Por: Anabeat Albano, Enzo Dias e Helder Ferreira
Fotos: Gildo Mendes
O ano de 2025 foi marcado por movimentos contrastantes no setor de elevação, transporte e movimentação de cargas pesadas, combinando expansão, cautela e oscilações provocadas pelo cenário econômico e político. Para o Sindipesa, o desempenho geral foi positivo. Segundo seu presidente executivo, Julio Eduardo Simões, esse cenário favorável teve reflexo na própria entidade, que fecha o ano com crescimento do número de associados e maior engajamento empresarial — um dos principais desafios históricos. “Foi um ano muito bom para a gente”, resumiu.
A percepção positiva é compartilhada por empresas de diferentes portes. Para Denys Garzon Rodrigues, presidente da Guindastes Tatuapé, 2025 trouxe evolução técnica e amadurecimento. “Foi um ano de bastante aprendizado, que mostrou a importância de investir não só em equipamentos, mas também em estrutura, controle e segurança”, afirmou.

Liebherr: desafios e avanços do setor de guindastes em 2025
O ano de 2025 trouxe um cenário mais exigente para o setor de guindastes no Brasil. É o que afirma Rene Porto, gerente divisional de guindastes móveis e sobre esteiras da Liebherr Brasil. Segundo ele, o desempenho do mercado foi marcado pela desaceleração de obras e projetos, o que pressionou toda a cadeia. “Foi um ano mais difícil do que 2024. Sentimos uma redução no ritmo das obras e uma concorrência muito mais agressiva, o que acende um sinal de alerta para os próximos anos”, avalia.
Apesar do ambiente desafiador, Porto destaca que a Liebherr conseguiu cumprir seus objetivos estratégicos e manter resultados positivos. “Mesmo com o mercado mais competitivo, alcançamos nossas metas e tivemos um desempenho satisfatório dentro das condições atuais”, afirma.

Para a empresa, 2025 foi um período de estabilização e de consolidação de iniciativas consideradas essenciais para o futuro. Um dos avanços foi a conquista de novos projetos relevantes em diferentes segmentos. Outro destaque foi a participação da Liebherr em ações voltadas para segurança operacional, tanto no Sindipesa quanto em programas promovidos pela Vale, em S11D. Nesses encontros, a companhia apresentou suas ferramentas digitais e reforçou seus diferenciais históricos: qualidade, confiabilidade e foco absoluto em segurança.
“Esses atributos são inegociáveis para nós. Todo o desenvolvimento tecnológico da Liebherr busca tornar a operação mais eficiente, produtiva e, sobretudo, mais segura para o operador e para o cliente final”, afirma Porto. Segundo ele, os sistemas digitais embarcados nos equipamentos têm sido fundamentais para elevar o nível de controle, precisão e prevenção de riscos.
Ao analisar o cenário atual, o executivo alerta para um desequilíbrio crescente entre oferta e demanda. A chegada de novos players, muitos deles com postura agressiva de preços, tem pressionado o mercado e, na visão da Liebherr, contribuído para uma sobreoferta de equipamentos. “Estamos vendo muitos novos fornecedores entrando no país, mas não há, na mesma proporção, novos projetos sendo lançados. Isso desregula o setor e torna o ambiente mais desafiador para todos”, explica.
Porto afirma esperar que 2026 traga uma agenda mais robusta de projetos, especialmente em infraestrutura e energia, capazes de absorver a capacidade instalada do mercado. Caso contrário, diz ele, a pressão competitiva poderá se intensificar. “Se o ritmo de obras não avançar, a oferta continuará muito acima da demanda. E isso é preocupante.”
Mesmo assim, o executivo acredita que empresas com foco em qualidade, segurança e inovação seguirão bem posicionadas. “Continuamos confiantes na força da marca e nos diferenciais que oferecemos. Mas é preciso cautela, estratégia e disciplina para navegar esse momento.”
Na Transdata, o balanço também é favorável, apesar de oscilações na demanda. De acordo com o gerente geral Eiti Miura, o ano começou com forte expectativa, mas o segundo semestre apresentou redução no volume de projetos executivos. Ainda assim, a empresa prevê um fechamento positivo e perspectiva de retomada em 2026.

