Por: Gustavo Cassiolato (*)
Guindastes, pontes rolantes, empilhadeiras e outros equipamentos de movimentação reduzem de forma significativa o esforço necessário para elevar e transportar cargas. Entretanto, a mecanização não elimina a participação humana nem as exposições associadas à preparação, execução e encerramento das operações.
Operadores, riggers, supervisores, sinaleiros, amarradores, montadores, auxiliares e equipes de manutenção continuam submetidos a exigências físicas, cognitivas e organizacionais. Essas exigências aparecem na condução do equipamento, no patolamento, na movimentação de dormentes, na montagem de componentes, na preparação da amarração, no controle da carga, no posicionamento final e nas atividades realizadas na base operacional.
A ergonomia aplicada à movimentação de cargas precisa, portanto, ultrapassar a análise isolada da postura e da cabine do operador. É necessário compreender o ciclo completo da atividade, observar o trabalho real e integrar os resultados da Avaliação Ergonômica Preliminar, AEP, e da Análise Ergonômica do Trabalho, AET, ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e ao Programa de Gerenciamento de Riscos.
A evolução da segurança do trabalho
Durante muitos anos, a segurança do trabalho foi conduzida principalmente de forma reativa. As medidas eram adotadas após acidentes, afastamentos, danos materiais, reclamações ou ações de fiscalização.
O foco concentrava-se no fornecimento de equipamentos de proteção individual, na elaboração de procedimentos e no treinamento dos trabalhadores. Esses elementos continuam sendo necessários, mas não são suficientes para controlar operações complexas, nas quais equipamentos, pessoas, ambiente, comunicação e decisões interagem permanentemente.
A evolução dos conceitos de prevenção ampliou essa abordagem. A gestão passou a considerar a identificação antecipada de perigos, a avaliação dos riscos, a priorização de controles de engenharia, a participação dos trabalhadores, os fatores humanos e a verificação da eficácia das medidas implantadas.
A prevenção deixou de ser apenas uma tentativa de fazer o trabalhador cumprir regras. Passou a analisar as condições que influenciam suas ações.
Quando um profissional coloca a mão próxima a uma carga, movimenta um dormente pesado, trabalha com o tronco inclinado ou permanece por horas em uma posição desconfortável, não basta perguntar se ele recebeu treinamento.
É necessário compreender por que a atividade exige aquela ação, quais recursos estavam disponíveis, como o método foi planejado e quais mudanças podem reduzir ou eliminar a exposição.
É nesse contexto que a ergonomia assume importância estratégica
A ergonomia não se restringe à cadeira, à postura ou ao conforto. Ela estuda a relação entre o trabalho e as pessoas, considerando suas capacidades e limitações, as ferramentas utilizadas, os equipamentos disponíveis, as condições ambientais, a comunicação, o ritmo, a jornada e a tomada de decisão.
Nas operações de movimentação de cargas, a ergonomia deve fazer parte do planejamento técnico e operacional.
Ergonomia não se limita à cabine do equipamento
A cabine do operador é um posto de trabalho importante, mas representa apenas uma parte do ciclo operacional.
O guindaste reduz o esforço necessário para elevar grandes cargas, porém não elimina a sobrecarga humana associada às atividades preparatórias e complementares.
Antes do içamento, a equipe precisa mobilizar materiais, transportar acessórios, posicionar o equipamento, preparar a área, instalar o isolamento, abrir os estabilizadores e movimentar dormentes, placas e calços.
Também é necessário instalar contrapesos, montar componentes, transportar lingas, manilhas e ferramentas, conectar acessórios e estabelecer a comunicação entre operador, sinaleiro, rigger, supervisor e cliente.
Durante o içamento, os trabalhadores acompanham a trajetória da carga, controlam rotações, utilizam cordas guia, reagem a movimentos inesperados, mantêm a comunicação e evitam as zonas de risco.
Após a conclusão, ainda existem atividades de retirada dos acessórios, desmontagem, recolhimento, transporte e armazenamento dos materiais.
Na base operacional, as exposições continuam em tarefas de lavagem, lubrificação, inspeção, manutenção, torque, impacto e movimentação de componentes.
