GESTÃO DE VIBRAÇÕES NAS OPERAÇÕES

GESTÃO DE VIBRAÇÕES NAS OPERAÇÕES

Por: Ezequiel Nunes (*)

Algumas atividades operacionais do dia a dia podem expor o trabalhador a vibrações. Nosso organismo possui uma vibração natural e, quando essa vibração natural se confronta com uma vibração externa, ocorre o fenômeno chamado ressonância. Essa energia, quando absorvida pelo organismo, provoca alterações em tecidos e órgãos. A ressonância é o resultado da aplicação sobre um corpo de uma vibração com frequência igual à sua, resultando em amplificação do movimento.

Avaliar o efeito da vibração no corpo inteiro do operador causada pela máquina tem sido objeto de vários estudos, e novas tecnologias vêm sendo desenvolvidas para minimizar o impacto em operadores de equipamentos e trabalhadores que utilizam ferramentas manuais vibratórias, que são os mais afetados.

A Fundacentro publicou duas normas de higiene ocupacional: a NHO 09, que apresenta o procedimento técnico para avaliação da exposição ocupacional a vibrações de corpo inteiro; e a NHO 10, que estabelece critérios para avaliar a exposição ocupacional a vibrações em mãos e braços. Ambas têm como foco a prevenção e o controle dos riscos, trazendo uma abordagem preliminar qualitativa e a medição quantitativa quando necessária.

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As vibrações de corpo inteiro são geradas por máquinas e equipamentos. Operadores de equipamentos estão entre os mais expostos, pois trabalham continuamente em ambientes onde o nível de ruído e de vibração é constante.

A NHO 09 estabelece o nível de ação, que indica o momento em que medidas preventivas devem ser adotadas. É necessário monitorar periodicamente a exposição, informar e orientar os trabalhadores e implementar controle médico com foco nesse agente. Adotar velocidades adequadas no uso de veículos, evitar — sempre que possível — superfícies irregulares e ajustar o assento do veículo conforme o posicionamento e o peso do usuário são outras ações importantes.

Quando o valor do nível de ação é ultrapassado, as vibrações de corpo inteiro podem causar problemas de saúde, principalmente relacionados à coluna vertebral, como lombalgias. O adoecimento depende das condições dos equipamentos e veículos, da pavimentação, do modo de operação e das susceptibilidades individuais.

Houve um grande avanço com a integração da NR 12 (Máquinas e Equipamentos) à NR 17 (Ergonomia), que juntas estabeleceram maior conforto ao operador. As máquinas e equipamentos devem ser projetados, construídos e operados considerando a necessidade de adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza das tarefas, garantindo conforto e segurança, conforme previsto na NR-17.

Os assentos utilizados na operação de máquinas devem possuir estofamento e ser ajustáveis à natureza do trabalho, além do previsto na NR-17. Os postos de trabalho devem permitir alternância de postura e movimentação adequada dos segmentos corporais, garantindo espaço suficiente para operação dos controles instalados. As dimensões dos postos de trabalho devem atender às características antropométricas e biomecânicas dos operadores, respeitando alcances, campo visual e assegurando postura adequada, evitando flexão e torção excessivas do tronco.

Com a chegada da tecnologia 5G, hoje já vemos pontes rolantes totalmente modernas operadas remotamente. Não há mais necessidade de o operador estar dentro da cabine; existem salas apropriadas, a poucos metros dos equipamentos, onde o operador tem acesso a câmeras de alta resolução e joysticks semelhantes aos da operação tradicional, como se estivesse na cabine.

Quem não se lembra da implantação dos controles sem fio nos guindautos? Um avanço significativo, pois antes o operador ficava suscetível à vibração e ao ruído do motor do caminhão. Esses controles são projetados para minimizar a fadiga e reduzir o risco de erro. Os transmissores portáteis possuem design ergonômico, adequado para uso prolongado em ambientes industriais severos. Os layouts intuitivos e controles responsivos garantem precisão mesmo em condições exigentes.

Porém, vale ressaltar que de nada adiantariam os avanços e tecnologias se o fator humano não atuar a favor da segurança. Por isso, é fundamental manter controles rigorosos por meio de check-lists, DDS, treinamentos e orientações operacionais.

(*) ezequiel nunesEzequiel Nunes, técnico em HSE e mecânica, é especialista em movimentação de cargas e instrutor offshore. Contatos: kielnunes@hotmail.com

1 comentário em“GESTÃO DE VIBRAÇÕES NAS OPERAÇÕES

  1. Tivermos a presença desse Profissional Ezequiel aqui na Base TS GUINCHO em PE – e Adoramos o nível aplicado a nosso corpo operacional – Ótima matéria escrita e ficamos feliz por você escolher um momento interno aqui na base para usar de matéria que embase sua publicação. Assim deixo minha saudação e aguardamos mas oportunidade para mas momentos de aprendizado, recicláveis que nos garanta verdadeiras certificações no mercado.

    Att, Ivo Jr.

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