Os mais jovens empresários talvez não se recordem, mas houve um período, poucas décadas atrás, em que o Brasil praticamente paralisou seus investimentos em infraestrutura. Após o ciclo de grandes obras financiadas pelo Estado entre o fim dos anos 1960 e a década de 1970, o país mergulhou nos anos 1980 em forte endividamento público e inflação elevada, limitando a capacidade de financiar novos projetos estruturantes.
A estabilização promovida pelo Plano Real (1994) abriu caminho para um novo modelo, consolidado com a Lei das Concessões (1995) e, mais tarde, com a Lei das PPPs (2004). Desde então, a participação do capital privado transformou-se em política de Estado, viabilizando leilões e contratos em rodovias, aeroportos, portos e ferrovias. De lá para cá, mais de 160 leilões federais foram realizados, com forte participação do mercado.
Um processo virtuoso que ganhou escala e passou a ser adotado pela maioria dos estados, independentemente do governo de plantão. Esta edição especial da Crane Brasil apresenta um mapeamento dos principais empreendimentos em execução, fruto de leilões anteriores, e das novas oportunidades que poderão surgir para as empresas de movimentação de cargas com as concessões programadas para este ano.
Isso permite antecipar o planejamento e provisionar ativos em um mercado cada vez mais competitivo, técnico e exigente. O ciclo de infraestrutura em curso não é episódico; é estruturante — e exige capacidade instalada, qualificação de equipes, frota adequada e visão de longo prazo.
Wilson Bigarelli
Editor
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