Por isso, avaliar somente a postura do operador sentado não representa o trabalho real. A análise ergonômica precisa abranger toda a operação.
A atividade precisa ser analisada como um sistema
Uma avaliação ergonômica deve considerar fatores físicos, cognitivos e organizacionais.
Os fatores físicos e biomecânicos incluem levantamento e transporte manual, flexão e rotação do tronco, força de preensão, posturas mantidas, trabalho acima dos ombros, movimentos repetitivos, vibração, impacto, torque e deslocamento em pisos irregulares.
Os fatores cognitivos estão relacionados à atenção, percepção, comunicação, memória, interpretação de sinais, tomada de decisão, acompanhamento de alarmes e monitoramento simultâneo de diversas informações.
Os fatores organizacionais envolvem ritmo, jornada, pausas, dimensionamento da equipe, divisão das tarefas, pressão de prazo, autonomia para interromper a operação, disponibilidade de recursos e relação entre contratante e contratada.
Esses fatores não atuam isoladamente.
Uma postura inadequada pode ser consequência de um acesso mal projetado. Um esforço elevado pode resultar da ausência de um carrinho. Uma mão na linha de fogo pode indicar que o processo depende do contato direto para posicionar a carga.
A solução precisa alcançar a origem do problema, e não apenas corrigir o comportamento observado.
O papel da NR 17 nas operações de movimentação de cargas
A NR 17 estabelece que as condições de trabalho sejam adaptadas às características psicofisiológicas dos trabalhadores.
Nas operações com guindastes, essa adaptação deve alcançar a organização do trabalho, o levantamento e o transporte de materiais, os equipamentos, as ferramentas, os postos de trabalho, as condições ambientais e as exigências cognitivas.
Também devem ser considerados ritmo, jornada, pausas, alternância, comunicação operacional e possibilidade de recuperação.
O procedimento escrito é uma referência importante, mas não substitui a observação da atividade.
O trabalho real pode envolver terrenos diferentes do previsto, restrições de espaço, interferências, atrasos, alterações da carga, falhas de comunicação, ausência de recursos auxiliares, variações na equipe e pressão para conclusão do serviço.
A ergonomia precisa analisar essas condições como elas efetivamente ocorrem.
AEP e AET como instrumentos de gestão
A Avaliação Ergonômica Preliminar, AEP, tem como finalidade identificar perigos, caracterizar exposições, avaliar riscos e orientar prioridades.
Seus resultados devem subsidiar o inventário de riscos, o plano de ação do PGR, a seleção das medidas de prevenção e a definição da necessidade de aprofundamento.
A AEP não é uma medida de prevenção por si só.
A realização da avaliação não reduz automaticamente o esforço, a repetição, a vibração ou a exposição das mãos. Seus resultados precisam gerar alterações concretas no método de trabalho, no equipamento, na ferramenta, no ambiente ou na organização.
Quando a situação exige maior aprofundamento, deve ser realizada a Análise Ergonômica do Trabalho, AET.
A AET deve ser considerada quando as medidas implantadas são insuficientes, quando existem queixas persistentes, afastamentos, doenças relacionadas ao trabalho ou acidentes associados às condições da atividade.
Ela também é importante quando fatores físicos, cognitivos e organizacionais estão combinados, quando o processo apresenta grande variabilidade ou quando existe conflito entre prazo, produtividade e segurança.
Seu objetivo é compreender a atividade em profundidade e transformar o sistema de trabalho.
O trabalho real precisa ser observado
Uma avaliação ergonômica não pode ser realizada apenas por meio de fotografias.
A imagem registra um instante, mas não demonstra quanto tempo a postura foi mantida, qual força foi aplicada, quantas vezes a ação foi repetida ou quais dificuldades surgiram ao longo da tarefa.
Também não mostra as decisões tomadas, as falhas de comunicação, as correções realizadas, as esperas, a pressão operacional e a fadiga acumulada.
Da mesma forma, a avaliação não pode ser reduzida a um checklist superficial.
O avaliador precisa acompanhar a sequência completa da atividade, observando posturas, forças, alcances, pegas, deslocamentos, repetições, interrupções, correções, improvisos e comunicação.
É fundamental ouvir quem executa o trabalho.
