Por: Johnny Forster (*)
È inegável a importância das cadeias produtivas da mineração e da siderurgia. Pelo faturamento que geram para o país, pela arrecadação de impostos e contribuições para os estados, e pelo número de trabalhadores que empregam
e também pelos investimentos plurianuais. A previsão é da ordem de R$ 100 bilhões na siderurgia (2024 a 2028) e US$ 68,4 bilhões (superior a R$ 390 bilhões) na mineração (2025 a 2029). Trata-se de um mercado altamente competitivo, que sofre forte concorrência do aço importado e, ao mesmo tempo, tem que atuar em escala global, destino de importante parcela da produção (de minerais e de aço).
Um dos imperativos desse contexto é a adoção de uma política de ESG (Environmental, Social and Governance). Cabe relembrar que o “E” de ESG significa condutas relacionadas ao meio-ambiente, a letra “S” representa a responsabilidade social e envolve fatores relacionados as pessoas em geral, e contempla questões como saúde e segurança para funcionários ou padrões de trabalho e bem-estar e o “G” de governança significa como a empresa administra seus negócios de maneira responsável respeitando princípios éticos.
Para mineradoras e siderúrgicas no Brasil atenderem a princípios da política de ESG no tocante ao Social (saúde e segurança de pessoas) envolvendo içamento de cargas é necessário que criem uma cultura de segurança abrangente que proteja os trabalhadores (próprios ou terceiros) envolvidos na atividade. Esta cultura de segurança busca preservar a vida dos profissionais e também garantir a integridade dos ativos que são movimentados nas operações diárias.
O caminho para a implantação da cultura de segurança envolvendo içamento de cargas nos setores da mineração e da siderurgia requer não mais permitir práticas que comprometem a segurança e que ainda são realizadas pela maioria esmagadora das pequenas e médias empresas, e até mesmo em muitas grandes corporações. Um exemplo dessas práticas inseguras envolve a compra de acessórios de elevação de cargas e de talhas de baixa qualidade. Estes equipamentos são comprados porque são mais baratos, em consequência não são produtos normatizados que atendem às normas técnicas.
A KITO CROSBY há mais de 250 anos compartilha conhecimento gratuito para os profissionais que fazem içamento de cargas e fornece suas tecnologias inovadoras para as empresas no mundo, aqui no Brasil atuamos há quase quatro décadas com o mesmo padrão de atendimento.
A nossa experiência mundial e presença no mercado local nos permite afirmar com absoluta confiança que pelo menos 7 em cada 10 manilhas utilizadas para fazer içamento de cargas no Brasil descumprem alguma exigência da norma técnica NBR 13545.
Os exemplos do descumprimento da norma técnica NBR 13545 envolvem a venda de manilhas sem certificado do fabricante, ou quando esta documentação é fornecida não se trata de um documento confiável porque não cita os ensaios de tipo que obrigatoriamente deveriam ser feitos durante a produção. Há casos de manilhas em que faltam a rastreabilidade ou grau do aço no corpo, ou a identificação do fabricante e grau do material no pino. Um outro exemplo da gravidade do problema são as manilhas que não possuem nenhuma evidência que foram aprovadas nos testes de carga, de ruptura e nem passaram pelo ensaio de fadiga durante a fabricação.
Estas não conformidades presentes em pelo menos 70% das manilhas utilizadas nos içamentos de cargas aqui no país além de descumprirem a norma técnica desrespeitam a norma regulamentadora de segurança para movimentação de cargas, a NR-11, isso acarreta graves risco de acidentes, infelizmente muitos com fatalidades.
Quando uma empresa, principalmente se for uma mineradora ou siderúrgica companhias que possuem grande efetivo de trabalhadores envolvidos em içamento e que diariamente fazem muitas movimentações de cargas, adota a prática condenável de não cumprir a norma técnica do acessório adotando o critério de comprar o produto somente porque é mais barato, além de expor suas equipes a riscos, se esquece do velho e ainda atual ditado popular “o barato vai custar caro em caso de acidente, e se houver fatalidade, o custo é incalculável”.
O ônus de um eventual acidente causado pelo descumprimento das normas técnicas e da NR-11 repercutirá fortemente nas corporações que seguem uma política de ESG, situação que vai deixá-las muito expostas na sociedade, na mídia e nos mercados globais que atuam.
Para exemplificar um pouco mais sobre o descumprimento de normas técnicas, mesmo existindo no Brasil a NBR 16324 para talhas manuais (de corrente ou de alavanca), há diversos exemplos no mercado brasileiro desses equipamentos vendidos com baixa qualidade e/ou que a segurança é relegada para segundo plano. Essa triste realidade justificaria a proibição nos içamentos de cargas das talhas manuais cujas travas de segurança dos ganchos (superior ou inferior) estraga com pouco tempo de uso, que a placa de identificação se solta com facilidade ou que as informações obrigatórias ficam ilegíveis devido à má qualidade da impressão, ou o punho se solta com facilidade (na talha de alavanca).
