ENGENHARIA DE PRECISÃO NO METRÔ DE SÃO PAULO

ENGENHARIA DE PRECISÃO NO METRÔ DE SÃO PAULO

A IPS Engenharia atua em todo o território nacional, com foco em planejamento, execução e gerenciamento de operações complexas de movimentação e montagem industrial. A empresa foi responsável pelo desenvolvimento da engenharia de movimentação dos componentes da Tuneladora (TBM) Cora Coralina, utilizada na Expansão da Linha 2 – Verde do Metrô de São Paulo, entre Vila Prudente e Penha. O trabalho abrangeu desde a desmontagem no poço Falchi Gianini até a remontagem na Estação Penha, consolidando um dos marcos técnicos mais desafiadores da infraestrutura metroviária recente.

O escopo do projeto contemplou a desmontagem, transporte e montagem de componentes de grande porte, como a roda de corte, de 11,66 metros de diâmetro e aproximadamente 205 toneladas, e o main drive, com 194 toneladas, além de diversos módulos complementares – como o gantry, segment feeder, erector e seções estruturais superiores e inferiores – totalizando um volume de 7.309 m³ em cargas indivisíveis. A profundidade do poço Falchi Gianini era de 47 m e da Estação Penha, 30 m. As operações ocorreram entre dezembro de 2024 e junho de 2025, com prazo total de execução de 150 dias.

O planejamento teve início em 2021, com o planejamento e preparação dos canteiros, elaboração de estudos técnicos que envolveram dimensionamento de guindastes, simulações de raio de operação, mapeamento de interferências e definição de áreas de isolamento.

Foram considerados parâmetros de segurança, análises de pressão no solo e cronogramas logísticos para transporte e içamento, em alinhamento com as diretrizes do Consórcio CML2 – Engibras, Sacyr e S.A. Paulista, contratante da IPS Engenharia.

Na primeira fase, a desmontagem do TBM no poço Falchi Gianini exigiu planos de rigging específicos, para desmontagem, horizontalização e carregamento de todos os componentes com peso maior ou igual a 10 t, totalizando a movimentação de cerca de 2.700 toneladas com o uso dos guindastes Liebherr LR1750, XCMG XCA500BR e Tadano ATF220G-5.

A segunda fase envolveu o transporte urbano dos componentes entre Falchi Gianini e Penha, a uma distância aproximada de 16 quilômetros, utilizando carretas de múltiplos eixos e rotas previamente autorizadas e monitoradas pela CET e pela Prefeitura. Para tanto, foram feitas simulação de transporte, e estudos de dimensionamento dos conjuntos transportadores e determinação das cargas máximas no solo.

Por fim, a terceira fase consistiu na descida e montagem da tuneladora na Estação Penha, com destaque para o içamento da roda de corte, operação de alta complexidade realizada com guindaste de 750 toneladas e cerca de 30 profissionais especializados.

A IPS atuou em estreita cooperação não somente com a equipe técnica do Consórcio CML2 – Engibras, Sacyr e S.A. Paulista, e também com o Metrô e os órgãos públicos, apoiando o relacionamento com a comunidade local. Foi mantido um ponto fixo de atendimento na Rua Falchi Gianini, além de centrais de comunicação oficiais e divulgação contínua dos impactos viários, desvios de tráfego e prazos de interdição. Medidas sociais complementares incluíram estacionamento alternativo, serviço de transporte local e apoio temporário a moradores durante as etapas mais críticas da obra.

No campo técnico, foram aplicados rigorosos critérios de qualificação de fornecedores e equipamentos, exigindo comprovação de experiência anterior em içamento de cargas superiores a 200 toneladas, certificações de segurança, planos de rigging com ART, tabelas de carga e relatórios de inspeção de acessórios. Todos os guindastes utilizados possuíam certificados de calibração, anemômetros aferidos e histórico de manutenção atualizado, assegurando confiabilidade operacional.

IPS-tuneladora

O principal desafio foi a execução inédita, em território nacional, da desmontagem e remontagem integral de uma TBM dessa magnitude, conciliando exigências de engenharia, segurança e logística urbana em ambiente densamente ocupado. A operação de içamento da roda de corte e o deslocamento dos módulos em vias públicas demandaram precisão milimétrica, além da coordenação com equipes de trânsito, topografia, SMS e engenharia de rigging.

Como solução técnica, a IPS Engenharia desenvolveu um planejamento integrado que combinou modelagem 3D, simulações estruturais e cronograma sincronizado com a CET e o Consórcio CML2. As interdições e travessias noturnas foram realizadas de forma controlada, minimizando o impacto à comunidade e garantindo a integridade dos equipamentos.

A conclusão das operações representou não apenas o cumprimento antecipado do cronograma — com redução de 30 dias —, mas também a consolidação da IPS Engenharia como referência nacional em engenharia de içamento, transporte e montagem de cargas especiais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

error: Conteúdo com direito autoral
×