Os trabalhadores conhecem dificuldades que não aparecem nos procedimentos. Eles sabem em qual etapa é necessário improvisar, qual movimento exige mais força, em que momento a atenção diminui e quais ferramentas realmente contribuem para a execução.
Essa participação é indispensável para a construção de soluções aplicáveis.
Mobilização e deslocamento
A mobilização envolve o transporte do equipamento, dos acessórios, das ferramentas e da equipe até o local da operação.
Nessa etapa, o operador pode permanecer longos períodos sentado, exposto à vibração de corpo inteiro, fadiga, pressão de horário e exigência de atenção.
Também podem existir atividades manuais de carga, descarga e amarração dos materiais para transporte.
O tempo de deslocamento deve fazer parte da avaliação ergonômica. Um operador que chega ao local após várias horas de condução pode iniciar a operação já submetido à fadiga física e mental.
O planejamento deve considerar a duração da jornada, a condição do assento, a suspensão da cabine, a organização dos materiais no veículo e a disponibilidade de meios auxiliares para carga e descarga.
Acesso ao equipamento
O acesso inclui subida e descida da cabine, plataformas, carroceria e estruturas do guindaste.
Escadas inadequadas, degraus contaminados com óleo ou lama, corrimãos mal posicionados e transporte de ferramentas nas mãos aumentam a possibilidade de quedas e sobrecarga dos membros superiores.
O trabalhador deve manter três pontos de contato durante o acesso.
Ferramentas e materiais precisam ser transportados por bolsas, cordas ou dispositivos específicos, evitando que as mãos fiquem ocupadas durante a subida.
Degraus, corrimãos e plataformas devem ser inspecionados, mantidos limpos e possuir iluminação adequada.
Preparação e posicionamento da área
A preparação da área envolve definição da posição do equipamento, instalação de barreiras, organização da circulação e controle das interfaces com outras atividades.
Nessa fase aparecem caminhadas extensas, permanência em pé, exposição ao calor e ao ruído, atenção dividida e conflitos de circulação.
A pressão para liberar rapidamente a área pode comprometer a qualidade do planejamento.
A equipe precisa dispor de tempo, materiais de isolamento e informações suficientes para preparar o local antes do início da operação.
Patolamento e movimentação de dormentes
O patolamento é uma das etapas mais críticas sob o ponto de vista ergonômico.
A atividade envolve abertura das patolas, movimentação de dormentes, placas, calços e nivelamento do equipamento.
Os trabalhadores podem ser expostos ao levantamento manual de peças pesadas, flexão e rotação do tronco, pega inadequada, transporte em piso irregular, agachamento e repetição.
Também existem riscos de esmagamento de mãos e pés entre dormentes, placas, sapatas e o solo.
A movimentação deve ser analisada como um ciclo completo, desde a retirada do material até o seu recolhimento e armazenamento.
Entre as soluções possíveis estão racks laterais, gavetas deslizantes, carrinhos, paleteiras, manipuladores, braços auxiliares e pontos de pega.
Também podem ser utilizadas cintas de manipulação, puxadores, alavancas e ferramentas que permitam posicionar os materiais mantendo as mãos afastadas das zonas de esmagamento.
Sempre que tecnicamente possível, deve ser considerada a substituição por materiais de menor peso, desde que atendam aos requisitos de resistência e distribuição de carga.
Montagem do guindaste e instalação de contrapesos
A montagem pode envolver contrapesos, extensões de lança, jib, pinos, cabos, moitões e outros componentes.
As exposições incluem trabalho acima dos ombros, impacto, vibração, torque, uso de marretas, posturas inclinadas e necessidade de alinhamento preciso.
O risco de prensamento aumenta quando componentes precisam ser posicionados manualmente durante a aproximação.
Sistemas hidráulicos ou mecanizados, dispositivos de alinhamento, plataformas de trabalho e meios de sustentação podem reduzir essas exigências.
Ferramentas de impacto precisam ser adequadas à tarefa, considerando peso, empunhadura, vibração e quantidade de golpes necessária.
Preparação da amarração
A preparação da amarração inclui seleção, transporte e instalação de lingas, manilhas, balancins, proteções e demais acessórios.
