos de R$ 88,89 milhões.
Para 2025, o Ministério de Portos e Aeroportos prevê a concessão de 21 empreendimentos portuários em quatro regiões do país. No total, essas áreas licitadas devem receber quase R$ 9 bilhões em investimentos. No primeiro trimestre irão a leilão o terminal STS08, no Porto de Santos (SP), o PAR14, PAR15 e o PAR25, no Porto de Paranaguá (PR), e o RDJ10 e RDJ11, no Porto do Rio de Janeiro (RJ). Cabe destacar que o PAR14 é um dos projetos mais relevantes da carteira de arrendamentos portuários do país, com investimentos estimados na ordem de R$ 1 bilhão. No caso do RDJ10 e RDJ11, as licitações vão garantir R$ 39,57 milhões em investimentos diretos para o porto.
No segundo trimestre, devem passar para a iniciativa privada o terminal STS33, no Porto de Santos (SP), o MUC04, no Porto de Fortaleza (CE) e o Porto de Santana (AP). E, no terceiro, o terminal VDC29, no Porto de Vila do Conde (PA), o RDJ07, no Porto do Rio de Janeiro (RJ), e o POA26, no Porto de Porto Alegre (RS). A concessão do novo megaterminal de contêineres do Porto de Santos (SP), o Tecon Santos 10, passará por audiência pública no dia 20 de fevereiro. A estimativa de investimentos é da ordem de R$ 4,5 bilhões,
Nesse mesmo porto, a Autoridade Portuária de Santos (APS) planeja quatro condomínios logísticos retroportuários nas cidades de Guarujá, São Vicente, Santos e Cubatão, que somam 719 mil m², com capacidade para regular acesso e abrigar 2.820 caminhões. A área já faz parte da Poligonal do Porto Organizado e sua destinação e preparação para o empreendimento foi autorizada pela Portaria 541 do Governo Federal, datada de 10 de junho de 2022.
Outros projetos estão em curso no país. O BNDES aprovou R$ 246 milhões em garantias para investimentos da CS Infra nos terminais do Porto de Aratu (BA). E também R$ 373,46 milhões para reconstrução do Terminal Marítimo Luiz Fogliatto (Termasa), no Porto de Rio Grande (RS) seriamente avariado em razão das fortes chuvas que atingiram o estado no ano passado. Outro projeto de grande porte em execução é o chamado Moegão, no Porto de Paranaguá, com investimento superior a R$ 600 milhões. O novo sistema permitirá a descarga simultânea de três vagões por linha, em um total de 180 vagões carregados de soja, milho e farelos. 23% do projeto já está concluído. Em fevereiro teve início o içamento das galerias do complexo e, no segundo semestre, será feita a instalação dos equipamentos do sistema eletromecânico. A conclusão está prevista para dezembro.

Perto de completar 10 anos de atividades, o Terminal Multicargas (T-MULT) do Porto do Açu, no Rio de Janeiro, alcançou no começo de 2025 a marca histórica de 10 milhões de toneladas movimentadas desde o início da operação. “Estamos investindo na expansão do terminal para atender a sempre crescente demanda. Ao todo já foram aportados cerca de R$ 600 milhões no T-MULT, que hoje conta com três armazéns cobertos e 55 clientes em seu portfólio. E ainda estamos no início”, diz João Braz, diretor de Terminais e Logística do Porto do Açu.
RODOVIAS: 31 LICITAÇÕES E OTIMIZAÇÕES DE CONTRATOS
Estão previstas em 2025 nada menos do que 31 licitações que poderão repassar à iniciativa privada cerca de 14 mil km de novas rodovias, com investimento contratado de cerca de R$ 180 bilhões durante a vigência das concessões. O Ministério dos Transportes anunciou 15 leilões – incluindo dois lotes no Paraná e a Rota da Celulose, no Mato Grosso do Sul, que não encontraram interessados, no ano passado.
