DICAS PARA REPARO EM GUINDASTES

11 de agosto de 2016

Manutenção

Por Miguel Tadano (*)

Conceitos básicos, experiência

A manutenção de guindastes envolve dois sistemas principais: sistema hidráulico e sistema elétrico. Há também um terceiro tipo de problema – mais fácil de detectar e comum a todas as máquinas – que é o problema mecânico. Problemas mecânicos são mais fáceis de detectar porque normalmente são visíveis como, por exemplo, a quebra de uma peça. Além disso, há mais profissionais experientes que sabem resolver esse tipo de problema.

Para se tornar apto a diagnosticar problemas em sistemas hidráulicos ou elétricos, no entanto, é recomendável investir em cursos técnicos de eletrônica e hidráulica ou técnico em mecatrônica. Mesmo porque, geralmente esses problemas não estão visíveis. Normalmente o que vemos é que alguma função não está operante, mas não sabemos se é um problema elétrico ou hidráulico. Primeiramente há que se descobrir isso, para tomar as próximas medidas.

Segue abaixo, um exemplo simples em duas situações (Figuras 1 e 2). Nesse exemplo, há uma válvula solenoide, no caso, uma válvula de acionamento elétrico que desvia a pressão de um lado do cilindro para o outro lado, fazendo com que o mesmo se estenda ou se retraia. Na primeira situação, a válvula está desligada, portanto a mola empurra a válvula para a esquerda e então a pressão hidráulica passa para o lado da retração do cilindro. Na segunda situação, a válvula está ligada, portando a solenoide empurra a válvula para a direita pressionando a mola, e então a pressão hidráulica passa para o lado de extensão do cilindro. Nesse caso pode-se fazer um simples teste. É dado o comando elétrico e verificado se a voltagem (24 Volts, por exemplo) está chegando ou não até a válvula. Se sim, é um problema hidráulico; se não chegar nada, então é um problema elétrico. É fundamental que o resultado do teste esteja correto, pois o caminho a ser tomado será totalmente diferente dependendo desse resultado.

No caso de ser hidráulico, o próximo passo será checar os componentes, como bomba, válvulas e o próprio cilindro. Pode ser que a bomba não esteja fornecendo a pressão necessária, ou a válvula está com fuga interna ou emperrada, ou há fuga interna de óleo no cilindro. No caso de ser elétrico, será preciso checar fusível, interruptores, relés e conectores (Figura 3).

 

No exemplo acima, foi explicado de uma maneira simples a simbologia e funcionamento de alguns componentes: a válvula solenoide, cilindro hidráulico, fusível, interruptor e relé. Existem dezenas de componentes com seus respectivos símbolos. Nos cursos técnicos é ensinada a simbologia e o funcionamento desses componentes, possibilitando que se faça a leitura dos diagramas e análise do funcionamento normal dos diversos sistemas, de forma que se possa fazer testes em cada componente até localizar o defeituoso. Para aqueles que não queiram ou não possam investir em um curso, é possível pesquisar na internet os detalhes de cada componente, simbologia e funcionamento. Com isso, o responsável pela manutenção terá a base para a interpretação dos diagramas.

Um ponto importante a se atentar é que, antes de iniciar o reparo em qualquer máquina, é necessário o conhecimento da operação normal. Isso pode ser obtido através da leitura do manual de operação ou fazendo algumas perguntas rápidas para o operador do guindaste – que é a pessoa que mais conhece a operação do seu equipamento. Isso porque, se pararmos para pensar, como poderíamos fazer o equipamento funcionar corretamente se não sabemos como é o funcionamento correto? Não saberíamos qual é resultado que queremos obter, então não é possível saber os passos a serem tomados até atingir tal resultado. Também é necessário definir exatamente qual é o problema no equipamento e se há realmente um defeito ou se é uma operação incorreta que o está impedindo de executar a função.

Outro fator que conta muito é a experiência. Tive uma situação em que, ao fazer o diagnóstico de uma máquina, demorei cerca de dois dias para localizar o defeito. Alguns meses, depois percebi que as mesmas características daquele defeito ocorreram em outra máquina, então decidi fazer um teste e consegui localizar a causa em menos de 15 minutos. Em outra ocasião, acompanhei a montagem de um circuito elétrico e perguntei para o técnico que estava analisando o circuito para que servia aquele sistema. Algum tempo depois, o cliente que comprou aquele equipamento estava dizendo que o equipamento estava com um defeito, porém, como eu já havia lido o manual de operação e tive a oportunidade de ver a instalação do sistema, pedi ao operador que fizesse um teste e, em questão de minutos, resolvi o problema que, na verdade, era apenas uma operação incorreta.

Essas foram algumas dicas e experiências adquiridas durante o desenvolvimento da carreira na área de manutenção em guindastes. Uma carreira interessante em que sempre há algo novo a se aprender pela tecnologia avançada e evolução contínua que garante a segurança dos trabalhadores envolvidos no içamento de cargas.

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