Na Locar, o superintendente corporativo Henrique Arcoverde ressalta que, apesar dos desafios, 2025 foi “muito positivo”, reforçando o otimismo da empresa para o período. A Cunzolo também celebra os resultados. Para o diretor executivo Marcos Cunzolo, o desempenho superou as metas estabelecidas. “Foi um ano bom de trabalho. Estamos conseguindo atingir o que esperávamos”, disse.
Entre as empresas que atuam em múltiplos segmentos, a Saraiva Equipamentos considera 2025 especialmente produtivo. A gerente comercial Mariana Saraiva afirma que, embora desafiador, o ano consolidou operações importantes em óleo e gás, energia eólica e novos mercados. “Chegamos ao nosso objetivo. Realizamos trabalhos relevantes, como a parada para a Petrobras com 250 profissionais e 40 equipamentos”, destacou.

No setor de montagens industriais, porém, o cenário foi mais complexo. O diretor de operações da Montcalm, Paulo Tércio Soares Ávila, avalia 2025 como um ano difícil para as montadoras, mas com grandes obras em andamento e forte expectativa para 2026 e 2027. A atuação da empresa inclui projetos de grande porte no setor energético em Manaus e no projeto Sucuriú, da Arauco.
Para a Macedo Transportes Pesados, 2025 foi marcado por instabilidade. “Está sendo um bom ano, mas com muitos altos e baixos”, afirmou o diretor Cassiano Palomo Macedo. O setor de transporte rodoviário, de um modo geral, também sentiu os reflexos do ambiente político. Segundo Marcelo Rodrigues, presidente do Conselho Superior e de Administração do SETCESP, as oscilações políticas impactaram a economia e, consequentemente, o volume de cargas movimentadas. “Foi um ano bem complicado”, avaliou.
Na avaliação da Megatranz, o ano teve dois momentos distintos. O diretor Renato Zuppardo explica que 2025 começou aquecido, com forte demanda e até risco de falta de equipamentos no mercado. “Mas o segundo semestre não foi tão promissor quanto o primeiro”, afirmou, embora mantenha expectativa de melhora em 2026. O presidente da WWN Guindastes, William Navarro, classificou 2025 como um ano “atípico e retraído”, influenciado pela instabilidade política e pela desaceleração das obras. Mesmo assim, a empresa mantém investimentos em novos equipamentos para ampliar sua base de clientes.

Já o diretor operacional da Máquinas Bolbi, Alexander Biskupski, destaca que 2025 trouxe grandes oportunidades, apesar da volatilidade econômica. Ele aponta o aumento da demanda por soluções inteligentes e de alto valor agregado. “A oportunidade está acima do juro. Vendemos soluções que reduzem custos, prazos e equipamentos em obra, otimizando resultados para o cliente”, afirmou.
Sany consolida grandes máquinas e prevê ano desafiador
O ano de 2025 se consolidou como mais um período positivo para o setor de guindastes no Brasil, repetindo o desempenho robusto registrado em 2024. A avaliação é de Ricardo Cunha, gerente de vendas da divisão Sany Guindastes, que destaca que, apesar de uma expectativa inicial mais cautelosa, o mercado manteve praticamente o mesmo ritmo do ano anterior em volume de vendas e atividades. Para a empresa, afirma, 2025 foi marcado por avanços significativos e resultados consistentes.
Segundo Cunha, um dos marcos do ano foi a consolidação da oferta de equipamentos de grande porte, movimento que reforça a estratégia da Sany de ampliar sua presença em projetos de alta complexidade. A chegada de guindastes de 800 e 900 toneladas ao portfólio brasileiro tornou-se um passo importante nessa direção, ampliando a capacidade da marca de atender demandas mais exigentes e posicionando-a entre os principais fornecedores do país nesse segmento.