Além de três otimizações de contratos já aprovadas em 2024 pelo TCU (Tribunal de Contas da União).
Além dos leilões previstos, o pipeline de concessões para 2025 traz ainda 11 novos editais como o da BR-116/BA/PE, ligando Feira de Santana (BA) a Salgueiro (PE), e os Lotes 4 e 5 das Rodovias Integradas do Paraná. Diversos estados participarão desse processo de privatização rodoviária.
A começar pelo Estado de São Paulo, que definiu três novos leilões (Lote Paranapanema, Rota Mogiana e Circuito das Águas). Minas Gerais conta com cinco projetos anunciados para 2025 (Vetor Norte, Lote Ouro Preto-Mariana, Lote Zona da Mata, Lote Noroeste e Lote Quadrilátero Ferrífero). Mato Grosso, em um mesmo dia, licitará seis blocos de rodovias. E o Rio Grande do Sul pretende levar adiante a licitação de dois outros lotes do seu programa, o Bloco 2 e o Bloco 1.
É importante notar que, por mais ambicioso que pareça esse cenário, muitas ações já tiveram início durante o mês de janeiro. A começar pela assinatura do contrato de concessão da chamada Rodovia da Morte, a BR-381/MG, que oficializou o resultado do leilão realizado em setembro de 2024, vencido pela 4UM Investimentos em Infraestrutura de Responsabilidade Ltda (Concessionária Nova 381), que se comprometeu a investir R$ 9,34 bilhões de investimentos na rodovia ao longo do trecho de cerca de 300 km entre Belo Horizonte e Governador Valadares.
Duas novidades foram anunciadas em Mato Grosso do Sul no início deste ano. A BR-163/MS é a primeira a ter o edital de otimização publicado. Com 847,9 quilômetros de extensão, o trecho foi leiloado para a empresa MSVIA em 2014, mas o contrato estava defasado, com um desempenho abaixo do esperado. Agora, as novas regras visam reiniciar a concessão e devem impulsionar investimentos, com a injeção de R$ 17,32 bilhões em obras. O leilão está marcado para 22 de maio.

Também para maio (ainda no dia 5) está agendado o leilão na B3, em São Paulo, da concessão da Rota da Celulose, composta por trechos das rodovias federais BR-262 e BR-267, e das estaduais MS-040, MS-338 e MS-395. Com cerca de R$ 10 bilhões de investimentos previsto, o projeto prevê a duplicação de 115 km de rodovias, a construção de 457 km de acostamentos e 245 km de terceiras faixas, além de 12 km de vias marginais. Também serão implantados 38 km de contornos urbanos, 25 acessos, 22 passagens de fauna e 20 alargamentos de pontes. Também estão contempladas obras de arte especiais totalizando 3.780 m².
O Estado do Paraná também foi contemplado com a confirmação de um financiamento de R$ 6,38 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com 604,2 quilômetros de extensão, o Lote 2 compreende trechos das rodovias federais BR-153, BR-277 e BR-369, além de diversas rodovias estaduais. O trecho, operado pela concessionária EPR Litoral Pioneiro, , faz parte do Novo PAC e integra o programa federal de concessão rodoviária PR Vias.
FERROVIAS: R$ 10 BILHÕES COM RENOVAÇÃO DE CONTRATOS
O anúncio oficial do Plano Nacional de Ferrovias do governo está marcado para acontecer em ainda fevereiro. No Novo PAC, o Governo Federal projeta investimentos de R$ 94,2 bilhões em ferrovias. Executivos de entidades do setor, no entanto, trabalham com previsões mais modestas, embora significativas (R$ 16,7 bilhões). O que é dado como certo é um aporte de cerca de R$ 10 bilhões, com base nas renovações de contratos de concessão da Rumo Malha Paulista, Vale (EFC e EFVM) e MRS.
