INFRAESTRUTURA BRASILEIRA AVANÇA COM CONCESSÕES

INFRAESTRUTURA BRASILEIRA AVANÇA COM CONCESSÕES

O ano de 2026 começou quente em todos os sentidos. A campanha eleitoral já estava nas ruas, antes mesmo do carnaval, e o escândalo do Banco Master revela-se a cada dia um cipoal que parece não ter fim. A despeito disso e de juros cavalares de 15%, a economia brasileira mostra resiliência, com indicadores razoáveis de atividade no mercado interno e recordes sucessivos de produção nos setores exportadores. A questão fiscal, com endividamento crescente nos três níveis de governo, secundados pelos demais poderes, preocupa e certamente cobrará seu preço.

Há, no entanto, um programa virtuoso que se transformou em política de Estado desde a Lei das Concessões, de 1995: o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Independentemente do governo de turno em Brasília, o PPI, por meio de concessões comuns (rodovias, ferrovias, aeroportos, portos), parcerias público-privadas (PPPs), arrendamentos e autorizações, consolidou-se como o principal canal de alavancagem de projetos de infraestrutura e serviços públicos com participação privada. Embora existam iniciativas similares em alguns estados, o PPI federal é de longe o mais relevante.

De 1995 até o final do ano passado, foram realizados 160 leilões federais de aeroportos, rodovias, terminais portuários e ferrovias. O atual governo chega ao fim do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com número recorde de concessões (50), após o número também significativo de 45 leilões promovidos na gestão anterior (Jair Bolsonaro). Para 2026, estão previstos 14 leilões de rodovias e oito de ferrovias, com perspectiva de R$ 300 bilhões em investimentos ao longo dos contratos. Para atrair investidores, o governo tem recorrido ao BNDES como fonte de financiamento de longo prazo, algo que faz sentido econômico em projetos de maturação extensa, desde que bem estruturados financeiramente.

Nesse ecossistema, a Bolsa de Valores (B3) vem se consolidando como plataforma central de viabilização dos leilões. Em 2025, a bolsa alcançou recorde histórico ao realizar 75 leilões, que resultaram na alienação ou concessão de 98 ativos públicos e viabilizaram R$ 243,8 bilhões em investimentos (capex e opex), com potencial de cerca de 1,6 milhão de empregos diretos e indiretos. O desempenho superou 2024, quando haviam sido realizados 64 leilões, com R$ 180 bilhões contratados.

O setor de rodovias foi novamente protagonista, com 20 leilões e R$ 106,6 bilhões em investimentos previstos, abrangendo cerca de 8,5 mil quilômetros. O saneamento também avançou, com oito leilões e R$ 44,5 bilhões estimados. Houve ainda certames em energia, portos, iluminação pública, manejo florestal, reflorestamento e infraestrutura social, como hospitais, escolas e presídios. Esses números reforçam o papel da B3 como ambiente seguro e transparente de conexão entre ativos públicos e capital privado, contribuindo para a modernização da infraestrutura nacional.

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Divulgacao-ANEEL

SETOR ELÉTRICO

O setor elétrico brasileiro atravessa um momento de transição marcado pela busca de maior flexibilidade, segurança e capacidade de absorver novas demandas, ao mesmo tempo em que enfrenta gargalos estruturais e regulatórios. A rápida expansão de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, evidenciou a necessidade de soluções de armazenamento e de reforços na rede para garantir estabilidade ao Sistema Interligado Nacional.

Nesse contexto, o planejamento de um leilão específico para baterias no âmbito do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026 representa um passo relevante. Previsto para abril de 2026, o certame deve contratar sistemas com potência mínima de 30 MW e quatro horas de descarga, contratos de dez anos e início de suprimento em 2028. Trata-se do primeiro leilão estruturado de armazenamento em larga escala no país, sinalizando ao mercado uma nova frente de investimentos e apoio à integração de renováveis.

