ESTRATÉGIA MUITO ALÉM DA CRISE

8 de agosto de 2017

INDÚSTRIA

Por Redação Crane Brasil

A XCMG mantém os investimentos programados no Brasil, apesar da crise política e seus reflexos na atividade econômica. Maior prova foi a contratação de 150 novos funcionários, entre dezembro e junho de 2017, aumentando seu quadro de funcionários para 450 pessoas, incluindo a área comercial e de serviços, além da fábrica em Pouso Alegre (MG). Um dos maiores investimentos do Grupo, fora da China, o aporte no Brasil já ultrapassa US$ 500 milhões.

“Há problemas em todo o mundo e no Brasil está um pouco mais complicado, mas viemos para ficar e a nossa estratégia envolve toda a região, do México ao Uruguai”, diz Cui Jisheng, presidente da XCMG na América Latina. A fábrica brasileira, segundo ele, exporta hoje de 30 a 40% de sua produção e está consolidada para a retomada da economia brasileira.

O aumento no número de funcionários é só parte de um processo maior de ampliação de serviços pós-venda e capacitação de equipes. A empresa, aliás, acaba de anunciar a instalação de uma filial em São Luís, no Maranhão, para estabelecer uma base local para atendimento a toda a Região Nordeste. Está em desenvolvimento também na empresa de tecnologia do Grupo na China um sistema próprio de controle remoto de gestão de equipamentos.

Cui Jisheng, presidente da XCMG na América Latina

Cui Jisheng lembra também que as peças de reposição passaram a ser oferecidas a preços mais competitivos, atendendo a uma antiga demanda do mercado. Em relação aos equipamentos, a XCMG quer prevalecer pela tecnologia e qualidade dos seus equipamentos, diz Cui Jisheng. “Nós investimos muito em tecnologia de ponta nos últimos 30 anos com esse objetivo. Queríamos acabar com o preconceito de que equipamento chinês era de má qualidade. E conseguimos: hoje somos líderes mundiais em nossas linhas de  guindastes, o terceiro em equipamentos de concretagem e o número 1 da China em terraplenagem”.

A fábrica brasileira, segundo ele, está alinhada com essa estratégia global. Instalação completa, onde produz desde peças até a montagem final de suas máquinas, incluindo as fases de usinagem e pintura, já é bastante avançada para os padrões do setor. Os planos, no entanto, incluem a sistematização interna ainda maior do sistema fabril, com automatização de montagem de todas as linhas – tanto caminhões-guindaste, quanto máquinas da linha amarela. Ao padrão global, a XCMG associa a nacionalização, como um fator de competitividade, e à adaptação às condições locais.

“Não abrimos mão da qualidade e tecnologia do produto, mas temos que levar em conta as condições operacionais dos equipamentos no mercado”, diz Cui Jisheng. Ele cita um caso específico. “Na China, a motoniveladora é utilizada em trabalhos mais leves. E, no Brasil, muitas vezes, é utilizada como trator. E fizemos modificações nesse sentido”. O exemplo dos guindastes é mais conhecido. No mercado chinês, ele tem um uso mais local e no Brasil ele se desloca muito mais e foi necessária uma customização nesse sentido.

Outra estratégia da XCMG é a ampliação da oferta de equipamentos no mercado, incluindo os lançamentos recentes da retroescavadeira (desenvolvida em conjunto entre a fábrica chinesa e brasileira), as escavadeiras, carregadeiras e equipamentos de terraplanagem, como as motoniveladoras. O objetivo obviamente é participar do novo ciclo de investimentos em infraestrutura no Brasil que inevitavelmente ocorrerá com o arrefecimento da crise atual.

Segundo o presidente da América Latina, a XCMG tem uma grande expectativa na parceria entre o Brasil e a China. “Temos um relacionamento histórico positivo, sem conflitos, e demandas complementares. Há grande interesse de empresas e do governo chinês em investir no Brasil. É uma questão de tempo para o surgimento de novos projetos e estamos preparados para atender essa demanda”.

 

 

 

 

 

 

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