PRINCIPAIS PROJETOS MINERAIS EM DESENVOLVIMENTO NO PAÍS

PRINCIPAIS PROJETOS MINERAIS EM DESENVOLVIMENTO NO PAÍS

O setor mineral no Brasil, com exportações de US$ 20 bilhões (192,5 milhões de toneladas) e importações de US$ 4 bilhões (19,9 milhões de toneladas), o comércio exterior de minérios gerou superávit de US$ 16 bilhões de janeiro a junho (1º semestre de 2025 – 1S25), o equivalente a 53% do saldo total da balança comercial brasileira (US$ 30,09 bilhões). A atividade, portanto, segue a pleno vigor. Mesmo as tarifas aplicadas ao Brasil pelos EUA, a partir de 6 de agosto, tem um impacto relativamente baixo: 24,4% das exportações de minérios: sobretudo pedras/rochas ornamentais (19,4%), além de caulim (1,2%), pentóxido de vanádio (1,0%), alumínio (0,3%), cobre (0,009%) e manganês (0,007%). A maior parte das exportações (75,6%) não foi impactada: outras pedras/rochas ornamentais (27,1%), ferro (25,7%), ouro semimanufaturado (12,2%) e nióbio (10,6%).

Lembrando que somente cerca de 4% das exportações de minérios do Brasil seguem anualmente para os EUA, não há por que considerar uma revisão significativa no programa plurianual de investimentos do setor. Segundo dados consolidados pelo IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração), o aporte previsto para o período 2025–2029 é da ordem de US$ 68,4 bi (+6,6% vs. US$ 64,15 bi projetados para o período anterior 2024-2028). Os investimentos estão direcionados para minério de ferro, 28,7% do total, socioambientais 16,6%, logística 15,9%, cobre 10,7%; fertilizantes +8,2%; e terras raras: +49%, dentro outros.

Quadro-investimentos
Fonte: IBRAM

REGIÃO SUDESTE

Na Região Sudeste, alavancado obviamente por Minas Gerais, diversas empresas estão investindo em ampliação, descaracterização de barragens, instalações de beneficiamento e otimização de processos de produção. Dentre as quais, Vale, Cedro Mineração, Vallourec Mineração, Vale, Sigma Mineração (Sigma Lithium), Resouro Strategic Metals, Pilbara Minerals (PLS), Nexa, Mosaic Fertilizantes, Morro Verde Fertilizantes, Minerar Participações*(Grupo Minerar), Mineração Usiminas, Mina Morro do Pilar/MOPI (MLog), Lithium Ionic, LGA Mineração e Siderurgia. Jaguar Mining, Itaminas, HG Mineração, Grupo AVG, Gerdau Açominas, Fosfatados Centro, Ferro+Mineração (Grupo J.Mendes), CSN, Centaurus Metals, Cedro Mineração (Cedro Participações), CBMM, CBA, Casa Verde Holding, Atlas Lithium, ArcelorMittal, AngloGold Ashanti, Anglo American e AMG Brasil.

A commodity central ainda é, em larga medida, o minério de ferro. Mas há um número crescente de novos projetos de lítio, como os da Sigma Mineração (Sigma Lithium), Pilbara Minerals (PLS), Lithium Ionic, AMG Brasil, e Atlas Lithium..E, igualmente, de fosfato (Fosfatados Centro, Mosaic Fertilizantes, e Morro Verde Fertilizantes). Há que se considerar também o grande investimento que está sendo feito pela Vale na descaracterização de barragens e diques nas regiões de Mariana, Rio Piracicaba, Nova Lima, Barão de Cocais, Ouro Preto e Itabira.

REGIÃO NORTE

No Norte do país, o protagonismo atual em investimentos cabe a empresas e grupos como Hochschild Mining, Canada Rare Earth, TriStar Gold, Serabi Gold, RMB (Recursos Minerais do Brasil), Mineração Rio do Norte (MRN), Ligga (Atlântico Participações/Cosan/Grupo Paulo Brito), Ero Brasil, Centaurus Metals, CBA (Cia.Brasileira de Alumínio), Cabral Mineração (Cabral Gold), Bravo Mineração (Bravo Mining), Belo Sun Mining (Forbes & Manhattan), Araguaia Níquel Mineração (Horizonte Minerals), Potássio do Brasil (Forbes & Manhattan)/Falcon Metals), China Nonferrous Metal Mining (CNMC), Tucano Gold (Pilar Gold), Porto Grande Mineração (Ironman Mining), DEV Mineração/Consórcio, Pedra Branca Alliance (Cadence Minerals – 34%/Indo Sino – 66%).

A liderança, claro, é do Pará, e os maiores investimentos estão concentrados na ampliação da produção de minério de ferro para 200 Mtpa com a expansão do Complexo Serra Sul (antigo projeto S11D), em Canaã dos Carajás, em 20 Mt, passando de 100 para 120 Mtpa a partir de 2027.E no Bacaba, que integra o programa Novo Carajás da Vale, que prevê investimentos de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2030, nas operações da mineradora na região de Carajás. Mas há significativos projetos em implantação e expansão para extração e beneficiamento de níquel, ouro, manganês, bauxita e paládio/platina/ródio.