A estimativa de dezenas de gigawatts em projetos interessados mostra um mercado em formação, mas ainda dependente de definições regulatórias sobre classificação, remuneração e acesso à rede. Paralelamente, o avanço dos data centers, impulsionado pela inteligência artificial, adiciona pressão sobre o sistema elétrico. A combinação de matriz majoritariamente renovável, território disponível e ambiente regulatório em evolução torna o Brasil atraente para esses investimentos, em meio a restrições de água e energia em outros países. Contudo, o alto consumo elétrico e hídrico dessas instalações levanta preocupações sobre planejamento, licenciamento e uso eficiente de recursos. O debate em torno do regime tributário especial para data centers e a sinalização de prioridade política ao tema reforçam a tentativa de atrair capital com segurança jurídica, mas também expõem o desafio de evitar um crescimento desordenado que gere novos gargalos.

No campo da geração, a revogação, a pedido dos empreendedores, de autorizações que somavam 5,78 GW em usinas eólicas e solares indica um ajuste de portfólio diante de condições de mercado, acesso à rede e viabilidade econômica. Embora legalmente amparada, essa devolução revela dificuldades na maturação de projetos e na coordenação entre expansão de geração e transmissão. Já na transmissão, a autorização de centenas de reforços de pequeno porte, com cerca de R$ 1 bilhão em investimentos, mostra uma ação concreta para reduzir riscos operativos e ampliar a capacidade de escoamento, especialmente de renováveis. Estudos do ONS e decisões regulatórias convergentes apontam maior alinhamento entre planejamento e execução.

Ainda assim, representantes do setor destacam que a inserção maciça de fontes intermitentes sem respaldo adequado aumentou a importância de soluções de armazenamento, tanto químicas quanto hidráulicas. Pequenas hidrelétricas são vistas como “baterias naturais”, capazes de oferecer potência firme. Em síntese, o Brasil avança em leilões, reforços de rede e debates regulatórios, mas o equilíbrio entre expansão, confiabilidade e novas cargas, como data centers, será decisivo para transformar potencial em desenvolvimento sustentável.

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FPSO P-78: Divulgação Agência Petrobras

ÓLEO E GÁS

O setor de óleo e gás no Brasil vive um momento de perspectivas robustas de investimento, sustentado por aumento de produção, carteira relevante de projetos e sinais de confiança regulatória e empresarial. O país consolidou-se como um dos protagonistas globais em E&P ao atingir produção recorde de petróleo em 2025, de 3,77 milhões de barris por dia, resultado associado sobretudo ao desempenho do pré-sal, à evolução tecnológica e a ganhos de eficiência operacional. Esse patamar reforça a atratividade do mercado brasileiro e cria base concreta para novos ciclos de investimento.

Na fase de exploração, os dados mais recentes da ANP indicam que os aportes podem alcançar US$ 1,2 bilhão entre 2026 e 2033, com US$ 890 milhões já previstos para 2026. As projeções se baseiam nos Planos de Trabalho Exploratório das operadoras e contemplam compromissos em Programas Exploratórios Mínimos, Planos de Avaliação de Descobertas e até atividades de descomissionamento. A perfuração de poços concentra a maior fatia desses recursos: são US$ 602 milhões destinados a 19 poços exploratórios em 2026, podendo chegar a US$ 742 milhões quando incluídos testes de poço, o que representa mais de 80% do total anual previsto. A concentração em bacias marítimas é marcante, absorvendo cerca de 96% dos investimentos, com destaque para as margens Leste e Equatorial, enquanto bacias terrestres, tanto maduras quanto de nova fronteira, mantêm fluxo menor, porém estratégico.

No campo corporativo, o Plano de Negócios 2026-2030 da Petrobras sinaliza continuidade de escala e disciplina financeira. A companhia prevê US$ 109 bilhões em Capex no quinquênio, dos quais US$ 69,2 bilhões em E&P, com foco majoritário no pré-sal. O portfólio combina baixo custo de extração e menor intensidade de carbono, buscando resiliência mesmo em cenários de preços mais baixos do petróleo. A previsão de novos sistemas de produção, FPSOs adicionais e esforços de reposição de reservas sustenta a curva de produção no médio prazo. Ao mesmo tempo, há investimentos relevantes em refino, logística, gás e iniciativas de baixo carbono, indicando estratégia de integração e captura de valor ao longo da cadeia.

