O FUTURO ESTÁ NA CAPACITAÇÃO E NO COMPORTAMENTO

O FUTURO ESTÁ NA CAPACITAÇÃO E NO COMPORTAMENTO

Por Gustavo Cassiolato (*)

A segurança na movimentação de cargas não depende apenas de tecnologias embarcadas ou do avanço das normas. Ela nasce de pessoas capacitadas, conscientes e engajadas em uma cultura organizacional que valoriza o planejamento e o comportamento seguro. Como engenheiro rigger à frente de operações complexas em setores críticos do país, vejo diariamente que a mudança não está na ferramenta: está na forma como preparamos quem a utiliza.

A boa notícia é que estamos em um ponto de inflexão. A revisão da NR-11, que se aproxima, e a futura ABNT NBR 17224, que trará os requisitos de qualificação e certificação de operadores de guindaste e de guindaste hidráulico articulado para trabalhos onshore, nos apontam um novo caminho.

Esse novo caminho exige mais do que cursos de duração mínima. Exige formar profissionais plenos, capazes de interpretar, planejar, interagir com a equipe, tomar decisões técnicas e garantir que cada movimentação ocorra dentro dos padrões exigidos pelas normas, pela engenharia e pela vida.

Muitas organizações ainda tratam o operador de guindaste como uma função técnica simples. Ignoram que esse profissional é o elo final de uma cadeia de planejamento. Se ele não tiver acesso às informações, se não souber elaborar um plano de movimentação simples ou interpretar um plano de movimentação complexo, se não tiver liberdade para apontar desvios ou interromper uma operação insegura, toda a estrutura falha.

A futura ABNT NBR 17224 propõe um escopo que exige:

  • Avaliar as condições de funcionamento e realizar inspeção rotineira do equipamento;
  • Interpretar o plano de movimentação de carga;
  • Garantir a disponibilidade do planejamento da operação;
  • Inspecionar visualmente a área e o ambiente;
  • Conferir a capacidade do equipamento conforme as condições;
  • Posicionar o equipamento corretamente;
  • Estabilizar o equipamento considerando solo e interferências;
  • Isolar a área de risco;
  • Conferir peso da carga, altura e raio de operação;
  • Avaliar o ponto de equilíbrio e as condições dos acessórios;
  • Operar conforme os manuais e normas;
  • Estar familiarizado com a comunicação operacional da ABNT NBR 11436;
  • Examinar o acondicionamento e a amarração no transporte.

Essas competências exigem formação continuada, treinamento realista, apoio da empresa e um ambiente onde a segurança não seja discurso, mas valor vivido. A responsabilidade é da empresa, da liderança, da equipe e do operador. Todos compartilham o resultado de uma operação bem-sucedida.

O futuro da movimentação de cargas não está no investimento de equipamentos modernos e cada vez mais seguros, está no investimento da competência dos profissionais que o operam, gerenciam e planejam.

E você, profissional, aproveite esse momento de transição e faça uma reflexão sincera: Como são realizados os treinamentos dos operadores de guindaste em sua organização? De que forma a cultura de segurança é apresentada e vivida no dia a dia das operações? A empresa faz apenas o mínimo para atender norma ou promove a evolução técnica dos profissionais?

A revisão da NR-11 e a chegada da ABNT NBR 17224 exigem respostas concretas. O futuro já chegou. E é a forma como capacitamos, conduzimos e valorizamos as pessoas que irá definir a segurança das próximas gerações.

Gustavo Cassiolato

(*) Gustavo Cassiolato é Assessor técnico da CTPP pela CNT. Engenheiro Civil e de Segurança do Trabalho é Diretor técnico da Rigging Brasil e Escola da Movimentação com sete livros publicados no setor de movimentação de cargas. Contato: contato@riggingbrasil.com.br

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