O executivo também destaca 2025 como um ano de lançamentos estratégicos para a companhia. A apresentação oficial da linha de caminhões e do banco Sany marcou um momento de expansão e diversificação relevante. Segundo ele, a combinação de novos produtos e soluções financeiras próprias fortalece a competitividade da marca e amplia sua capacidade de atender clientes de diferentes perfis. Com bons resultados comerciais, o ano se encerra como um ciclo completo de conquistas e evolução para a empresa.
Apesar dos avanços, Cunha reconhece que o mercado ainda enfrenta desafios importantes. A ausência de grandes obras públicas e a falta de investimentos robustos do governo federal são, em sua avaliação, os principais entraves para um crescimento mais acelerado. Setores como óleo e gás, historicamente relevantes para a demanda de equipamentos de grande porte, tiveram menor volume de projetos em execução. Embora haja movimentações expressivas no setor privado — especialmente em áreas como papel e celulose — o investimento público continua aquém do necessário para impulsionar o setor de forma mais vigorosa.
Outro segmento que apresentou retração em 2025 foi o de energia eólica, que registrou queda significativa no número de novos empreendimentos. Ainda assim, há expectativa de retomada nos próximos dois anos, o que pode representar nova frente de demanda para o setor de equipamentos de elevação.
Para 2026, o cenário permanece incerto. Por ser um ano eleitoral, Cunha acredita que pode haver algum estímulo adicional em obras públicas, embora o ambiente ainda seja considerado nebuloso pelas empresas do setor. Mesmo diante das incertezas, ele avalia que a indústria se mantém resiliente e preparada para aproveitar oportunidades à medida que novos investimentos forem confirmados.
Diversificação de mercados
O mercado de elevação e movimentação de cargas manteve, em 2025, um perfil fortemente diversificado, com empresas atuando em frentes que vão de energia e mineração à siderurgia, celulose, infraestrutura e óleo e gás. Executivos e empresários do setor destacam que a variedade de demandas consolidou novos nichos e reforçou a presença em áreas tradicionais.
A Darcy Pacheco ampliou sua participação em múltiplos segmentos, incluindo energia eólica, serviços de operação e manutenção, mineração, óleo e gás e celulose, segundo o CEO Adauri Silva. Na engenharia, a Techint manteve forte atuação em siderurgia e projetos EPC, ao mesmo tempo em que intensificou investimentos em energias renováveis e retomou operações no offshore, informou o engenheiro Augusto Ciffone.

Com foco principal em mineração, a Máquinas Bolbi também projeta avançar em siderurgia em 2026, enquanto avalia oportunidades de expansão internacional, afirma o diretor operacional Alexander Biskupski. Já a Macedo Transportes Pesados manteve como eixo central o transporte e a movimentação de máquinas e equipamentos industriais, ampliando sua capacidade operacional após novos investimentos.
No setor de óleo e gás e em refinarias, a Guindastes Tatuapé teve um ano marcado por forte demanda, além de estrear em operações ligadas a data centers, segmento em expansão no país, conforme destaca o presidente Denys Garzon Rodrigues. A IPS Engenharia atuou de maneira igualmente plural, com projetos em infraestrutura, fertilizantes, petroquímica, refinarias e óleo e gás, informa o diretor Edvaldo Peixoto.
A Transdata reforçou sua presença em mineração e siderurgia, consolidando-se em soluções de engenharia de movimentação, além do tradicional transporte de cargas indivisíveis, explica o gerente-geral Eiti Miura. A Locar, por sua vez, manteve forte presença em infraestrutura, mineração e operações onshore, áreas consideradas estratégicas para o crescimento da companhia, segundo o superintendente Henrique Arcoverde.

