ENTREVISTA: RESTRIÇÕES À CIRCULAÇÃO EM SÃO PAULO

Por Redação Crane Brasil

Compreende-se a necessidade de se estabelecer restrições para se ordenar o trânsito, principalmente em uma cidade como São Paulo. Mas, considerando-se que haja, por parte do poder público, uma abertura permanente para análise e revisão do estabelecido na legislação, ouvimos o Engº Antonio Tadeu Prestes de Oliveira (“Toni”), diretor  Antonio Prestes, da Divisão de Transportes de Carga (DTC), da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes.

Crane Brasil: Empresas do segmento de guindastes entendem que esse equipamento móvel deve merecer, perante à legislação, uma classificação distinta do caminhão. O senhor concorda?

Antonio Prestes: Esses equipamentos são regidos pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB)  Art. 101, parágrafo 3º, e da Resolução 210/06. Na cidade de São Paulo, prevalece a Portaria DSV/GAB Nº 005/82, que estabelece regras de trânsito, através de autorização especial específica. Essa portaria está sendo atualizada e será publicada,  brevemente, com as alterações.

Crane Brasil:   O enquadramento atual – com as restrições vigentes em relação a horários de circulação – segundo esses empresários, gera custos desnecessários (de máquina parada) aos contratantes do serviço e aos locadores. Considerando que, na maior parte dos casos, os equipamentos estão mobilizados em obras, haveria como flexibilizar esses horários?

Antonio PrestesAs  atuais restrições, vigentes para caminhões no município, estão previstas na Portaria SMT/GAB Nº 031/16 e abrangem principalmente o Anel Viário e a sua área interna de 100 Km², que representa menos de 10% do total. Os guindastes montados sobre caminhões sofrem essas restrições, diferentemente dos auto propelidos, que sofrem restrições devido aos excessos dianteiros e traseiros.Visando a segurança de todos os usuários do sistema viário,esta regra de restrição por excesso consta nas autorizações especiais.

Crane Brasil :   Haveria um meio de compatibilizar as exceções abertas para atendimento de obras com a aplicação de multas por meio eletrônico (radares)?

Antonio Prestes: A Secretaria de Mobilidade e Transportes (SMT), através da Divisão de Transportes de Cargas (DTC), implantará projetos que modernizarão  o segmento, e  tornarão as entregas e as atividades geradas no município  mais eficientes. Queremos também estimular o uso de aplicativos para melhorar a eficiência nas entregas e nas atividades geradas na cidade.

Crane Brasil:    O uso de tecnologia (aplicativos em particular) não poderia criar uma situação mais dinâmica, estabelecendo restrições em função das condições de tráfego na cidade?

Antonio Prestes:O uso dos aplicativos é muito bem visto e será estimulado pela SMT, de forma permanente, analisando e colaborando para o seu desenvolvimento.

Crane Brasil:    Há questionamentos também, por parte dos locadores de guindastes, em relação ao número e à burocracia na concessão de licenças. O senhor concorda? Há algum trabalho que vem sendo feito ou está previsto para agilizar esse processo?

Antonio Prestes: A atual administração trabalha para desburocratizar a prestação de serviços, por meio da informatização. Para assegurar mais eficiência aos processos no segmento de cargas e veículos superdimensionados, está sendo desenvolvido o Sistema Unificado de Autorizações Especiais (SUAE).

Crane Brasil:    Como funciona hoje?

Antonio Prestes: Hoje, o solicitante protocola o seu requerimento de Autorização Especial de Trânsito (AET), juntado a cópia simples do documento do veículo (CRLV) e recolhimento da taxa R$33,44. Se esse processo for feito até as 12 horas, a autorização será liberada até às 17 horas.

Crane Brasil :   Como grande parte dos problemas urbanos do trânsito em São Paulo tem âmbito metropolitano, o senhor não acha que pelo fato de hoje termos, coincidentemente, um governador e um prefeito afinados politicamente não é uma oportunidade para que se crie uma sinergia entre as ações dos órgãos municipais e estaduais?

Antonio Prestes: Ainda de forma embrionária, já estamos criando um comitê multissetorial reunindo toda a cadeia produtora, distribuidora e recebedora da região metropolitana. Queremos envolver a todos: as universidades, os comerciantes, o pessoal da indústria e equacionar todo o assunto abastecimento das grandes cidades com o que há de mais moderno entre as melhores práticas no mundo.

Crane Brasil:  Quais as principais prioridades estabelecidas pela nova gestão na Secretaria de Mobilidade e Transportes? Em alguma medida, elas podem refletir positivamente no segmento de guindastes?

Antonio Prestes: Com uso de tecnologias e discussões setoriais poderemos melhorar os deslocamentos dentro do sistema viário da cidade. Esse é o grande desafio das grandes cidades. Encontrar soluções para garantir melhor fluidez no trânsito e circulação equilibrada nos diferentes modais que compõem a mobilidade urbana. A atual administração não medirá esforços para que o deslocamento do paulistano se faça em tempos menores, o que reflete em qualidade de vida e desenvolvimento econômico. O conjunto de medidas a serem implementadas pela atual administração no transporte coletivo, sistema e viário e mobilidade ativa terão, sem dúvida, reflexos positivos também para o segmento.

Crane Brasil:Em sua opinião, o poder público tem condições de administrar exceções (como essa de locadores de guindastes e outras de caminhoneiros, empresas de coleta, betoneiras, etc). Em suma, é possível ordenar os fluxos de tráfego em São Paulo?

Antonio Prestes: Nossa mensagem é deixar claro que a Secretaria de Mobilidade e Transportes está sempre aberta a receber todas as propostas do segmento de transporte de cargas, para que possamos implementar ações que resultem na integração de todo o setor de forma racional à rotina da cidade. Todas as soluções serão construídas em um ambiente de diálogo e propositivo.

 

 

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