Manilhas e lingas de corrente podem apresentar massas elevadas e pegas concentradas, aumentando a exigência sobre mãos, braços, ombros e coluna.
O trabalho próximo ao piso também favorece posturas agachadas e flexão do tronco.
Carrinhos, suportes, racks e pontos de armazenamento em altura adequada podem reduzir o transporte manual.
A preparação dos acessórios deve ocorrer antes do início do içamento, evitando pressa e improvisação com a carga em condição operacional.
Içamento e controle da carga
Durante o içamento, exigências físicas, cognitivas e organizacionais estão presentes ao mesmo tempo.
O operador acompanha indicadores, alarmes, sinais e comunicação por rádio. O sinaleiro observa a carga, o equipamento, as pessoas e as interferências. O rigger e o supervisor acompanham o método, a trajetória e os parâmetros técnicos.
Os trabalhadores podem precisar reagir rapidamente a movimentos inesperados.
A utilização de cordas guia pode reduzir o contato direto com a carga, mas seu uso também exige planejamento.
O ponto de conexão, o comprimento, a posição do trabalhador, a rota de fuga e a possibilidade de liberação devem estar definidos.
A comunicação deve ser padronizada e a operação interrompida sempre que houver perda de contato ou dúvida sobre o comando recebido.
Posicionamento final
O posicionamento final é uma etapa crítica porque a carga se aproxima de estruturas, bases, equipamentos e superfícies de apoio.
O espaço disponível tende a diminuir, enquanto aumenta a necessidade de precisão.
É nesse momento que surgem tentativas de alinhar, empurrar, apoiar ou sentir a carga com as mãos.
Quando a mão passa a funcionar como ferramenta, existe um sinal de falha no método.
Bastões balizadores, gabaritos, batentes, guias, calços e ferramentas de empurrar e puxar podem reduzir a necessidade de contato direto.
O sistema deve ser imobilizado antes de qualquer ajuste manual.
Luvas protegem contra abrasão e pequenos impactos, mas não protegem contra esmagamento.
Desmobilização
A desmobilização ocorre quando a equipe já acumulou esforço e fadiga ao longo da operação.
A pressa para liberar o equipamento, o recolhimento de dormentes, o transporte de acessórios e a redução da supervisão podem aumentar a possibilidade de incidentes.
O encerramento precisa receber a mesma atenção dada à preparação.
A sequência deve ser planejada, os materiais precisam ser organizados e os meios auxiliares utilizados na montagem devem permanecer disponíveis durante a desmontagem.
Operação na cabine
A cabine combina postura, vibração, visibilidade, comunicação e carga mental.
O operador pode permanecer sentado por longos períodos, com necessidade de acompanhar a carga, os indicadores e o sinaleiro.
Quando a visibilidade é inadequada, podem ocorrer rotação sustentada do pescoço, inclinação do tronco e projeção do corpo para frente.
O assento deve permitir regulagem de altura, distância, inclinação, apoio lombar e apoio de braços.
Os comandos precisam ser alcançados sem elevação contínua dos ombros ou afastamento da coluna do encosto.
Reflexos, ofuscamento, calor, ruído, ventilação e vibração também devem ser avaliados.
Câmeras, monitores e sistemas de comunicação podem reduzir exigências posturais e cognitivas, desde que estejam corretamente instalados e mantidos.
Manutenção e atividades na base operacional
A manutenção envolve torque, impacto, inspeção, lubrificação, lavagem e substituição de componentes.
Os trabalhadores podem atuar ajoelhados, deitados, com braços elevados ou em espaços reduzidos.
Ferramentas pesadas, reação de torque e vibração aumentam a sobrecarga sobre mãos, braços, ombros e coluna.
Peças armazenadas no piso exigem levantamento frequente. Componentes acima dos ombros aumentam o alcance e a instabilidade.
Bancadas, mesas elevatórias, talhas, braços giratórios, suportes de ferramentas e plataformas podem melhorar as condições de trabalho.
O projeto dos componentes também deve prever pontos de içamento, acesso para manutenção e meios de sustentação.
Lombalgia e sobrecarga da coluna
A lombalgia não depende apenas do peso levantado.