Entre as empresas com atuação intensa em óleo e gás, a Super G destacou também operações em refinarias, manutenção industrial, energia e linhas de transmissão, de acordo com o diretor comercial João David Bueno. No campo da celulose, siderurgia, aeronáutico e inspeções estruturais, a Cunzolo ampliou suas operações, relata o diretor Marcos Cunzolo. A Saraiva Equipamentos reforçou ainda a presença em óleo e gás, fertilizantes, eólico, mineração, siderurgia e infraestrutura, segundo a gerente comercial Mariana Saraiva.
A Montcalm consolidou sua presença nos segmentos de mineração, siderurgia, energia — com destaque para projetos térmicos — e avançou no setor de papel e celulose com o projeto Sucuriú. Também manteve atuação relevante junto à Vale, Gerdau e Raízen, conforme explica o diretor de operações Paulo Tércio Soares Ávila.
Na área de energia, a Megatranz concentrou suas atividades principalmente em projetos envolvendo transformadores e iniciou sua entrada no segmento de celulose, aponta o diretor Renato Zuppardo. Já a WWN Guindastes atuou predominantemente em obras de pequeno e grande porte, especialmente em projetos de metrô, data centers, galpões logísticos e estruturas pré-moldadas, segundo o presidente William Navarro.
Zoomlion amplia presença e projeta otimismo para 2026
O ano de 2025 marcou um ciclo de forte expansão para a Zoomlion no Brasil, consolidando a empresa entre as líderes do mercado de equipamentos de elevação. Segundo Rodrigo Kazuma, gerente nacional da companhia, o período confirmou a estratégia de crescimento adotada nos últimos anos e posicionou a marca entre as três maiores do país em número de vendas. A evolução ocorreu tanto no desenvolvimento de produtos quanto no relacionamento com grandes clientes do segmento de movimentação de cargas pesadas.
No panorama geral do setor, Kazuma avalia que 2025 foi um ano excepcional, especialmente no nicho de máquinas de grande porte. O executivo destaca que o mercado absorveu equipamentos de 800, 900 e até 1.000 toneladas, um indicativo do dinamismo de projetos de alta complexidade e da maturidade crescente da demanda brasileira. Para a Zoomlion, o período representou um movimento de consolidação: a empresa ampliou sua atuação desde máquinas menores até modelos de grande tonelagem, fortalecendo sua presença em diferentes frentes do setor.

Essa trajetória positiva embasa uma perspectiva otimista para 2026, apesar das incertezas típicas de um ano eleitoral. Kazuma reconhece que o cenário político pode influenciar o ritmo de investimentos públicos, mas lembra que segmentos como mineração, óleo e gás e celulose já operam com projetos de longo prazo, cujos investimentos estão contratados e tendem a seguir em expansão independentemente do ciclo eleitoral. Para ele, esses setores sustentam uma visão favorável para o próximo ano e devem continuar impulsionando a demanda por equipamentos.
Embora evite previsões eleitorais, o executivo acredita que a continuidade do atual governo é provável caso o presidente Lula concorra à reeleição. Independentemente do desfecho político, Kazuma reforça que o setor enfrenta desafios estruturais que exigem atenção. O custo do crédito, influenciado pela alta taxa de juros, permanece como o principal obstáculo à aquisição de novos equipamentos. A dificuldade em encontrar mão de obra qualificada também afeta diretamente o ritmo de expansão das empresas, que lidam com vagas em aberto e carência de profissionais preparados para atuar em posições técnicas.
Para mitigar esses entraves, o executivo vê sinais de melhora gradual no ambiente econômico. Projeções apontam para uma redução moderada nos juros até 2026, o que pode contribuir para destravar investimentos. Já a qualificação profissional, afirma, demanda iniciativas contínuas. Embora a Zoomlion ainda trabalhe com contratações de profissionais experientes devido ao ritmo acelerado de expansão, a empresa planeja desenvolver programas próprios de capacitação em médio prazo.
Kazuma também destaca o avanço da inteligência artificial como uma das frentes estratégicas da companhia. A tecnologia já é amplamente utilizada pela Zoomlion na China, inclusive em processos comerciais e operacionais, e deve chegar ao mercado brasileiro nos próximos anos. Segundo ele, a empresa mantém uma divisão dedicada exclusivamente à inovação digital, reforçando sua aposta em eficiência, produtividade e modernização do setor de elevação.
Investimentos e novos aportes em 2026
As empresas de elevação e movimentação de cargas encerram 2025 com investimentos robustos em renovação de frota, tecnologia e qualificação profissional, enquanto projetam para 2026 aportes ainda maiores em equipamentos de grande porte e soluções avançadas de engenharia.
Na Darcy Pacheco, o ano foi marcado pela aquisição de mais de 80 equipamentos, incluindo guindastes, caminhões e carretas. Para 2026, a companhia aposta no aumento da demanda das mineradoras e já encomendou máquinas de 1.200 toneladas, além de modelos de menor capacidade, segundo o CEO Adauri Silva.

