Em entrevista à Crane Brasil, o CEO da Makro Engenharia, David Rodrigues, projeta 2026 como um período de consolidação e expansão seletiva no mercado de infraestrutura. O executivo aponta demanda sustentada em energia, mineração, óleo e gás, saneamento e obras industriais, com prioridade para contratos de longo prazo, previsibilidade e margens consistentes. Na avaliação dele, o ano eleitoral pode trazer cautela pontual, mas não deve paralisar investimentos, já que muitos projetos são privados ou vinculados a concessões.
Rodrigues destaca ainda as oportunidades geradas por concessões estruturadas no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos, que mantêm demanda por movimentação de cargas em logística e energia. Ele vê perspectiva de retomada gradual da fonte eólica com a expansão da transmissão e dos data centers. Por fim, reforça que a estratégia da empresa passa por digitalização, telemetria e uso intensivo de dados para elevar eficiência, segurança e competitividade. E vem investindo continuamente na frota de equipamentos.
CB: Quais suas perspectivas de mercado e novos negócios em 2026?
David Rodrigues: Enxergamos 2026 como um ano de consolidação e expansão seletiva. O mercado de infraestrutura segue demandante, especialmente nos setores de energia, mineração, óleo e gás, saneamento e grandes obras industriais. Nosso foco está em crescer com disciplina, ampliando a frota de equipamentos de grande porte, fortalecendo contratos de longo prazo e aprofundando parcerias estratégicas. Mais do que volume, buscamos projetos com previsibilidade, boa governança e margens sustentáveis.
CB: O fato de ser um ano eleitoral muda alguma coisa?
David Rodrigues: Anos eleitorais sempre geram algum nível de cautela, especialmente no curto prazo. No entanto, o setor de infraestrutura no Brasil já amadureceu bastante. Muitos investimentos hoje são privados ou regulados por contratos de concessão de longo prazo, o que reduz a dependência direta do ciclo político. Portanto, não vemos 2026 como um ano de paralisação, mas sim de ajustes pontuais e decisões mais criteriosas.
CB: O Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) já se consolidou como um programa plurianual que praticamente independe do governo federal de plantão. Há boas oportunidades para a área de movimentação de cargas?
David Rodrigues: Sem dúvida. O PPI criou uma base sólida de projetos estruturados, com regras claras e visão de longo prazo. Muitas concessões realizadas nos últimos anos já estão em fase avançada de investimento, o que se traduz em demanda consistente por soluções de movimentação de cargas. Portos, rodovias, ferrovias, energia e saneamento continuam oferecendo oportunidades relevantes para empresas bem estruturadas como a Makro Engenharia.
CB: O mercado de energia, em particular os projetos eólicos, desacelerou nos últimos anos. Os recentes leilões de transmissão e os novos data centers podem levar a uma retomada desses projetos?
David Rodrigues: Acreditamos que sim. A desaceleração dos projetos eólicos foi conjuntural, muito ligada a gargalos de transmissão. Os novos leilões de sistemas de transmissão, somados à forte expansão de data centers e à crescente demanda por energia limpa e confiável, criam um cenário favorável para a retomada gradual desses projetos. O Brasil continua extremamente competitivo em energia renovável, e essa vantagem estrutural tende a se refletir em novos investimentos.
CB: A Makro Engenharia sempre se destacou pelo uso de novas tecnologias na gestão de sua frota. Qual o próximo passo nesse sentido?
David Rodrigues: Seguiremos investindo fortemente em digitalização, telemetria avançada e integração de dados operacionais em tempo real. O próximo passo é aprofundar o uso de inteligência analítica para antecipar manutenção, otimizar alocação de equipamentos e elevar ainda mais os padrões de segurança e eficiência operacional. Tecnologia, para nós, não é apenas controle, mas uma ferramenta estratégica de competitividade e geração de valor para nossos clientes.
Foto: Gildo Mendes

Reconhecimento ao fundador do Grupo e à “prata da casa”
A Makro Engenharia anunciou mudanças em sua estrutura de liderança como parte da estratégia de fortalecer a governança e valorizar talentos formados internamente. A companhia promoveu Paulo Robson a diretor de Operações (COO) e Igor Branco a Head Comercial. Ambos construíram carreira na empresa desde posições iniciais — Paulo ingressou há 20 anos como estagiário financeiro e Igor há 14 anos como assistente comercial.

Paulo esteve à frente da área comercial entre 2022 e 2025, período em que a empresa ampliou presença em mineração, siderurgia, papel e celulose, óleo e gás e energia. Agora, passa a responder pela estratégia operacional, com foco em eficiência, inovação e segurança.

Igor assume o comando comercial apoiado na experiência em gestão de contas estratégicas e relacionamento com clientes. Segundo a empresa, as nomeações refletem a política de formação de lideranças e reconhecimento interno, alinhada a valores como segurança, excelência operacional e foco no cliente.
A Makro também destacou a posse de seu fundador, Fernando Rodrigues, na Academia Cearense de Engenharia, em cerimônia realizada no Ideal Clube, em 13 de novembro de 2025. O ingresso na entidade é visto como reconhecimento a mais de cinco décadas de atuação no setor e à contribuição técnica do engenheiro para o desenvolvimento da engenharia no Ceará. Para a empresa, a homenagem reforça sua trajetória no segmento de içamento e movimentação de cargas e o compromisso com padrões técnicos e éticos na condução dos negócios.