A retomada da indústria naval reforça esse ciclo. Novos contratos para construção de navios, como os gaseiros e embarcações da classe Handy no Estaleiro Rio Grande, mobilizam centenas de milhões de dólares e milhares de empregos, reativando capacidades industriais e encadeamentos produtivos. Somam-se a isso projetos de reparo, desmantelamento sustentável de plataformas e novas licitações em perspectiva.

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Porto de Santos: Divulgacao APS

AEROPORTUÁRIO

No setor portuário, os certames recentes com vencedores definidos mostram avanço consistente da participação privada e dispersão regional dos aportes. Terminais foram arrendados em diversos portos do país, como Maceió, Santana, Mucuripe, Areia Branca, Paranaguá, Porto Alegre, Rio Grande, Rio de Janeiro, Recife, Suape, Imbituba, Itaguaí e Santos, além da desestatização de Vitória e Barra do Riacho. Esse conjunto evidencia a atratividade do setor para operadores logísticos, tradings, empresas de energia e fundos de investimento. Somados apenas os projetos com vencedores e valores estimados, os investimentos chegam a cerca de R$ 8,5 bilhões, sinalizando confiança do mercado e continuidade da agenda de arrendamentos.

Para 2026, a perspectiva é de aceleração. A agenda federal projeta 40 leilões de infraestrutura, dos quais 18 portuários e um hidroviário. Já no primeiro trimestre está previsto um bloco de leilões em Macapá, Natal, Porto Alegre e Recife, com cerca de R$ 229 milhões em investimentos. No segundo semestre, deve ocorrer o primeiro leilão de hidrovia do país, na hidrovia do rio Paraguai, com cerca de R$ 63 milhões. O principal destaque, contudo, é o Tecon Santos 10, em Santos, estimado em R$ 6,4 bilhões. Considerado um dos maiores projetos do ciclo, ele passou por revisões para atender recomendações do TCU, que aprovou o modelo com restrições à participação de armadores na fase inicial para evitar concentração de mercado.

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Com os ajustes acolhidos pelo Ministério de Portos e Aeroportos, o processo segue para publicação de edital pela Antaq, após roadshow com investidores, estando em fase final de preparação e com expectativa de realização em 2026. O que já está é a ampliação em 17,2 milhões de metros quadrados da Poligonal do Porto Organizado de Santos, aumento que inclui áreas terrestres e áreas de fundeio e deposição de resíduos de dragagem, em pleno mar. Em áreas terrestres, que poderão comportar novos terminais e infraestrutura portuária, a área do Porto foi de 9,3 milhões de metros quadrados para 14,5 milhões de metros quadrados, o que representa um crescimento de 56%.

No segmento aeroportuário, 2026 também promete forte movimentação, com 21 ativos envolvidos entre novas concessões e reequilíbrios contratuais. O leilão do Galeão, no primeiro trimestre, prevê oferta mínima de R$ 932 milhões e cerca de R$ 1,1 bilhão em investimentos. O programa AmpliAR reforça essa dinâmica: a primeira rodada consolida aditivos em 13 aeroportos já concedidos e a segunda deve levar à concessão de 20 aeroportos regionais, com cerca de R$ 1,5 bilhão em aportes. Ao mesmo tempo, avançam soluções para contratos existentes, como a repactuação de Brasília e a autocomposição de Viracopos.

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Mineracao Serra Verde. Divulgação Serra Verde Group

MINERAÇÃO

A mineração brasileira entra na segunda metade da década com uma carteira expressiva de investimentos e crescente alinhamento às demandas globais por minerais críticos e produção de menor impacto ambiental. Segundo o IBRAM, são esperados US$ 68,4 bilhões em aportes entre 2025 e 2029, sinalizando um ciclo de expansão ancorado em descarbonização, agregação de valor e segurança de suprimento para cadeias industriais estratégicas, como baterias, aço verde e eletrificação.