Na Techint, os investimentos se concentraram na qualificação de equipes, tecnologia e engenharia de valor. A companhia também direciona recursos para projetos offshore e onshore, além de iniciativas de inovação em inteligência artificial, destacam os engenheiros Augusto Ciffone e Alessandra Oliveira.
A Máquinas Bolbi investiu em três guindastes e avançou principalmente em softwares e engenharia. Para 2026, o foco será ampliar soluções especializadas, impulsionando a capacidade técnica da empresa, afirma o diretor Alexander Biskupski.
Na Macedo Transportes Pesados, os aportes realizados no ano anterior resultaram na chegada de novos equipamentos de alta capacidade — entre eles linhas de eixo e cavalos mecânicos de 300 toneladas —, explica o diretor Cassiano Palomo Macedo.

A Guindastes Tatuapé aplicou recursos em máquinas de grande porte, com destaque para modelos de 900 toneladas voltados ao mercado eólico e industrial. Parte desses equipamentos adquiridos em 2025 tem entrega prevista para 2026, informa o presidente Denys Garzon Rodrigues.
Sem frota própria, a IPS Engenharia direcionou investimentos à formação de equipes e à contratação de profissionais qualificados. Para 2026, a meta é ampliar o quadro em pelo menos 10%, afirma o diretor Edvaldo Peixoto.
A Transdata prepara novos investimentos voltados a soluções customizadas de movimentação, área que fortalece seu diferencial competitivo, segundo o gerente-geral Eiti Miura.
Na Locar, 2025 foi marcado por um amplo aporte para reforçar a frota de guindastes e plataformas. A empresa agora estrutura um plano de investimentos de longo prazo que contempla todo o parque de equipamentos, afirma o superintendente Henrique Arcoverde.

A Super G expandiu a frota e investiu fortemente na capacitação de equipes e novos sistemas. A empresa adquiriu sua primeira máquina de 800 toneladas, que iniciará operações em Manaus a partir de fevereiro de 2026, destaca o diretor comercial João David Bueno.
Na Cunzolo, os investimentos se concentraram na renovação da frota e em tecnologia aplicada à automação de processos operacionais, fator que contribuiu para premiações de inovação recebidas pela empresa, afirma o diretor Marcos Cunzolo.
A Saraiva Equipamentos adquiriu 20 novos equipamentos em 2025, entre guindastes, carretas e empilhadeiras, com capacidades de 40 a 400 toneladas. O destaque é um guindaste treliçado de 400 toneladas, cuja chegada ao país ocorrerá em breve, segundo a gerente comercial Mariana Saraiva.

A Montcalm inaugurou uma nova Central de Equipamentos e incorporou uma máquina de 800 toneladas à operação. O foco agora é fortalecer a estrutura existente para permitir novos avanços, afirma o diretor de operações Paulo Tércio Soares Ávila. A Megatranz direcionou investimentos para linhas de eixo e caminhões superpesados, essenciais para o mercado em que atua, afirma o diretor Renato Zuppardo.
Por fim, a WWN Guindastes inaugurou uma nova sede e reservou na Alemanha um equipamento de 400 toneladas, cuja aquisição definitiva dependerá dos primeiros sinais de mercado em 2026, segundo o presidente William Navarro.
Avanços em ambiente competitivo e orientado a resultados
O ano de 2025 trouxe um cenário de avanços relevantes para o setor de elevação e movimentação de cargas, apesar de desafios ainda presentes. Essa é a avaliação de Paulo Cesar Reis, executivo da Sertrading, que acompanha de perto o desempenho de segmentos como energia, óleo e gás, mineração e infraestrutura — áreas que continuaram impulsionando a demanda por equipamentos especializados ao longo do ano.
Segundo ele, a percepção geral é positiva. A procura por soluções de movimentação permaneceu consistente, sustentada por grandes projetos e pelo ritmo de investimentos em setores estratégicos da economia. No entanto, o ambiente operacional não foi isento de pressões. Custos crescentes de manutenção, aquisição de máquinas e reposição de peças exigiram mais planejamento das empresas. A taxa de juros, ainda elevada, também influenciou diretamente a tomada de decisão, especialmente na renovação de frota e no avanço de projetos de médio e longo prazo.