A conta fecharia com a sequência das obras da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), que conectará Goiás e Mato Grosso, com investimentos de R$ 2,5 bilhões para o próximo ano, e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), com previsão de R$ 835,5 milhões,” explicou o diretor. Outras iniciativas incluem a extensão da Malha Norte, ligando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, com investimentos de R$ 6 bilhões, e a construção da Transnordestina, que mobilizará R$ 7,9 bilhões.
Pode-se somar o financiamento de R$ 500 milhões do BNDES para a VLI Multimodal S.A. investir na modernização da via permanente e do material rodante e construção de pátios da Ferrovia Centro-Atlântica S.A (FCA). Ao todo, o projeto de investimento habilitado pela portaria do Ministério dos Transportes é estimado em R$ 3,9 bilhões.

A previsão de R$ 94,2 bilhões, que aparece no Novo PAC, e que pode ou não ser confirmada, refere-se aos investimentos em um plano de ferrovias, com cinco projetos, totalizando cinco mil quilômetros, em que a União entraria com 20 a 30% do total. O plano inclui a junção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), na Bahia, chegando em uma segunda fase em Lucas do Rio Verde (MT).
Outros projetos são: prolongamento da Ferrovia Norte-Sul até o porto de Vila do Conde (PA), o Anel Ferroviário do Sudeste, com 300 quilômetros, ligando Vitória (ES) a Itaboraí (RJ) – conectando a Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM), pertencente à Vale, à rede operada pela MRS Logística. Além de dois bastante desafiadores: a Transnordestina, com mais de 600 quilômetros de trilhos, até Estreito (MA), e a Ferrogrão, com 933 quilômetros de extensão, entre Sinop (MT) e Itaituba (PA).

ENERGIA: LINHAS DE TRANSMISSÃO E FONTES RENOVÁVEIS
O setor de energia elétrica brasileiro contará com R$ 7,6 bilhões em investimentos previstos para o período de 2025 a 2029. É o que aponta o plano operacional de médio prazo, que norteará o Sistema Interligado Nacional (SIN), divulgado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em dezembro de 2024. A medida integra o conjunto de ações do Ministério de Minas e Energia (MME) para os próximos anos, incluindo outras frentes de investimento no setor.
Do total previsto no plano, R$ 5,8 bilhões serão destinados apenas a novos empreendimentos. Além disso, o setor também contará com cerca de 1.260 Km de novas linhas de transmissão e 14.750 Megavoltampère (MVA) – potência aparente – de novos transformadores em subestações, tanto nas já existentes quanto em novas.
O documento do ONS também traz informações sobre a ampliação dos limites de intercâmbio entre os subsistemas. das regiões Norte/Nordeste para as regiões Sudeste/Centro-Oeste Sudeste/Centro-Oeste para o Sul, com aumentos de, respectivamente, 30 e 20 %. O que é um fator positivo para o maior aproveitamento da geração renovável não-hídrica disponível na região Nordeste.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai ter um intenso calendário de leilões nos próximos meses, com a previsão de contratação de energia nova e existente, sistemas isolados e linhas de transmissão. Serão cinco rodadas: quatro no primeiro semestre e um leilão de transmissão no segundo. Dois leilões em junho visam atender à demanda de pico: um para usinas térmicas e hidrelétricas e uma grande novidade: um inédito leilão de baterias e para o leilão de reserva de capacidade (LRCAP), que tinha previsão de ocorrer em 2024.
Segmento eólico – No segmento eólico, a boa notícia é a aprovação do Projeto de Lei 576/2021, que estabelece um marco legal para o desenvolvimento de empreendimentos de geração de energia eólica em alto mar no Brasil. Potencial existe e não faltam projetos cadastrados no IBAMA (97), somando 234 GW de potência instalada. Mas, antes de tudo, é preciso equacionar os problemas que inibiram os investimentos em novos parque eólicos – como a limitação nos intercâmbios entre regiões e sobreoferta de energia no país nos últimos anos. A instalação de novas usinas eólicas no Brasil (73 parques) somou 3,3 gigawatts (GW) de potência no ano passado, queda de 31,25% em relação ao registrado em 2023.
Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), a expectativa é de que a conjuntura desfavorável perdure até 2026. E, para tanto, a grande aposta é a expansão mais forte da carga de energia no Brasil motivada por crescimento econômico e novos “drivers” de demanda, como as indústrias de data centers e hidrogênio verde.
O BNDES anunciou em janeiro a liberação de financiamento para dois novos projetos de energia. O primeiro, de R$ 480 milhões, para as unidades industriais da Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA) ampliarem a produção de etanol e a geração de energia a partir da biomassa da cana-de-açúcar, e para modernização industrial e aquisição de equipamentos. O segundo, no valor de R$ 3,8 bilhões, para a Portocem Geração de Energia S.A. implantar uma usina termelétrica movida a gás natural, a UTE Portocem I, em Barcarena (PA). Obra do Novo PAC inclui linha de transmissão de 3,8 km que será conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Hidrogênio verde – Com a recente Lei nº 14.948/2024, o marco regulatório para a produção de hidrogênio de baixo carbono isso, o hidrogênio verde (H2V) deve ganhar destaque em 2025 como uma nova fronteira energética para o Brasil. Com a primeira planta de H2V já operando no país e contratos de exportação para a Alemanha, o país assume protagonismo na produção dessa fonte renovável.
A própria Petrobras anunciou, em outubro do ano passado, a construção de sua primeira planta-piloto de hidrogênio renovável. O projeto, na Usina Termelétrica do Vale do Açu, em Alto do Rodrigues, no Rio Grande do Norte, com orçamento total de R$ 90 milhões e execução a cargo da WEG, deve entrar em operação no primeiro trimestre de 2026.
A expectativa é que outros projetos sejam viabilizados em 2025. No Brasil, políticas de incentivo criaram R$ 18,3 bilhões em créditos fiscais e podem adicionar R$ 6 bilhões para hubs até 2035. A região também pode se beneficiar dos planos europeus de importação de hidrogênio, com a estatal alemã Hintco planejando leilões regionais de 3 bilhões de euros (R$ 16,5 bi).
MINERAÇÃO E SIDERURGIA: AVANÇO E DIVERSIFICAÇÃO
O setor mineral em 2024 teve um faturamento de R$ 270,8 bilhões (aumento de 9,1% em relação a 2023) e respondeu por 47% do saldo da balança comercial do Brasil. É uma performance que vem se repetindo nos últimos anos e comprova mais uma vez a estabilidade desse setor da economia. A perspectiva do IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração) é de manutenção desse cenário em 2025 e 2026.
Sobre os investimentos do setor mineral, as projeções do IBRAM, anunciadas no último dia 5 de fevereiro, foram incrementadas em cerca de US$ 4 bilhões do inicialmente previsto até 2029, somando US$ 68,4 bilhões. O minério de ferro é alvo do maior volume de recursos (28,7%): US$ 19,59 bilhões (+13,4%). O segundo maior volume se referre às projeções dos investimentos socioambientais, que saltaram de US$ 10,67 bilhões para US$ 11,33 bilhões (+6,2%). Em seguida estão os aportes em logística: US$ 10,9 bilhões (+5,2%). Minas Gerais, Pará e Bahia receberão o maior volume de investimentos em mineração: US$ 16,5 bilhões; US$ 13,48 bilhões; US$ 8,99 bilhões, respectivamente.
Formado por 31 usinas, administradas por 11 grupos empresariais, e representada pelo Instituto Aço Brasil o parque siderúrgico nacional assumiu em 2024 junto ao Governo Federal de investir no Brasil R$ 100,2 bilhões até 2028. A contrapartida foi o estabelecimento de cotas para 14 tipos de produtos de aço importados e sobretaxas para a comercialização de produtos abaixo do preço de custo. A partir daí, vários grupos do setor anunciaram individualmente seus programas de investimento de longo prazo. Talvez haja algum retrocesso em função das taxas de importação anunciadas pelos Estados Unidos, mas, até então, os investimentos estavam definidos.