Parte relevante desse movimento está associada ao lítio e ao níquel. A AMG avança nos estudos para uma nova planta de hidróxido de lítio no Brasil, com produção estimada de 17 mil toneladas anuais, destinada à Alemanha para conversão em grau bateria. No níquel, a Atlantic Nickel, na Bahia, foi a primeira selecionada para receber recursos do fundo de US$ 1 bilhão da Appian Capital com a IFC, voltado a minerais da transição energética. A possível implantação de mina subterrânea pode elevar a produção para cerca de 30 mil toneladas anuais de níquel equivalente.

Ainda no segmento, a Brazilian Nickel consolida o Projeto Piauí Níquel, com tecnologia de lixiviação em pilhas, de menor custo e pegada de carbono. A empresa firmou acordos de fornecimento com grupos europeus e alemães e obteve carta de intenções da DFC para até US$ 550 milhões em financiamento, além de novo acordo com a norte-americana Westwin, reforçando a inserção do Brasil na cadeia ocidental de minerais críticos. A Samarco, por sua vez, aprovou R$ 13,8 bilhões para a etapa final de retomada, visando operar a plena capacidade até o fim da década, com produção de até 27 Mtpa e geração de milhares de empregos.

No ferro, a Brazil Iron desenvolve na Bahia o projeto Ferro Verde, estimado em US$ 5,7 bilhões, focado em HBI de baixíssima emissão para abastecer fornos elétricos a arco. A iniciativa combina recursos minerais robustos, apoio de financiadores internacionais e proposta de posicionar o Brasil como fornecedor de insumos para o aço de baixo carbono. A Vale mantém frentes simultâneas: o Projeto Apolo, em Minas Gerais, segue em licenciamento e avaliação de alternativas ambientais, enquanto no Pará o projeto de cobre Bacaba, de US$ 290 milhões, já possui licença prévia e integra a estratégia Hub Sul, prolongando a vida útil de Sossego e ampliando a produção de cobre. Esses projetos se conectam ao programa Novo Carajás, que prevê R$ 70 bilhões até 2030.

Minerais críticos também ganham protagonismo. O Grupo Serra Verde, único produtor em larga escala de terras raras pesadas críticas fora da Ásia, confirmou um financiamento de US$ 565 milhões com a Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC). O Projeto Araxá, da St George Mining, em Minas Gerais, voltado a nióbio e terras raras, recebeu aporte de investidores internacionais, incluindo a Hancock Prospecting, e avança em estudos e planta piloto. Memorandos de offtake com empresas ligadas à cadeia de ímãs permanentes indicam demanda consistente fora da China. Já a Hochschild Mining prepara a futura mina de Monte do Carmo, no Tocantins, após obter licença de instalação.

Paralelamente, cresce a ênfase em sustentabilidade e economia circular. A Norsk Hydro planeja, na Alunorte, planta para transformar resíduo de bauxita em ferro metálico de baixo carbono, reduzindo emissões e a necessidade de novas áreas de disposição. A AngloGold Ashanti, em Nova Lima, investe cerca de R$ 300 milhões no Projeto Nova Vila, que combina fechamento de áreas mineradas, requalificação urbana e preservação ambiental.

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Divulgação: PPI Governo Federal

FERROVIAS

O cronograma ferroviário anunciado pelo governo federal, organizado entre novembro de 2025 e dezembro de 2026, apresenta um plano estruturado de publicação de editais e realização de leilões para oito grandes projetos de infraestrutura ferroviária no Brasil, com estimativas de investimentos de R$ 140 bilhões que reforçam a estratégia de fortalecer a malha de transporte de cargas e integrar regiões.

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O ciclo começa com o Corredor Minas-Rio, cujo edital está previsto para janeiro de 2026, seguido pelo leilão em abril de 2026, um trecho que promete melhorar a conectividade entre o Centro-Sul e o Complexo Portuário do Rio de Janeiro. Em sequência, o Anel Ferroviário Sudeste contará com edital em março de 2026 e leilão em junho do mesmo ano, estruturando um contorno logístico essencial para escoamento de cargas industriais e agrícolas na região Sudeste.