Apesar desses pontos de atenção, Reis destaca uma mudança estrutural importante no mercado brasileiro: o aumento da profissionalização. A busca por mais segurança, produtividade, rastreabilidade e eficiência tem elevado o nível de exigência e, ao mesmo tempo, contribuído para um ambiente mais maduro, competitivo e orientado a resultados.
Para a Sertrading, 2025 foi marcado por um movimento estratégico de reestruturação. Depois de um período afastada da atuação direta no segmento de máquinas e equipamentos, a empresa iniciou, nos últimos meses, um processo de retomada. De acordo com o executivo, essa volta ocorre em um momento em que a participação da companhia pode gerar valor justamente na etapa mais crítica para grande parte das empresas do setor: a importação de equipamentos.
Reis explica que boa parte dos itens utilizados em içamento, movimentação de cargas, linha amarela e linhas de eixo vem do exterior, o que reforça a importância de estar presente nesse ecossistema. Com expertise em comércio exterior, a Sertrading aposta em soluções que simplifiquem processos, reduzam riscos e ampliem a previsibilidade das operações. O objetivo agora é consolidar essa retomada, fortalecer relações com o mercado e ampliar a oferta de serviços voltados a facilitar o acesso das empresas a equipamentos de alto desempenho.
Olhando para os desafios que permanecem, o executivo ressalta que o ambiente econômico ainda é o principal fator de incerteza. O custo do capital segue como um obstáculo para investimentos robustos e contínuos. A elevação dos juros restringe a capacidade de planejamento das empresas e dificulta a aquisição de máquinas de alto valor agregado, impactando diretamente segmentos que dependem de tecnologia e modernização para manter competitividade.
Mesmo assim, Reis vê espaço para crescimento em 2026, impulsionado pela maturidade das empresas, pela retomada de investimentos gradativos e pela necessidade permanente de soluções eficientes para suportar grandes projetos pelo país.
Crescimento com cautela marca o setor em 2025
O ano de 2025 foi marcado por forte expansão, mas também por cautela no setor de comércio exterior, avalia Fernando Smith, diretor comercial e sócio da Timbro Trading. Segundo ele, o período foi positivo para a empresa, que registrou crescimento expressivo, porém enfrentou desafios relevantes, especialmente no campo do crédito. “Foi um ano muito bom, de muito crescimento, mas também de cautela, principalmente com crédito, taxa de juros elevada e certa apreensão para 2026. Apesar de ser um ano eleitoral, vamos ter que prestar bastante atenção”, afirma.

Mesmo diante do cenário mais conservador, a Timbro projeta um 2026 de continuidade no ritmo acelerado. Smith estima crescimento mínimo de 20% e destaca que a companhia segue ampliando sua presença no mercado. Em 2025, a Timbro entrou para o grupo das 100 maiores empresas brasileiras e foi reconhecida como a 23ª maior do agronegócio no país. A expansão também incluiu investimentos nas operações de armazenagem e movimentação de máquinas no Espírito Santo, reforçando sua posição como uma das principais importadoras do Brasil.
Para Smith, entretanto, o ambiente de negócios segue desafiador. O maior entrave continua sendo o crédito, afetado pelos juros elevados e por análises mais rígidas por parte das instituições financeiras. Ele alerta ainda para a entrada de novos players que, segundo ele, nem sempre oferecem o suporte adequado a distribuidores e locadores no mercado nacional.
Principais desafios do setor
O setor de içamento e movimentação de cargas segue enfrentando entraves estruturais, pressões econômicas e crescente competitividade. Empresários e executivos destacam que 2025 tem sido um ano de desafios complexos — muitos deles já conhecidos e outros acentuados por fatores econômicos e geopolíticos — enquanto 2026 se aproxima com incertezas, mas também com expectativa de retomada em alguns segmentos.
Para Adauri Silva, CEO da Darcy Pacheco, a principal tarefa é transformar desafios em oportunidades. Ele afirma que, apesar das dificuldades políticas e econômicas, o país ainda oferece amplo potencial de expansão para quem consegue enxergar além das limitações atuais. Na Techint, o desafio é manter competitividade tecnológica frente a um mercado brasileiro cada vez mais qualificado. Para o engenheiro Augusto Ciffone, estar “um passo à frente” da concorrência exige inovação constante e equipes altamente preparadas.
Nos transportes pesados, o gargalo mais grave segue sendo a infraestrutura. Cassiano Palomo Macedo, diretor da Macedo Transportes, destaca os obstáculos enfrentados nas rodovias e pontes, além da burocracia na obtenção de autorizações especiais de trânsito — fatores que complicam a movimentação de cargas superpesadas. Infraestrutura também é preocupação central para o SETCESP. O presidente Marcelo Rodrigues destaca que, embora o estado de São Paulo tenha boas rodovias, a realidade nacional é muito diferente e impacta diretamente a segurança, a eficiência e o chamado “Custo Brasil”.

