Por: Camilo Filho (“)
A energia eólica e a energia solar são populares por sua sustentabilidade e menor impacto ambiental em comparação com os combustíveis fósseis. No entanto, ser bom para o meio ambiente não torna automaticamente esses sites de obras mais seguros para os colaboradores. Em realidade, o setor de energia eólica apresenta riscos únicos dos quais as empresas e trabalhadores precisam estar atentos durante as operações de montagem e posteriormente na manutenção. Considerando que os parques eólicos, obviamente só são montados onde há abundância de vento, e todos sabemos que o vento é um dos principais causadores de acidentes na operação de guindastes.
Desafios na Montagem de Eólicos
Assim como o trabalho de montagem de redes de transmissão, ou oleodutos, os parques eólicos geralmente estão localizados em áreas remotas, longe de hospitais e serviços de resgate. As estradas de acesso e saída desses locais normalmente são de terra, de difícil acesso e nem sempre bem conservadas. Isso torna ainda mais importante que as empresas tenham planos para o resgate ou evacuação de trabalhadores feridos antes que ocorra um incidente.
Obviamente, a princípio, parques eólicos são instalados em zonas com condições de vento constante e claro isso faz aumentar o risco de quedas quando a velocidade do vento atinge níveis inseguros. Isso é preocupante, porque normalmente são utilizados guindastes de grande porte, e estes podem ficar instáveis e tombar com ventos fortes.
Esses riscos são ainda mais problemáticos para parques eólicos offshore, que geralmente ficam a quilômetros da costa e são propensos a condições climáticas extremas que podem mudar muito rapidamente.
Montar parques eólicos envolve riscos significativos, encarar desafios tais como: trabalhar em altura, içamento de cargas pesadas, logística complexa(especialmente o transporte das pás), incidentes e acidentes, riscos elétricos e trabalhar em condições climáticas adversas, levando a possíveis quedas, eletrocussões, danos a equipamentos e atrasos logísticos, exigindo protocolos rigorosos de segurança, equipe e equipamentos especializados e avaliações minuciosas de risco para o pessoal e instalações.
No que cabe aos içamentos, trabalhar sob condições de vento forte, é um grave fator de risco. A internet está cheia de fotos e vídeos desses acidentes. Sabemos que as lanças dos guindastes, por sua natureza de projeto e construção, não são projetadas para cargas laterais excessivas, tem pouca resistência a esse efeito.
Também vale lembrar que, na carga lateral da lança, ou seja, com o vento atuando lateralmente na lança, “se não houver mudança de raio o computador do guindaste não sente essa carga lateral”. Esta é mais uma razão para entender que o “computador do guindaste”, é um auxiliar do operador, mas não o responsável pela segurança da operação. Pela definição: “the LMI, is an operator aid”.
Assim como todos os outros içamentos, a decisão final deve pertencer ao operador, mas deve ser dado o devido suporte a ele, para que tome decisões embasadas nas boas técnicas e práticas da engenharia, ao qual o trabalho está atrelado. A complexidade adicional destes içamentos, e os riscos extras que eles representam, devem ser claramente identificados, comunicados e mitigados.
Da mesma forma como são realizados os trabalhos de içamento na indústria petroquímica, numa refinaria, onde os padrões de segurança exigidos são altos, as empresas contratantes e as locadoras nas montagens das fazendas eólicas, devem preparar planos de “rigging” detalhados e métodos de trabalho seguros; treinamento específico para esta atividade, dds’s diários e assegurar-se de que todos os envolvidos estão cientes dos riscos inerentes a atividade e os procedimentos para mitigação dos mesmos.



Excelente matéria camilo
Parabéns, Eng. Camilo Filho, pela reportagem super esclarecedora sobre os riscos na montagem de torres eólicas! Abordou pontos críticos e trouxe insights valiosos para a segurança no canteiro de obras. Muito obrigado por compartilhar essa informação importante!