GRUAS NO CANAL DO PANAMÁ

11 de agosto de 2016

Infocrane

Por Wilson Bigarelli

infocrane3A abertura de uma segunda passagem interoceânica no Panamá, dia 26 de junho, megaprojeto de US$ 5,6 bilhões, permitirá o trânsito de navios gigantescos com o triplo da capacidade permitida até hoje. É o grande acontecimento anual do transporte marítimo internacional e o Brasil, inclusive, correndo atrás como sempre, tenta viabilizar um porto onde esses monstros possam ancorar (leia na seção Telescópio desta edição). Embarcadores de carga do mundo todo, como é natural, estão em alvoroço, mas há também um grupo de cientistas que acompanha bem de perto (e do alto) a evolução dessa obra.

A Smithsonian Tropical Research Institute (STRI) (www.stri.si.edu/) é uma fundação norte-americana estabelecida no Panamá desde 1923 que, a partir de 1997, montou duas bases de observação para monitoramento ambiental, incluindo fauna, flora, mudanças climáticas, e serviços meteorológicos. O detalhe, pelo menos para nós da Crane Brasil, é que essas bases – uma em uma região mais árida perto da cidade do Panamá, e outra, na região chuvosa, no lado do Caribe – estão instaladas em cima de gruas, as chamadas Canopy Cranes.infocrane1

A grua típica para esse tipo de operação está configurada com 52 m de altura e 54 m de raio. Na floresta caribenha, no meio do Parque Natural San Lorenzo, a área de abrangência, de seis hectares, permite mapear 22.400 árvores. A precipitação pluviométrica média no local é de 655 mm, de maio a meados de dezembro, que é a estação seca. No ano todo, desabam sobre as gruas absurdos 3360 mm de chuva. Os sensores estão todos localizados no alto da torre, com exceção do anemômetro, instalado 3 m abaixo da lança.

Os dados, coletados a 15 minutos de intervalo, geram relatórios de
umidade relativa do ar, temperatura, quantidade de chuvas, velocidade e direção dos ventos e radiação solar. Os cientistas da STRI, que realizam experimentos em escala global, inclusive com uso de canopy cranes, estão ocupados em responder uma importante questão: qual o impacto, em todos esses fatores e no ecosistema, de mais uma abertura construída, artificialmente, entre dois oceanos

Crédito: Fotos STRI

 

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