O cronograma segue com a Malha Oeste, cuja publicação de edital está programada para abril de 2026 e leilão para julho, ampliando a capacidade de transporte e apoiando o escoamento de grãos e minérios no interior do país. Logo depois, o Corredor Leste-Oeste terá edital em maio de 2026 e leilão em agosto, conectando importantes polos produtivos do Centro-Oeste à costa atlântica com eficiência aprimorada. A Ferrogrão, uma das ferrovias mais aguardadas pelo agronegócio brasileiro por sua capacidade de reduzir custos logísticos, deverá ter edital em junho de 2026 e leilão em setembro do mesmo ano.

O cronograma de 2026 também contempla os três trechos que integram a chamada Malha Sul: o Corredor Paraná-Santa Catarina, o Corredor Rio Grande e o Corredor Mercosul. Para esses trechos, os editais estão previstos para outubro de 2026, com os respectivos leilões agendados para dezembro do mesmo ano, representando um esforço concentrado para potencializar a integração logística entre o Sul do Brasil e países vizinhos — sobretudo para exportação via Portos do Rio Grande e de Itajaí/SC.

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Em paralelo ao lançamento de novos projetos no cronograma ferroviário federal, a carteira de investimentos do setor também é fortemente impulsionada por aportes em ferrovias já consolidadas, viabilizados por prorrogações de contratos e processos de renovação antecipada. Esse movimento tem sido estratégico para ampliar capacidade, modernizar ativos e garantir previsibilidade regulatória em corredores logísticos já estruturados e com demanda comprovada.

Um exemplo relevante é a EF-277 – Ferroeste, estruturada como projeto de privatização e concessão com estimativa de R$ 14,5 bilhões em investimentos. O projeto prevê a ampliação da malha para até 1.567 km, com novos trechos e revitalizações. No campo das prorrogações, a Estrada de Ferro Carajás (EFC) é um dos casos mais emblemáticos, com previsão de R$ 8,23 bilhões em investimentos. Os aportes previstos contemplam modernização de via permanente, sistemas e aumento de capacidade.

A EFVM – Vitória a Minas, também operada pela Vale, segue lógica semelhante, com estimativa de R$ 8,81 bilhões associados à prorrogação. Os investimentos visam ganhos operacionais e maior eficiência logística. Outro caso de destaque é a MRS Logística, cuja prorrogação contratual está associada a cerca de R$ 9,7 bilhões em aportes. A renovação permite antecipar investimentos em capacidade, segurança e desempenho operacional.

Na mesma linha, a Rumo Malha Paulista tem previsão de R$ 5,78 bilhões em investimentos vinculados à prorrogação. Os recursos são direcionados à ampliação de capacidade, redução de gargalos e melhoria de desempenho. Outros projetos ainda estão em fase de estudo, mas sinalizam potencial de novos ciclos de investimento. A Ferrovia Tereza Cristina (FTC), com 164 km em Santa Catarina e forte ligação ao transporte de carvão mineral, tem prorrogação em análise que pode destravar aportes antecipados. Já a Malha Nordeste – FTL, com 4.238 km, é estratégica para combustíveis, cimento, celulose e contêineres na região Nordeste, e sua renovação também pode viabilizar ampliação de capacidade.

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Perspectiva de trecho das obras do Expresso Porto. Divulgação

RODOVIAS

Considerando apenas os projetos rodoviários com vencedores de leilão já definidos, o ciclo recente de concessões revela um volume expressivo de investimentos privados em infraestrutura, todos estruturados sob o modelo de concessão comum, com impactos logísticos distribuídos por praticamente todas as regiões do país.