A competitividade crescente, especialmente com a entrada de máquinas asiáticas no país, é um ponto de atenção para a Guindastes Tatuapé. O presidente Denys Garzon Rodrigues observa que o setor exige investimentos contínuos em controles, segurança e organização para enfrentar o novo cenário. Para a Saraiva Equipamentos, o principal desafio de 2026 será o setor eólico, que sofre com a escassez de novos projetos. Mariana Saraiva alerta que muitas máquinas de grande porte podem ficar sem demanda no próximo ano.

Na área de engenharia, a resistência a novas tecnologias é o maior entrave, segundo Edvaldo Peixoto, diretor da IPS Engenharia. “O setor ainda é conservador, e a implementação de novas ideias encontra muita resistência”, afirma. O cenário econômico global também influencia o desempenho das empresas. Eiti Miura, gerente-geral da Transdata, menciona que restrições e impactos vindos dos Estados Unidos afetaram projetos em 2025, mas acredita que 2026 deve trazer boas oportunidades.
As exigências de normas de segurança e a forte concorrência são os principais pontos de atenção para a Locar, segundo o superintendente Henrique Arcoverde, que projeta desafios semelhantes para 2026. No segmento de locação de guindastes, o desequilíbrio entre custos e preços de mercado é crítico. João David Bueno, diretor da Super G, aponta que o valor dos equipamentos, insumos e mão de obra sobe continuamente, mas as taxas de locação não acompanham essa alta, comprimindo as margens do setor. A Montcalm vê na competitividade acirrada e na pressão por preços seus grandes entraves atuais. O diretor Paulo Tércio Soares Ávila ressalta que, mesmo sob forte disputa, a empresa precisa manter padrões elevados de segurança, produtividade e confiabilidade dos equipamentos.
O gargalo da mão de obra
A escassez de profissionais qualificados tornou-se, de forma quase unânime, o principal obstáculo para as empresas de içamento e movimentação de cargas no país. Executivos do setor afirmam que o problema é estrutural, histórico e cada vez mais crítico, impactando produtividade, segurança e competitividade.
Para Alexander Biskupski, diretor operacional da Máquinas Bolbi, a dificuldade começa na base. Segundo ele, a mão de obra disponível apresenta baixa escolaridade, pouca motivação e produtividade limitada — um cenário que exige das empresas investimento contínuo em formação. “A mão de obra está muito difícil em todos os níveis. É um desafio estrutural do país”, afirma. A Bolbi criou uma escola interna há cerca de dez anos para capacitar profissionais, iniciativa que, além de atender às próprias demandas, passou a contribuir com o mercado. “Formamos gente que depois vira cliente. É um ganho social e técnico”, acrescenta.