A ArcelorMittal, maior produtora de aço no Brasil e líder global, anunciou então e já confirmou em fevereiro de 2025, o plano de investir aproximadamente de R$ 3,8 bilhões a R$ 4 bilhões na Unidade de Tubarão, localizada no Espírito Santo. O projeto de uma nova linha de laminação e outra de revestimento será um dos mais relevantes do Grupo e se soma ao plano estratégico da empresa no Brasil, que prevê investimentos totais de R$ 25 bilhões entre 2022 e 2028.
Já a Gerdau confirmou o investimento de R$ 7,5 bilhões no Brasil, sendo aproximadamente a metade desse valor em uma nova plataforma de mineração sustentável e o restante na otimização e modernização de plantas produtoras de aço no país. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), por sua vez, pretende investir cerca de R$ 3 bilhões, não exatamente no aço, mas em fábricas de cimento e calcário em Itaperuçu, no Paraná.
PAPEL E CELULOSE: AMPLIAÇÕES E NOVAS FÁBRICAS
A indústria de papel e celulose tem definido um programa de investimentos de R$ 105 bilhões até 2028, incluindo abertura de novas fábricas, ampliação de plantas já existentes e obras de infraestrutura logística para escoamento da produção, entre outras ações. O programa foi apresentado em agosto do ano passado presidente da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), Paulo Hartung, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, no Palácio do Planalto.
A IBÁ representa 47 empresas do setor e 10 entidades estaduais ligadas a produtos derivados dessa indústria – painéis de madeira, pisos laminados, celulose, papel, florestas energéticas e biomassa. No programa de investimentos, os maiores projetos – alguns já em execução – envolvem as empresas Arauco (R$ 25 bilhões), Suzano (R$ 22,2 bilhões), CMPC (R$ 25 bilhões), Bracell (R$ 25 bilhões) e Klabin (R$ 1,6 bilhões).
No caso da empresa chilena Arauco, o investimento de R$ 25 bilhões refere-se ao Projeto Sucuriú, em Inocência (MS). Trata-se da primeira fábrica de celulose da empresa no Brasil, com capacidade inicial, já em 2028, de 2,5 milhões de toneladas por ano, podendo dobrar até 2032. O projeto também prevê a geração de 400 Mw de energia limpa, garantindo autossuficiência energética. Concluído o preparo (terraplanagem) da área onde a fábrica será construída, a previsão é que as obras tenham início em 2025.
Já a Suzano está investindo, em Ribas do Rio Pardo (MS), R$ 15,9 bilhões na construção da fábrica e R$ 6,3 bi em iniciativas como formação da base de plantio e estrutura logística para escoamento da celulose. É o Projeto Cerrado. A fábrica terá capacidade inicial de 2,55 milhões de toneladas anuais de celulose de eucalipto, sendo a maior linha única de produção de celulose do mundo.
A multinacional chilena CMPC investirá R$ 25 bilhões na instalação de uma nova planta industrial de produção de celulose e de um terminal portuário, em Barra do Ribeiro (RS). A unidade do chamado Projeto Natureza terá capacidade anual de produção de 2,5 milhões de toneladas de celulose branqueada de eucalipto, utilizada para a fabricação de diferentes tipos de papéis, embalagens e produtos higiênicos, além de estar presente em itens como alimentos, medicamentos e cosméticos.
Maior produtora de papéis para embalagem e papelão ondulado do país, a Klabin está concluindo um investimento de R$ 1,6 bilhão no Projeto Figueira, em Piracicaba (SP). Enquanto a Eldorado Brasil tem planos para investir R$ 25 bilhões na construção da segunda linha de produção em Três Lagoas (MS) e de um ramal ferroviário escoar sua produção.