No eixo Norte–Centro-Oeste, destaca-se a concessão da BR-163/230 entre Mato Grosso e Pará, vencida pelo Consórcio Via Brasil BR-163, com R$ 1,76 bilhão em investimentos. O trecho liga Sinop (MT) a Miritituba (PA) e é estratégico para o escoamento de grãos do Centro-Oeste pelos portos do Arco Norte, reforçando a integração entre as regiões Centro-Oeste e Norte. Ainda nessa lógica de corredores do agronegócio, a BR-060/364 em Goiás e Mato Grosso (Rota do Agro), arrematada pela Way Concessões, soma R$ 4,42 bilhões para ampliar capacidade e segurança em um dos principais eixos de transporte de grãos. Em Goiás, a BR-060/452 (Rota Verde), vencida pelo Consórcio Rota Verde, prevê R$ 4,03 bilhões, fortalecendo a ligação entre Goiânia, Rio Verde e Itumbiara, áreas de forte produção agrícola. Já em Rondônia, a BR-364 (Rota Agro Norte), concedida ao Consórcio 4UM Opportunity, mobiliza R$ 6,53 bilhões e sustenta o acesso ao porto de Porto Velho e à hidrovia do Madeira, fundamentais para exportações do Centro-Oeste.

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No Sudeste, concentra-se parte relevante dos aportes. A nova concessão da Via Dutra (BR-116/101 entre SP e RJ), vencida pelo Grupo MOTIVA, reúne R$ 14,8 bilhões, com obras de ampliação, marginais, túneis e dispositivos de segurança no principal corredor econômico do país. Também entre RJ e MG, a concessão da BR-116/465/493 até Governador Valadares, sob responsabilidade da Ecorodovias, soma R$ 11,3 bilhões, qualificando a ligação entre o interior mineiro e a Região Metropolitana do Rio. A BR-040 entre GO e MG (Rota dos Cristais), concedida à Vinci Highways, adiciona R$ 6,64 bilhões em duplicações, monitoramento e segurança, enquanto a BR-040/495 entre MG e RJ, operada pela Elovias, recebe R$ 5,1 bilhões para melhorar fluidez entre Belo Horizonte e o Rio de Janeiro. Ainda em Minas, o trecho Belo Horizonte–Juiz de Fora da BR-040, concedido ao Consórcio Infraestrutura MG, conta com R$ 5,05 bilhões.

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Minas Gerais aparece também em projetos de forte vocação produtiva. A Rota Sertaneja (BR-153/262 em GO e MG), vencida pela Way Concessões, soma R$ 5,53 bilhões e melhora a conexão do Triângulo Mineiro com Goiás. A Rota do Zebu (BR-262 em MG), concedida à Rotas do Brasil, prevê R$ 4,4 bilhões para qualificar o corredor entre Uberaba e Betim. Já a BR-381 entre Belo Horizonte e Governador Valadares, arrematada pela 4UM Investimentos, mobiliza R$ 5,57 bilhões e atende diretamente o Vale do Aço, polo siderúrgico e industrial relevante.

No Centro-Norte, a concessão da BR-153/080/414 entre Goiás e Tocantins, vencida pelo Consórcio ECO 153, reúne R$ 7,82 bilhões e reforça a espinha dorsal de integração nacional da BR-153.

Na Região Sul, o Paraná se destaca com o programa de Rodovias Integradas, todos com vencedores definidos. O Lote 1, do Grupo Pátria, soma R$ 6,29 bilhões; o Lote 2, do Consórcio Infraestrutura PR, R$ 10,8 bilhões; o Lote 3, da MOTIVA, R$ 10,1 bilhões; o Lote 4, do Grupo EPR, R$ 8,35 bilhões; o Lote 5, novamente do Pátria, R$ 4,59 bilhões; e o Lote 6, também do EPR, R$ 12,98 bilhões. Esses projetos ampliam ligações entre o interior, a Região Metropolitana de Curitiba, o litoral paranaense e a fronteira com Paraguai e São Paulo, fortalecendo rotas de exportação pelo Porto de Paranaguá e a integração regional do Sul.