Ela resulta da combinação entre peso, distância da carga, postura, pega, frequência, duração, terreno e organização do trabalho.
O risco aumenta quando o trabalhador retira a carga do solo, mantém o material distante do corpo ou realiza transporte com rotação do tronco.
Orientar sobre postura é importante, mas não substitui a eliminação ou redução da exigência.
A prioridade deve ser eliminar o manuseio manual quando houver alternativa mecanizada, reduzir peso e distância, melhorar as condições de pega, reorganizar os materiais e alternar atividades.
Prevenção de prensamentos
O prensamento costuma ser tratado como falha individual, mas frequentemente possui relação com o projeto da atividade.
Quando o trabalhador precisa alinhar, apoiar, corrigir ou controlar uma carga diretamente, o processo está exigindo que a mão seja utilizada como ferramenta.
A prevenção precisa eliminar essa necessidade.
Cordas guia, bastões, gabaritos, puxadores, alavancas, batentes, dispositivos magnéticos e sistemas de liberação remota são exemplos de controles possíveis.
Nenhuma mão deve permanecer em um local cuja retirada dependa da reação do operador, do equilíbrio da carga ou da ausência de movimento inesperado.
Corda guia como parte do método
A corda guia deve ser especificada e integrada ao planejamento do içamento.
Ela precisa ter comprimento adequado, boa visibilidade, pega compatível, terminal apropriado, condição de inspeção e forma organizada de armazenamento.
Seu objetivo é controlar a rotação e manter o trabalhador afastado da carga.
A corda nunca deve ser enrolada na mão, no braço, na cintura ou na perna.
O trabalhador deve manter rota de fuga e liberar a corda sempre que houver tração perigosa ou enroscamento.
Ferramentas, tecnologias e exoesqueletos
Ferramentas adequadas podem reduzir força, vibração, repetição e posturas extremas.
A seleção deve considerar peso, formato da empunhadura, comprimento, reação de torque, vibração, uso de luvas e frequência da tarefa.
Exoesqueletos podem ser estudados em atividades específicas, como trabalho com o tronco inclinado, braços elevados ou sustentação de ferramentas.
Entretanto, não devem ser utilizados para justificar aumento do peso movimentado, redução da equipe, eliminação de pausas ou manutenção de postos inadequados.
A implantação deve começar pela AEP, seguir por teste piloto e contar com participação dos trabalhadores.
Os resultados precisam ser comparados antes e depois, considerando esforço, conforto, liberdade de movimento, compatibilidade com EPIs e possibilidade de criação de novos riscos.
Gestão, indicadores e verificação da eficácia
A ergonomia precisa fazer parte da gestão diária das operações.
Isso exige integração entre SSMA, operação, manutenção, engenharia, saúde ocupacional, suprimentos, treinamento e gestão de contratos.
Os planos de ação devem indicar a medida, o responsável, o prazo, os recursos necessários, o indicador e o critério de eficácia.
A compra de um equipamento ou a publicação de um procedimento não encerram a ação.
É necessário retornar ao local e verificar se houve redução de força, distância, repetição, contato manual, incidentes, queixas e afastamentos.
Também é necessário confirmar se a solução não criou novos riscos.
Conclusão
A evolução da segurança do trabalho exige uma mudança de perspectiva.
Não basta orientar o trabalhador a manter uma postura correta em uma atividade mal planejada.
Não basta fornecer luvas quando o método exige colocar as mãos em uma zona de esmagamento.
Não basta realizar treinamento se a equipe não possui ferramentas, equipamentos e tempo adequados.
Ergonomia aplicada às operações com guindastes é gestão do método de trabalho.
É analisar cada etapa, compreender as exigências físicas, cognitivas e organizacionais e transformar as condições da atividade.
Essa abordagem reduz improvisos, sobrecargas e contato com a carga. Também melhora a comunicação, a confiabilidade do processo e a capacidade de prevenir acidentes e afastamentos.
A ergonomia não deve ser tratada como tema complementar.
Ela precisa integrar o planejamento, a mobilização, a montagem, o içamento, a desmobilização, a manutenção e a melhoria contínua das operações de movimentação de cargas.



