Há situações, em uma operação de levantamento, em que o guindaste vira coadjuvante e a velha técnica notabilizada no antigo Egito volta à cena. O que a princípio parece um retrocesso, na verdade é apenas uma outra opção, que também envolve técnica e toda uma engenharia de movimentação. Mesmo porque macacos manuais, guinchos tipo “tifor”, roletes e pedaços de madeira vem sendo historicamente substituídos por equipamentos mais modernos, com recursos hidráulicos, permitindo comandos a distância, acionamento via controle remoto e grandes capacidades de carga em macacos de pequenas dimensões.
Com essa atualização, a técnica tradicional de levantamento está prevalecendo no manuseio e movimentação de cargas especiais, em muitas operações que envolvem grandes pesos e alturas e espaços confinados. Quem garante é Alexander Boleslaw Biskupski, diretor operacional da Máquinas Bolbi, sediada em Contagem (MG), onde se desenvolveu até um sistema de remoção industrial que permitiu o içamento de uma escavadeira inteira (peso total 900.000 Kg), com a desmontagem do estritamente necessário, para manutenção nos sistemas de giro ou material rodante.
“Os cronogramas de montagem, manutenção ou alteração de layout industrial são bastante rigorosos em relação a prazos de execução e tempo de parada. Todas as possibilidades técnicas devem ser consideradas, inclusive a tradicional”. Segundo o diretor, os atuais equipamentos de remoção também permitem alto rendimento e performance na execução dos serviços.

Os calços de madeira sem bitolas calibradas e sem resistência certificada foram substituídos por calços metálicos padronizados com diversas bitolas, possibilitando o cálculo de capacidade de esmagamento, garantindo segurança na realização das operações e eliminando os impactos ambientais advindos da utilização de calços de madeira.
Os roletes, do mesmo modo, se transformaram em poderosas tartarugas direcionais, com rodas de nylon ou poliuretano, equipadas com mesa de giro. Surgiram os arrastadores hidráulicos e as plataformas hidráulicas para grandes pesos. Biskupski também acredita que o surgimento dos pórticos hidráulicos inovou todos os procedimentos até então conhecidos nas movimentações em espaço confinado, verticalização de máquinas, cargas e descargas.
Os novos equipamentos ou instalações, lembra ele, para agilizar o processo de montagem, estão sendo fornecidos em módulos cada vez mais completos pelos fabricantes – o que também exige dispositivos de elevação de maior capacidade. “Na manutenção industrial não é diferente. O tempo e energia gastos no passado nas desmontagens de acessos, periféricos, cobertura de galpão, não são mais admissíveis”.
Ao investir em técnicas tradicionais de elevação, a Bolbi também tem condições de inovar, criando novas ferramentas de trabalho e acessórios específicos para cada operação. “O foco do cliente é a redução de tempo da máquina parada e o seu manuseio e reparo, com segurança e o mínimo de interferências a serem retiradas. Ele não quer que se desmonte a fábrica para se realizar essa operação com mais espaço”.