Nos contratos otimizados já leiloados, a BR-163 no Mato Grosso do Sul, vencida pela MOTIVA, agrega R$ 9,44 bilhões e sustenta o corredor bioceânico e de grãos. A BR-101 na Bahia e no Espírito Santo, com vitória da Ecorodovias, mobiliza R$ 7,06 bilhões ao longo do litoral leste. Já a BR-101 no Rio de Janeiro, assumida pela Arteris, recebe R$ 6,06 bilhões para elevar o padrão de serviço no eixo fluminense.

Em 2026, o cronograma rodoviário apresenta, ao longo do ano, a programação de editais e leilões de 13 projetos, após etapas preparatórias conduzidas por estruturadores como BNDES, Infra S.A. e processos de otimização, com análises prévias de CP, TCU ou AP até 2025. Três projetos — Rota dos Sertões, Otimização da Régis Bittencourt e Rotas Gerais — têm seus editais concluídos até 2025 e leilões previstos para março.

A Otimização da Rota Arco Norte tem edital em janeiro e leilão em abril. A Rota do Pequi publica edital em março e vai a leilão em junho, enquanto a Rota Litoral Sul tem edital em abril e leilão em julho. Na sequência, a Rota Portuária do Sul apresenta edital em maio e leilão em agosto, e a Rota Planalto Sul conta com edital em junho e leilão em setembro.

A Rodovia Transbrasiliana está prevista com edital em julho e leilão em outubro. Também em julho aparecem os editais da Rota 2 de Julho e das Rodovias Integradas de Santa Catarina (lotes 01 e 03), com leilões concentrados em dezembro. Por fim, a Rota Integração do Sul tem edital em outubro e leilão igualmente programado para dezembro.

PROJETOS ESTADUAIS

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Investimentos estaduais (em R$ bilhões)

Rodovias

  • Mato Grosso: Sinop–Tabaporã (R$ 291,1 mi), Tangará da Serra (R$ 835,1 mi), Primavera do Leste–Paranatinga (R$ 371,4 mi), grandes lotes > R$ 1 bi.
  • Mato Grosso do Sul: MS-112 e trechos federais (R$ 1,86 bi).
  • Minas Gerais: Programa estadual (R$ 8,6 bi), Rodoanel RMBH.
  • Piauí: Rodovia Transcerrados (R$ 2,43 bi).
  • Pará: PA-150 e Alça Viária (R$ 3,7 bi)

Saneamento

  • Alagoas: Região Metropolitana, Agreste e Zona da Mata (R$ 5 bi).
  • Ceará: PPPs (R$ 6,2 bi).
  • Mato Grosso do Sul: PPP estadual (R$ 1,7 bi).
  • Piauí: Concessão estadual (R$ 9,6 bi).
  • Sergipe: Universalização (R$ 6,3 bi).
  • Amapá: Concessão (R$ 4,8 bi).
  • Pará: Cosanpa (R$ 18,5 bi).
  • Rio de Janeiro: Cedae (R$ 33,5 bi).
  • Espírito Santo: Cariacica e Viana.
  • São Paulo: Sabesp (centenas de bilhões).

Energia

  • Mato Grosso do Sul: Centrais fotovoltaicas.
  • Pernambuco: Usinas de autoprodução.
  • Piauí: Energias limpas.
  • Tocantins: Usinas fotovoltaicas.
  • São Paulo: EMAE (desestatização).

Mobilidade Urbana

  • Minas Gerais: Metrô de Belo Horizonte.
  • Pernambuco: Terminais integrados de ônibus.
  • São Paulo: TIC Eixo Norte, Lote Alto Tietê, linhas de trens.

Turismo

  • Bahia: Marinas e orla de Pituaçu.
  • Pernambuco: Aeroporto de Fernando de Noronha.
  • Piauí: Parques e centros turísticos.
  • São Paulo: Parques urbanos, túnel Santos–Guarujá.

Equipamentos Públicos

  • Goiás: Complexo Serra Dourada (R$ 223 mi).
  • Pernambuco: Centro de Convenções.
  • Piauí: Centros de convenções e comércio.
  • Minas Gerais: Equipamentos diversos.
  • São Paulo: Equipamentos públicos variados.

 

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