Marcos Cunzolo, diretor executivo da Cunzolo Máquinas e Equipamentos, reforça que a qualificação profissional segue como ponto mais sensível do segmento. Ele destaca que, mesmo diante das incertezas provocadas pela reforma tributária, nenhum desafio é tão urgente quanto preparar pessoas. “Temos de investir em qualificação, mesmo sendo difícil. Buscar quem está começando e formar profissionais que, daqui a alguns anos, possam ocupar posições estratégicas”, diz. Para ele, a inteligência artificial deve apoiar sobretudo a produtividade, liberando trabalhadores das tarefas repetitivas para funções que demandam raciocínio crítico.
O presidente da WWN Guindastes, William Navarro, afirma que contratar hoje é mais difícil do que adquirir equipamentos. A mão de obra especializada está desaparecendo, e a reposição tornou-se lenta e incerta. “Perdemos um funcionário e levamos meses, às vezes anos, para repor. O jovem não está mais interessado nessas funções técnicas, migra para outras áreas, como tecnologia”, explica. Navarro observa que o problema é global e exige que as empresas invistam na própria capacitação interna, atraindo e desenvolvendo novos talentos ao longo do tempo.
Perspectivas para o setor em 2026
As empresas de içamento e movimentação de cargas enxergam 2026 com expectativas positivas, embora o ano eleitoral e a volatilidade econômica tragam doses de prudência. Executivos do setor apontam novos investimentos, reorganização interna e o avanço de projetos de infraestrutura, mineração, energia e siderurgia como fatores que devem impulsionar o mercado.

O presidente executivo do Sindipesa, Júlio Eduardo Simões, reforça a influência do ciclo político e da retomada de grandes projetos industriais. “Deve ser um bom ano, com refinarias sendo reativadas e novas fábricas de papel e celulose entrando no radar.”A Guindastes Tatuapé projeta expansão para novos segmentos da locação de equipamentos e acredita que o ciclo eleitoral pode acelerar obras e demandas. “Tudo indica que será um ano positivo, com mais investimentos em infraestrutura”, avalia o presidente Denys Garzon Rodrigues.
Na IPS Engenharia, o cenário também é favorável. O diretor Edvaldo Peixoto informa que contratos já firmados para os próximos dois anos sustentam uma expectativa sólida de crescimento. Henrique Arcoverde, superintendente corporativo da Locar, afirma que a empresa inicia 2026 já com projetos engatilhados e deve reforçar resultados no próximo ciclo. João David Bueno, diretor comercial da Super G, também vê um ambiente favorável: “Há muitas obras no país. Já temos contratos assinados para 2026 e para os anos seguintes”. Para a Cunzolo Máquinas e Equipamentos, o panorama também é otimista. Marcos Cunzolo lembra que anos eleitorais frequentemente impulsionam investimentos: “Esperamos um ano bom”.
Já a Saraiva Equipamentos prevê desafios, especialmente diante da grande oferta de máquinas no mercado. Ainda assim, a empresa aposta na diversificação e no avanço do setor de energia. “Esperamos projetos importantes, especialmente com leilões e novos empreendimentos ligados a hidrogênio verde e geração elétrica”, explica a gerente comercial Mariana Saraiva. Na Montcalm, o foco será fortalecer bases em 2026, preparando novo salto em 2027. “Queremos posicionar a empresa entre as cinco maiores do país”, afirma o diretor de operações Paulo Tércio Soares Ávila.

A Megatranz Transportes prevê início de ano ainda lento, mas antecipa um segundo semestre aquecido no segmento de cargas pesadas. “Estamos confiantes”, diz o diretor Renato Zuppardo. Já a WWN Guindastes adota postura mais cautelosa. Para o presidente William Navarro, eventos como Copa do Mundo e eleições devem reduzir investimentos privados. “Históricamente, anos assim não trazem grandes avanços”, afirma.

Alexander Biskupski, diretor operacional da Máquinas Bolbi, afirma que a empresa deve crescer de forma estratégica e gradual, mantendo foco em resultados e estrutura enxuta. Segundo ele, o ambiente político tende a movimentar recursos e destravar projetos de infraestrutura, ao mesmo tempo em que a mineração se mantém como carro-chefe. “A perspectiva é muito boa, com preço do minério em alta e dólar favorável. Em 2026, queremos ampliar atuação na siderurgia e até avaliar a expansão para fora do país”, diz. Na Macedo Transportes Pesados, o ano será de reorganização. Após um ciclo de ampliação de frota e equipe, a companhia deve priorizar certificações, eficiência e estabilidade operacional. “Será um ano organizacional, sem grandes investimentos”, afirma o diretor Cassiano Palomo Macedo.