Depois do investimento do investimento de R$ 5 bilhões em uma fábrica de papéis para fins sanitários (papel tissue) ao lado de sua planta de celulose em Lençóis Paulista (SP), a Bracell (do Grupo empresa do grupo indonésio Royal Golden Eagle (RGE) está avançando com o projeto de uma fábrica de celulose em Água Clara, Mato Grosso do Sul, com um investimento de US$ 4 bilhões (aproximadamente R$ 25 bilhões). A unidade terá capacidade para produzir 2,8 milhões de toneladas de celulose por ano. E já é dado como certa a instalação de uma outra unidade em Bataguassu, no mesmo estado. Com o processo de licenciamento ambiental já em andamento, a previsão é que os estudos sejam concluídos até fevereiro de 2025, permitindo o avanço do projeto em Água Clara.

OIL E GÁS: PRÉ-SAL, MARGEM EQUATORIAL E REF.ABREU LIMA
No horizonte do Plano de Negócios 2025-2029 PN 2025-29, a Petrobras prevê investimentos de US$ 111 bilhões, sendo US$ 98 bilhões na Carteira de Projetos em Implantação e US$ 13 bilhões na Carteira de Projetos em Avaliação, composta por oportunidades com menor grau de maturidade e sujeitas a estudos adicionais de financiabilidade antes do início da execução.
Com investimentos totais de US$ 77,3 bilhões previstos para o quinquênio do Plano (5% superiores ao plano anterior), o segmento de Exploração e Produção (E&P) destina cerca de 60% para os ativos do pré-sal, consolidando uma grande fase de investimentos nessa província e reforçando seu diferencial competitivo, por meio de uma produção de petróleo de melhor qualidade, com baixos custos e menores emissões de gases de efeito estufa. Ao mesmo tempo, a companhia mantém grandes projetos de revitalização (REVITs), buscando aumentar os fatores de recuperação em campos maduros, especialmente na Bacia de Campos. Também iniciará o processo de exploração da Margem Equatorial, no litoral do Amapá.
Adicionalmente, há a retomada de atividades nos segmentos de Fertilizantes, com investimentos que totalizam, no quinquênio, US$ 900 milhões em projetos como a retomada da construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas (MS), e a reativação da fábrica de fertilizantes Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA), em Araucária (PR).
Os projetos de Gás Natural e Energia receberão investimentos totais de US$ 2,6 bilhões, mantendo as iniciativas previstas no plano anterior com foco na confiabilidade e disponibilidade dos seus ativos para assegurar a competitividade na operação e comercialização de gás e energia, além de incluir projetos para redução das emissões e iniciativas para a inserção de fontes renováveis.
O PN 2025-29 considera o desenvolvimento de duas usinas termelétricas (UTEs) no Complexo de Energia Boaventura, em Itaboraí (RJ), sendo a implementação desses projetos condicionada ao sucesso em leilões futuros de reserva de capacidade de energia. Quanto às Energias de Baixo Carbono (escopo 3), o Plano aprovado contempla projetos e estudos nos segmentos de geração renovável onshore (eólica/solar); bioprodutos (etanol, biodiesel e biometano); hidrogênio de baixo carbono; captura, transporte e armazenamento de carbono (CCUS) e outros.
Desde o final do ano passado, aumenta a expectativa de novos investimentos na Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Ipojuca (PE). Um dos fatores que podem alavancar esse processo é o grande fator de utilização total (FUT) do parque de refino da Petrobrás, em 2024, cerca de 93%, o que representa a maior utilização desde 2014. De qualquer modo, um pacote de editais já foi publicado para contratação de serviços de complementação de projeto executivo, construção, montagem, ajustes, reparos e desmontagens, adequações, fornecimento de bens para a construção civil e montagem de diversas unidades do Trem 2 da Rnest, além de outras ações relacionadas ao projeto. O projeto envolve um investimento de R$ 8,4 bilhões.