Ainda seguindo nos exemplos frequentes de empresas que estão muito distantes de possuírem cultura de segurança em içamento de cargas pode-se citar a contratação de treinamentos apenas para obter o certificado para o trabalhador “atender” uma auditoria, um “procedimento” ou uma exigência do contratante em uma obra/projeto, sem o cuidado de se avaliar tecnicamente se o profissional treinado está capacitado para executar o içamento de cargas sem se envolver ou provocar um acidente.
Para se ter uma noção dessa recorrente realidade de insegurança em içamento de cargas no Brasil, até mesmo grandes empresas do setor de mineração e siderurgia, que atuam globalmente, não estão imunes a incidentes/acidentes causados durante a movimentação das suas cargas, há diversos registros do uso de acessórios ou talhas que não cumprem as normas técnicas e/ou a capacitação disponibilizada para o trabalhador foi de baixa qualidade.
Dados de uma renomada mineradora que atua no Brasil demonstram que uma proporção significativa dos incidentes críticos relacionados a içamento de cargas que aconteceram nas suas unidades foram causados por:
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a) Ferramenta/equipamento com defeito/inadequado;
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b) Desvio não intencional dos procedimentos de trabalho;
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c) Amarração da carga inadequado;
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d) Falha na identificação e avaliação do risco;
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e) Posição inadequada para fazer o içamento;
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f) Uso de ferramenta/equipamento inadequado;
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h) Içamento de carga incorreto;
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h) Falha em alertar/avisar/comunicar.
Diante do exposto, o que fazer para as empresas dos mercados de mineração e siderurgia conquistarem uma cultura de segurança em içamento de cargas?
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Buscar apoio de uma empresa reconhecidamente especialista em soluções para içamento de cargas.
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Usar somente talhas ou acessórios de içamento comprovadamente aprovados nos ensaios de tipo das normas técnicas.
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Exigir que seja entregue junto com a nota fiscal de compra o certificado do fabricante e analisar se este é confiável.
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Realizar a inspeção de pré-uso antes em todo içamento, e orientar-se pela norma técnica. Se existir alguma não conformidade no acessório ou talha, retirar de uso, inutilizar antes do descarte e criar um plano de comunicação para as outras áreas internas investigarem se existem mais peças com o mesmo problema.
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Após o içamento, fazer a inspeção de pós-uso, esta é uma ótima prática mundial recomendável e que ajuda a salvar vidas.
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Usar, lubrificar, higienizar, armazenar e mantener sempre seguindo o manual ou ficha técnica do fabricante.
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Fazer a inspeção completa (em um intervalo sempre menor que 12 meses), seguindo o manual do fabricante e a norma técnica, a pessoa qualificada para esta inspeção é somente o profissional que foi capacitado em um treinamento específico para inspecionar.
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Antes de comprar algum acessório para içamento de carga ou talha criar uma especificação de compra detalhada seguindo as normas técnicas e pedir apoio de uma empresa especialista. A KITO CROSBY disponibiliza gerentes técnicos e parceiros autorizados nos principais centros industriais no Brasil.
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No momento do recebimento de acessórios de içamento ou de talhas novos fiscalizar se o produto entregue segue a especificação técnica de compra, caso exista alguma não conformidade não permitir o uso na empresa, cobrar do fornecedor a solução caso o problema seja solucionável considerando a norma técnica. Se não for solucionável, devolver, trocar de fornecedor e ser mais criteriosa na escolha do fornecedor.
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Criar uma equipe técnica interna (com profissionais da Segurança do Trabalho, Manutenção, Inspeção, Engenharia e Compras) para homologar fornecedores e cadastrar no sistema somente equipamentos que atendam as normas técnicas, o principal critério de compra deve ser sempre técnico e não pelo preço mais barato.
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Capacitar as equipes que fazem o içamento de cargas ou a inspeção avaliando previamente se o conteúdo programático, a carga horária e a proficiência do instrutor estão compatíveis com o risco da atividade.
A implantação adequada destes padrões de segurança transmitirá para o mercado (acionistas, investidores, clientes) que a empresa possui uma cultura de segurança em içamento de cargas aderente à política de ESG, e, também eliminará custos que seriam causados pelos acidentes afetando a produção, a manutenção, reparos na carga acidentada, eventuais indenizações trabalhistas e até mesmo processos criminais (em caso de fatalidades).
Mas afinal, para que fazer “tudo isso”? A resposta é simples, mais vital: para que o trabalhador que faz içamento de cargas volte para casa ao final do dia em segurança para sua família.


