O OPERADOR E O PLANO DE RIGGING

O OPERADOR E O PLANO DE RIGGING

02Por: Leonardo Scalabrini (*)

No meu artigo anterior aqui na CRANE BRASIL, abordei sobre a responsabilidade do operador do guindaste em toda e qualquer operação. Finalizei meu argumento reforçando que a palavra final é sempre deste profissional em qualquer atividade de içamento e movimentação de cargas.

De lá para cá, recebi o contato de alguns colegas operadores com o questionamento e o aconselhamento de como questionar um Plano de Içamento não conforme.

Um dos pontos que eles destacaram é de que o Plano de Rigging, em várias ocasiões, chegava até eles minutos antes da operação, o que não permitia haver tempo hábil para sua análise.

Outro ponto, foi da insegurança dos operadores em contradizer um documento assinado por um engenheiro, acompanhado de sua ART.

E o último ponto levantado, diz a respeito à falta de conhecimento por parte destes operadores em alguns itens mais técnicos, principalmente, naqueles que envolviam os cálculos presentes no planejamento.

Figura 1 (acima) – Operador avaliando um Plano de Rigging – Imagem gerada por IA

O primeiro assunto, sobre a apresentação do Plano de Rigging momentos antes do içamento, é uma falha no processo da operação como um todo. Até mesmo para as atividades consideradas menos críticas e/ou mais rotineiras é mandatório a realização de uma reunião prévia com os envolvidos para que possam ser apresentadas todas as informações e passo a passo da tarefa, bem como todos os documentos deste planejamento. Em especial, o Plano de Içamento.

E mesmo que exista esta falha no processo, o içamento deve ser postergado até que todo o entendimento do Plano de Rigging seja atingido e, se necessário, revisões serem providenciadas para adequação ao real cenário.

A segunda questão, sobre como questionar um documento assinado por um profissional qualificado e habilitado, reforço que é dever do operador, no caso da identificação de algum erro ou desvio no Plano de Içamento, comunicar e solicitar a correção do documento. Vale ressaltar que é o operador o responsável pelo guindaste durante as atividades de içamento e movimentação de cargas.

Por último, o ponto que mais me chamou a atenção é a necessidade de reforçar os treinamentos e as reciclagens dos operadores.

A Norma ABNT NBR 17224:2005, que constitui a sistemática para a qualificação e a certificação destes profissionais, estabelece que devem ser aplicados aos profissionais exames teóricos específicos, com a obrigatoriedade do emprego de tópicos indispensáveis (veja Figura 2), dentre os quais está a LEITURA E INTERPRETAÇÃO DO PLANO DE MOVIMENTAÇÃO DE CARGA, que é o Plano de Içamento (ou Plano de Rigging).

Figura 2 – Tópicos para Exames Específicos - ABNT NBR 17224
Figura 2 – Tópicos para Exames Específicos – ABNT NBR 17224

Como é uma norma publicada no ano passado, grande parte dos operadores brasileiros, ainda não tiveram a oportunidade de realizar um treinamento de acordo com a diretrizes da ABNT NBR 17224. Todavia, é também dever do operador buscar junto ao empregador essa atualização.

E ainda mais importante, as empresas que possuem guindaste, sejam locadoras, construtoras, indústrias, devem viabilizar para toda sua equipe operacional a correta certificação pelos processos normativos.

(*) Foto LeonardoLeonardo Scalabrini, estuda e desenvolve projetos de tecnologia para o segmento de içamentos e guindastes, área na qual atua desde 2000. Contatos: leoscalabrini@gmail.com

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