UMA CRUZADA PARA VALORIZAR O INVESTIMENTO

UMA CRUZADA PARA VALORIZAR O INVESTIMENTO

Um problema que tem se agravado no Brasil é a cultura do ‘coitadinho’. Deixa ele trabalhar, dizem, ainda que a empresa não esteja e nem tenha como cumprir com a legislação”. Essa frase resume um pouco o pensamento atual de José Doutel Lopes, diretor-presidente da Transportadora Cruz de Malta, uma das maiores do país no segmento de cargas excepcionais e indivisíveis e dona também de uma respeitável frota de guindastes para locação.

Há seis anos à frente da presidência do Sindipesa (Sindicato Nacional das Empresas de Transporte e Movimentação de Cargas Pesadas e Excepcionais), Lopes preocupa-se com a concorrência desleal desses mesmos “coitadinhos” com empresas estabelecidas, que investem em estrutura e pessoal, pagam impostos e seguem as regras.

“No Sindipesa, temos discutido muito a esse respeito e a ordem é não aceitar associados que não estejam dispostos a fazer a coisa certa, de acordo com a legislação”. Ele acredita que esse problema tende a diminuir com as mudanças em curso na legislação, concessão de rodovias e investimentos principalmente do DNIT que tem trabalhado na instalação de novas balanças e até o próximo ano deve começar a fiscalizar mais intensamente.

“A ordem na Cruz de Malta é continuar investindo em capacitação, novos equipamentos e tecnologias, estabelecendo um diferencial de mercado na base da prestação de serviço, no cumprimento da legislação e na parceria com seus clientes, acreditando no  crescimento do país e no respeito às regras do jogo”.

Para ele, a transferência de rodovias para a iniciativa privada é um aspecto positivo nesse sentido, pois como empresas sabem quanto custa cada centavo que investem em seu negócio. Lopes também reconhece que as rodovias sob concessão realmente melhoraram muito as condições do pavimento. “Fora das rodovias concessionadas, o que temos são estradas em péssimo estado de conservação. E são nessas estradas que temos que colocar para rodar caminhões feitos com padrões europeus e eletrônica embarcada”.

O problema, diz ele, é que o regime de concessão tem dificultado muito a operação do transporte excepcional com uma série de controles e exigências. De Jundiaí a Santos, por exemplo, além dos órgãos de governo (DER e CET), as transportadoras tem que se entender com várias concessionárias como Autoban, Ecovias e com seus departamentos de engenharia, o que aumenta os custos operacionais e principalmente administrativos.

“Paga-se pelo uso da infra-estrutura (Tarifa Adicional de Pedágio), pela viabilização estrutural e geométrica (Estudos de Viabilidade), pelo Acompanhamento da Travessia (sem considerar os impostos) tarifas que, em muitos casos, chegam a ser maiores do que o frete cobrado”.

O diretor-presidente da Transportadora Cruz de Malta está otimista em relação à retomada econômica. Desde que deixou Angola nos anos 70 e desembarcou no Brasil com oito cavalos mecânicos Scania LKT cara chata, tração 6×4 (desconhecidos por aqui), tem lá com ele que o negócio é olhar para a frente. “Claro que acredito que o Brasil vai dar certo. E está dando. Prova disso é que agora mesmo estou embarcando para a Alemanha para adquirir 22 novas linhas de eixo”.

Cabe lembrar que a Cruz de Malta já possui 180 linhas de eixo (além de 210 caminhões/cavalos mecânicos e 350 carretas). “Essas que estamos adquirindo são mais modernas, tem maior capacidade por eixo, a tara é menor e contam com mais válvulas de segurança”, explica ele. Dentre os guindastes para locação, com capacidades entre 35 a 300 t, que no seu entender atendem às principais demandas do mercado, também há planos de adquirir equipamentos de maior porte. “Equipamento, você tem que investir sempre. Senão, acaba ficando para trás e não alcança mais seu concorrente”.

Foi justamente por conta da concorrência que ele também resolveu investir em algumas máquinas chinesas. “O problema é que o aluguel de equipamentos de locação caiu 30% depois da invasão dessas máquinas baratas. E se você está concorrendo tem que ter um pouco de tudo. Mas temos tido problemas de quebras prematuras. É o tal negócio: se você quer filé mignon, tem que pagar por isso, senão acaba comendo cochão duro”.

Trata-se, no entanto, de uma situação isolada. Toda a empresa, incluindo o setor de elevação de cargas é certificada desde 2004 pela DNV Veritas com a ISO 9001:2000 e José Lopes faz questão de dizer que nunca quis uma certificação pró-forma, “só para mostrar ao cliente”. “Apesar de ser muito burocrática, no meu entender, ela nos deu elementos para organizar melhor a empresa. Os auditores do DNV são muito criteriosos e damos total liberdade de ação a eles e temos um funcionário exclusivamente para cuidar desse processo internamente”.

Com cerca de 320 funcionários atualmente a Transportadora Cruz de Malta opera em nível nacional e países do MERCOSUL, a partir de três unidades na Grande São Paulo, em um sistema integrado que pode envolver conjunta ou isoladamente três situações: transporte pesado, remoção industrial e locação/elevação de carga. “Cada vez mais, o cliente quer um preço fechado e estamos preparados para atender todas suas necessidades”

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