REGIÃO CENTRO-OESTE

No Centro-Oeste, novos projetos estão concentrados em Goiás e Mato Grosso. Em Goiás, pode-se destacar a Aclar Resources, empresa canadense, desenvolve um projeto de terras-raras estratégicas próximo a Goiânia, com plano de investimento de US$ 600 milhões. A MMG Limited, controlada pela China Minmetals (níquel), Pilar Gold (ouro). Em Mato Grosso, os principais novos projetos são o Matupá (de ouro), da Aura Minerals. O Projeto Juruena, da Keystone Resources (Alchemist Investments) e o Projeto Cabaçal, da Meridian Mining (ouro, cobre e prata).

REGIÃO NORDESTE

No Nordeste, deve-se destacar o Projeto Irecê, da Galvani, de fosfático primário, que se encontra em fase avançada implantação, com investimento da ordem de R$ 600 milhões. E o projeto Ferro Verde, da Brazil Iron, está sendo desenvolvido na Chapada Diamantina (BA) e promete transformar o cenário da mineração e da siderurgia no Brasil e no mundo. Com investimento estimado em US$ 5,7 bilhões, o empreendimento avança rumo à produção de Ferro Briquetado a Quente (HBI). Além, de outros, de uma variedade de grupos internacionais, com prospecções e operações em grande maioria concentradas no Estado da Bahia.

Dentre os quais: Mineração Vale Verde (Baiyin Nonferrous – BNMC), Atlantic Nickel (Appian Capital Advisory), BAMIN – Bahia Mineração (ERG – Eurasian Resources Group), Ero Brasil Caríba, Eco Mining, Fosfatados Norte-Nordeste – Fosnor (Galvani Fertilizante), Graphite Company of the Americas (Graphcoa) (Colúmbia Exploração Mineral), Homerun Resources, Largo, Lipari Mining, M e M Pedras, Mineração Caiçara, Santa Fé Mineração, Six Hands Engª e Mineração, South Star Battery Metals, TIASA – Titânio das Américas (Casa Forte Investimentos), Consórcio Santa Quitéria (Fosnor-Galvani/INB), Equinox Gold, G Mining Ventures, TIASA – Titânio das Américas (Casa Forte Mineração), Brazilian Nickel, Planalto Piauí Participações e Empreendimentos (Bemisa), SRN Mineração, Fomento do Brasil Mineração (Grupo Fomento).

Vergalhões Gerdau (2)
Produção de vergalhões (Divulgação Gerdau)

SIDERURGIA: previsão de novos investimentos

Formado por 31 usinas, administradas por 11 grupos empresariais, e representada pelo Instituto Aço Brasil o parque siderúrgico nacional tem atualmente uma capacidade Instalada: 51 milhões de t/ano de aço bruto (com produção de 33,9 milhões de toneladas, em 2024). Vendas internas de aço em 2024 somaram 4.895,9 mil toneladas (≈ 4,9 milhões de toneladas). É o 12º exportador mundial de produtos siderúrgicos: 9,6 milhões de toneladas (exportações diretas), para mais de 100 países. As exportações totais de aço para os EUA em 2024 somaram 1,85 milhões de toneladas – que poderiam ser seriamente comprometidas, caso a indústria do aço fosse incluída na taxação de 50% estabelecida pelo governo norte-americano a produtos brasileiros.

Como isso não ocorreu, provavelmente a indústria siderúrgica baseada no Brasil leve adiante o compromisso assumido em 2024 junto ao Governo Federal de investir no Brasil R$ 100,2 bilhões até 2028. A contrapartida foi o estabelecimento de cotas para 14 tipos de produtos de aço importados e sobretaxas para a comercialização de produtos abaixo do preço de custo. A partir daí, vários grupos do setor anunciaram individualmente seus programas de investimento de longo prazo. Talvez haja algum retrocesso em função das taxas de importação anunciadas pelos Estados Unidos, mas, até então, os investimentos estavam definidos.

Dentre os maiores aportes previstos, pode-se destacar o da ArcelorMittal, maior produtora de aço no Brasil e líder global, anunciou então e já confirmou em fevereiro de 2025, o plano de investir aproximadamente de R$ 3,8 bilhões a R$ 4 bilhões na Unidade de Tubarão, localizada no Espírito Santo. O projeto de uma nova linha de laminação e outra de revestimento será um dos mais relevantes do Grupo e se soma ao plano estratégico da empresa no Brasil, que prevê investimentos totais de R$ 25 bilhões entre 2022 e 2028.

Já a Gerdau confirmou o investimento de R$ 7,5 bilhões no Brasil, sendo aproximadamente a metade desse valor em uma nova plataforma de mineração sustentável e o restante na otimização e modernização de plantas produtoras de aço no país. No 2º trimestre de 2025, a Gerdau investiu R$ 1,6 bilhão, sendo 46% em manutenção e 54% em projetos de expansão e atualização tecnológica. Para 2025, o plano de investimentos da Companhia está estimado no valor de R$ 6,0 bilhões.

“O desempenho da Gerdau no segundo trimestre de 2025 reflete nosso modelo de negócio pautado na diversificação geográfica de ativos e flexibilidade produtiva, o que tem beneficiado os resultados financeiros ao longo dos anos”, afirma Rafael Japur, CFO da Gerdau. “Além disso, seguimos evoluindo com o investimento na plataforma de mineração sustentável na mina de Miguel Burnier, em Ouro Preto (MG), que conta com 72% de avanço físico e gerará um ganho potencial anual de Ebitda de R$ 1,1 bilhão.”

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